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30
Jun17

Marionetas de ontem, de hoje e de amanhã

Ricardo Jorge Pereira

Escreveu o escritor norte-americano Chuck Palahniuk, no romance Lullaby (de 2002), o seguinte: «O velho George Orwell entendeu tudo ao contrário. O Big Brother não está a ver. Ele está, sim, a cantar e a dançar. Ele está a tirar coelhos de uma cartola. O Big Brother está a captar a tua atenção a partir do momento em que estás acordado. Ele quer assegurar que estarás, sempre, distraído. Ele quer ter a certeza de que estarás, sempre, imerso em distracções… e isto é pior do que ser observado. Com qualquer coisa sempre a distrair-te ninguém tem que se preocupar com o que estás a pensar. A partir do momento em que a imaginação de todos está atrofiada, a certeza de que nunca ninguém se irá tornar numa ameaça para o mundo».

29
Jun17

Mudando a face agrícola de África

Ricardo Jorge Pereira

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (a FAO), o continente africano possuía, não até há muito tempo, menos de 50 tractores agrícolas por cada 100 km2 de terras aráveis.

Classificou, por isso, um dos seus mais populosos países – a Nigéria – no lugar 132 de um total de 188 países analisados no que à mecanização agrícola se referia.

Na verdade, pode afirmar-se que a ausência de meios mecânicos na agricultura do país se tem ficado a dever ao facto de muitos agricultores não disporem de meios económicos suficientes para poderem ter, por exemplo, o seu próprio tractor.

Foi perante este cenário agrícola, económico e social que foi criada, em meados de 2014, a Hello Tractor.

A empresa, criada por um cidadão norte-americano, propunha-se alcançar dois objectivos: 1) melhorar a segurança agrícola de toda a sociedade nigeriana e 2) aumentar os rendimentos dos agricultores do país modificando, de forma positiva, a “eficácia” no momento da preparação dos solos e, depois, no da colheita (as máquinas eram cerca de 40 vezes mais rápidas do que as mãos humanas...).

Funcionando a Hello Tractor como uma espécie de intermediária no aluguer de tractores devidamente apetrechados (“inteligentes”) entre aqueles, poucos, que deles eram proprietários e os agricultores que não os tinham, que eram e são muitos.

De facto, dada a desconfiança que a maioria das instituições bancárias locais ainda nutre por tal, por assim dizer, mecanismo agrícola, económico e social, a empresa tem vindo a conceder, também, empréstimos cujo reembolso será feito a juros baixos para que mais e mais agricultores nigerianos possam vir a ser proprietários de tractores.

Numa altura em que, ainda segundo a Organização das Nações Unidas, milhões de pessoas, sobretudo em África, estão a ser afectadas pela catástrofe que a organização considera ser a maior de carácter humanitário que o mundo já enfrentou desde 1945 e que este mesmo projecto irá ser “lançado”, ainda em 2017, no Quénia, resta-me desejar que todo o processo agrícola africano possa vir a ser beneficiado e, assim, melhorar todas as dimensões das sociedades do continente.

Bem merecem.

28
Jun17

O presidente francês e o "politicamente incorrecto"

Ricardo Jorge Pereira

Passando os olhos pela Internet, reparei nos gestos do recém-eleito presidente da República francesa, Emmanuel Macron, para promover a candidatura gaulesa à organização dos Jogos Olímpicos de 2024.

A cidade anfitriã seria Paris.

Não hesitou, então, em ensaiar algumas jogadas de ténis, em fazer alguns movimentos de boxe e, sobretudo, em sentar-se numa cadeira de rodas como aquelas que fazem, impreterivelmente, parte da prática desportiva dos atletas com necessidades especiais.

Conseguiu, assim, em minha opinião, “matar dois coelhos com uma cajadada só” (perdoe-se-me a alusão à morte num texto que pretende, também, celebrar a prática de desporto e a própria vida…): para além de promover a candidatura francesa à organização dos Jogos Olímpicos de 2024 (e, ao mesmo tempo, a sua própria imagem), Emmanuel Macron terá conseguido chamar a atenção de uma parte da sociedade francesa para a outra parte que enfrenta no seu dia-a-dia quase sempre dificuldades no que diz respeito à arquitectura dos edifícios e das ruas (incluo, também, o chamado mobiliário urbano), ao acesso ao sistema de transportes, etc., mas, mais do que em tudo, às próprias mentalidades.

Só tenho pena é que tais gestos, “politicamente incorrectos”, não tenham ultrapassado as fronteiras de França.

27
Jun17

Portugal, a Igreja e a escravatura – parte II

Ricardo Jorge Pereira

«No âmbito da Lisboa Capital Ibero Americana de Cultura 2017, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo promove uma exposição documental sobre o tema TESTEMUNHOS DA ESCRAVATURA [...].

Esta exposição procura mostrar a realidade que foi o comércio de escravos na sociedade portuguesa desde o seculo XV até ao século XIX. A Bula “Romanus Pontifex” do papa Nicolau V (8 de janeiro de 1455) que concede a D. Afonso V e seus sucessores, a faculdade de poderem fazer comércio com os negros, passando pelas iniciativas legislativas do tempo de Pombal para lhe pôr limites, até à Ratificação pela rainha Vitória do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Tratado assinado com a rainha D. Maria II, para a completa abolição do tráfico da escravatura (16 de Julho de 1842) e à Lei que aboliu a escravatura em alguns territórios da província de Angola (3 de julho de 1856) no reinado de D. Pedro V».

Quase ao mesmo tempo em que fui ver esta exposição, visitou o presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, o Senegal.

Aí, aproveitou, por exemplo, para visitar a ilha de Gorée que, sob o controlo da coroa portuguesa, foi um importante entreposto no tráfico e comércio de seres humanos (elevados, pois, à categoria de mercadorias) comentando, de resto, que o poder político português reconheceu a injustiça da escravatura quando a aboliu, em parte do território em que detinha a soberania, por ordem do Marquês de Pombal, em 1761.

Reconhecimento tardio, sublinhou.

Outros, no entanto, relevaram o facto de o presidente não ter aproveitado esse momento para, de forma pública, reconhecer as responsabilidades de Portugal, durante séculos, no comércio de milhões de pessoas e no tráfico transatlântico a que, muitas, foram submetidas.

De facto, como explicou a curadora da exposição Um Museu. Tantas Colecções! (patente no Museu Nacional de Arqueologia) Ana Isabel Santos em declarações feitas ao jornal Público: «É preciso ver que não são os portugueses que entram pelo continente e vão ao interior capturar pessoas. Antes da chegada dos navegadores e do estabelecimentos de feitorias já as tribos africanas dominantes, muitas delas islamizadas, escravizavam outras tribos. O que os portugueses fazem depois é negociar com esses traficantes que trazem os escravos do interior».

Assim, a “inovação” que os portugueses trouxeram a esse comércio foi o transporte (o tráfico transatlântico) e a quantidade de pessoas transportadas (milhões).

Foi, precisamente, em Gorée que, quer o papa João Paulo II (em 1992), quer o presidente do Brasil Luíz Inácio Lula da Silva (em 2005), pediram perdão pela escravatura...

26
Jun17

“Amar pelos dois”

Ricardo Jorge Pereira

A vitória da canção interpretada por Salvador Sobral no Festival Eurovisão da Canção de 2017 representou muito mais do que a consagração internacional de um artista e de um país.

É que apesar de estar em competição (é mesmo esta a palavra) com melodias oriundas de diversas nações do Velho Continente – e de outras partes do mundo –, não é possível ignorar o papel do meio “televisão” e de outras plataformas (Youtube, por exemplo) que, ainda antes do festival organizado na Ucrânia, ajudaram a catapultar a canção de Salvador Sobral (escrita pela sua irmã, Luísa) para um nível planetário.

Representou, por isso, para além da enorme capacidade da canção interpretada pelo jovem músico, o reconhecimento da língua portuguesa no mundo.

Não terão, efectivamente, a edição de 2017 Festival Eurovisão da Canção e o “desempenho” do artista e da canção portugueses feito mais pela divulgação da língua portuguesa do que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua fizeram em anos e anos de actividade?

23
Jun17

Portugal, a Igreja e a escravatura – parte I

Ricardo Jorge Pereira

«Aos dezasete dias do mes de Maio de mil e setecentos e quarenta e dois annos nesta Igr.ª de Nossa S.ra da Lus do lugar Dos Cunhados Tr.º da villa de Torres Vedras [A-dos-Cunhados, localidade pertencente ao concelho de Torres Vedras]: Em minha prezença, e das testemunhas abaixo assignadas se cazarão por palavras de prezente in facie Ecclesia = Joseph dos Santos homen preto n.al da Costa da Mina filho de pais gentios baptizado nesta Freg.ª aonde se dezobrigou: e Maria dos Anjos molher preta n.al de Angola filha de pais gentios baptizada na mesma cid.e; e se dezobrigou nesta Igr.ª ambos escravos de xxx xxxx do Cazal da Serpigeira desta Freg.ª e m.os em caza dot.º seu S.or: os quais admitti a çelebrarem o dito sacram.to do matrimonio, por ordem, que fica em meu poder, do D.or xxx xxx xxxx providor dos cazamtos: guardando, em tudo o mais aforma do Sagrado Concilio Tridentino, e Constituiçois deste Arcebispado: testemunhas, que prezentes estavão xxx xxxx Senhor dos ditos cazados e xxxx xx xxxx filho de xxxx xx xxxxx ambos desta Freg.ª de que fis este assento que assignei dia, mês e era ut s.ª

 

 

O Cura xxxx xxxx

[e respectivas testemunhas]»

22
Jun17

O despertar do dragão chinês

Ricardo Jorge Pereira

O desenvolvimento do Império do Meio é um dos mais importantes acontecimentos do fim do século XX e do início do XXI já que tem obrigado, quer dentro de portas, quer fora, a reformulações nas dimensões social, económica, cultural, militar, etc., em todo o mundo.

De facto, se, no início da década de 1980, mais de 80% dos chineses vivia abaixo do limiar da pobreza então considerado, apenas 2% dos chineses foram, em 2013, considerados “muito pobres”.

Por exemplo, a China ultrapassou, em 2009, os Estados Unidos da América como o maior parceiro comercial de muitos dos países africanos.

Na verdade, muito antes do actual presidente chinês, Xi Jinping, ter dado a conhecer as ideias gerais do seu gigantesco projecto “Iniciativa Faixa e Caminho”, o seu antecessor Hu Jintao tinha já apresentado uma ambiciosa e extensa estratégia de desenvolvimento para a China no continente africano.

Efectivamente, até 2014, a China tinha construído, em África, mais de trinta centrais de produção de energia, cerca de uma dezena de portos (no Senegal, no Gana, na Tunísia e em várias outras regiões africanas), perto de uma dezena de aeroportos, pontes e estádios desportivos e conseguira a construção de milhares de quilómetros de linhas férreas e de vias rodoviárias.

A China está, ainda, a construir uma nova infra-estrutura portuária de águas profundas nos Camarões bem como a 1.ª base militar fora das suas fronteiras no Djibouti (país localizado no chamado “Corno de África”, a relativamente pouca distância do canal do Suez, um dos mais movimentados corredores marítimos no mundo).

Para além do mais, um grupo empresarial chinês irá começar a construir, no segundo semestre de 2017, em Marrocos, a “Cidade Mohammed VI Tanger Tech” que, portando o título do actual monarca do reino marroquino e o nome da cidade que ladeará – Tânger –, será um enormíssimo pólo industrial ocupando cerca de 20 mil hectares na região Tânger – Tétouan – Al Hoceima e capaz de acolher cerca de 300 mil habitantes.

Esta cidade situar-se-á, pois, a curta distância do porto de águas profundas TangerMed.

Recorde-se que a maioria do comércio mundial faz-se, actualmente, através dos mares.

Ora, o congressista norte-americano Devin Nunes, em entrevista à agência Lusa em Abril último, referiu: «A China espalha influência pelo mundo; em África trazem pessoas, constroem estruturas, que muitas vezes não funcionam bem, colocam militares, não se misturam com as pessoas e só se preocupam com eles».

Cerca de um mês antes, também em entrevista (desta feita ao jornal alemão Die Welt), fora a vez do presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, tecer críticas à actuação da China no continente negro: «África arrisca tornar-se hoje numa colónia chinesa, os chineses só querem as matérias-primas. A estabilidade não lhes interessa».

Tendo em conta o percurso histórico, até aos nossos dias, da relação de muitos Estados europeus e dos Estados Unidos da América (por exemplo, o colonialismo e o comércio de escravos) com o continente africano, não me parece que as afirmações produzidas pelos agentes políticos citados possam ser consideradas intelectualmente verdadeiras e honestas.

Pelo contrário, acho os nomes “hipocrisia” e “inveja” muito mais apropriados para as enquadrar e descrever.

21
Jun17

Portugal, Dinamarca e a 'operação' grindadráp...

Ricardo Jorge Pereira

Hoje, 21 de Junho de 2017, o Museu de Marinha, em Lisboa, acolheu a conferência “Rainhas, Pescas e Cruzadas. Portugal e Dinamarca desde os Vikings até à Era dos Descobrimentos”.

A realização desta conferência – a primeira que se debruçou sobre as relações luso-dinamarquesas anteriores ao século XVI – insere-se no âmbito de uma exposição temporária sobre o período Viking em Portugal (Vikings, os Guerreiros do Mar) que se encontra patente no referido espaço museológico e que foi inaugurada pelo presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa em Abril deste ano.

«Há mais de mil anos, povos vindos do Norte chegaram às margens de uma Europa que não estava preparada para os receber.

A capacidade de se deslocarem em rápidos e versáteis navios e a violência inesperada dos seus ataques constituíam as principais características destes “guerreiros do mar”», observa o Museu de Marinha.

Para além disso, sublinha também, a exposição conta com mais de 600 peças originais emprestadas pelo Museu Nacional da Dinamarca e «retrata a vida e o quotidiano dos Vikings, os quais foram presença constante em saques e pilhagens no litoral da Península Ibérica a partir do século IX».

No entanto, creio que um par de frases do escritor chileno Luis Sepúlveda pode ajudar-me a introduzir uma outra dimensão dessa identidade dinamarquesa.

«O passado vive sempre dentro de nós. O passado é uma parte de nós», disse numa entrevista.

Se, de facto, o país escandinavo tem sido considerado, desde há alguns anos, um dos mais pacíficos do mundo, a “filial” holandesa da organização que luta, mundialmente, pela preservação da vida marinha, Sea Shepherd, apresentou à Comissão Europeia, no início de Maio de 2017, um pedido para que esta adoptasse um conjunto de procedimentos contra a Dinamarca por facilitar e promover o massacre de centenas de baleias-piloto (e outros cetáceos) no território das ilhas Faroé: todos os anos, de Junho a Novembro, centenas de cetáceos eram encaminhados para as praias das ilhas Faroé através do movimento produzido por várias embarcações.

Uma vez aí, eram massacrados através da prática de grindadráp (prática extremamente violenta que, de resto, se pode pesquisar na plataforma YouTube…).

Uma das questões então levantadas foi esta: embora existisse, na verdade, uma directiva comunitária que proibia aos Estados membros todas as formas de captura e morte de cetáceos, as ilhas Faroé, território dependente da Dinamarca mas que era autónomo, estariam ou não isentas do cumprimento das leias europeias?

Seja como for, a participação activa das autoridades dinamarquesas no grindadráp daria, argumentava, uma resposta negativa a essa questão.

Numa petição, também “lançada” pela organização Sea Sheperd (que, por sinal, assinei já), escrevi o seguinte: «Não será, para a Europa do século XXI, uma vergonha permitir "tradições" como esta?».

Lembrando-me, por exemplo, das touradas, mantenho a pergunta...

20
Jun17

«Igreja pobre de meios, rica no amor»

Ricardo Jorge Pereira

O papa Francisco, bispo de Roma e sucessor de Pedro, presidiu, nos dias 12 e 13 de Maio de 2017, em Fátima, às celebrações do Centenário das Aparições de Nossa Senhora (o cardeal D. José Saraiva Martins garantiu, em declarações ao jornal i, que os «pastorinhos viram Nossa Senhora, não a inventaram». Já D. Carlos Azevedo, “desterrado” em Roma, em entrevista à rádio TSF, afirmou que «em Fátima, não houve aparições». Assim, um jornalista do jornal francês Le Figaro chegou mesmo a considerar Fátima como uma das “questões” mais controversas da história recente da Igreja Católica).

Tendo vindo em “peregrinação”, aproveitou o papa Francisco para canonizar Jacinta Marto e Francisco Marto, dois pequenos pastores que, em Maio de 1917 (e meses seguintes), assistiram a uma “dança do sol” que retiraria Fátima da obscuridade nos anos que se seguiriam – até agora, 100.

Lúcia, sua prima e outra das testemunhas, entrou, poucos anos depois de tal avistamento, na vida religiosa: tendo passado por vários conventos, entrou, no fim da década de 1940, no carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, onde permaneceria até à data do seu falecimento, em 2005 (sem nunca ter podido dar conta, de forma pública, das suas impressões do momento “divino” a que assistira).

Foram, na verdade, milhares e milhares de pessoas (esperava-se a afluência, ao Santuário de Fátima, de um milhão de pessoas), vindas de toda a Cristandade (representando, exactamente, 55 países1), aquelas que, juntando-se a Francisco, celebraram a sua mensagem de universalidade da paz, da tolerância, da fraternidade, da solidariedade e da compaixão.

Claro que nem sempre assim foi.

Que o digam os “testemunhos” daqueles que tiveram que passar pelas “garras” do Tribunal do Santo Ofício.

Como explicou uma exposição que o Arquivo Nacional da Torre do Tombo acolheu: «As tenções [tensões…] sociais que pautaram as primeiras décadas do século XVI motivaram D. Manuel I a pedir ao papa Leão X, a 26 de Agosto de 1515, a autorização para se estabelecer um tribunal “ao modo de Castela”. A resposta de Roma seria negativa e este seria o primeiro passo de um processo de negociação constante entre Roma e Lisboa, que se iria prolongar nas décadas seguintes. O culminar seria a publicação em Évora, em 1536, da bula Cum ad nihil magis, que instituiu a Inquisição em Portugal, com a nomeação de D. Diogo da Silva, bispo de Ceuta, como inquisidor-mor. Dando os seus primeiros passos na cidade de Évora, o tribunal passou para Lisboa nos finais de 1537. A subida ao ofício de inquisidor-mor por parte de D. Henrique, em 1539, impulsionou a actividade do tribunal. O primeiro auto-de-fé foi celebrado em Lisboa, a 26 de Setembro de 1540. Os anos de 1541 e 1542 foram marcados pela multiplicação de tribunais: Évora (reaberto em 1541), Coimbra, Porto, Lamego e Tomar».

Ora, como se observou ainda, «Ao longo dos seus quase três séculos de existência, a Inquisição marcou profundamente a sociedade portuguesa. A sua acção de vigilância e de controlo social incidiu sobre toda a população mas, sem dúvida, visou preferencialmente o sector dos cristãos-novos . Através da actuação dos agentes do tribunal e do mecanismo de denúncia, a pressão sobre as famílias cristãs-novas foi muito forte, levando muitos aos cárceres e outros à fuga para a Diáspora».

Hoje, o Tribunal do Santo Ofício existe ainda. Não já, evidentemente, com esse nome mas com outro – Congregação para a Doutrina da Fé – e, claro, com outros mecanismos igualmente menos violentos e “sinuosos” de funcionamento.

No entanto, o seu objectivo primeiro mantém-se: «promover e guardar a fé».

 

 

1Foi aproveitado o momento para fazer passar algumas mensagens do instante político, social e económico de alguns países: SOS Venezuela-No Mas Muerte ou Venezuela SOS, por exemplo…

19
Jun17

Para quando a gestão das florestas em Portugal?

Ricardo Jorge Pereira

Antes de mais, um ponto inicial: lamento, profundamente, as mortes (no momento em que escrevo, 62) e os feridos (também, até este momento, 135) causados pelo incêndio que começou, no passado dia 17 de Junho, a devastar a zona de Pedrógão Grande.

Aproveito, igualmente, para deixar os meus sinceros pêsames às famílias enlutadas e para deixar um forte abraço de solidariedade a todos aqueles que não tendo perdido familiares perderam bens essenciais ao seu sustento e, até, animais domésticos e/ou selvagens.

A todos, um cumprimento emocionado.

Agora, uma outra mensagem que quero deixar: tendo, de facto, ocorrido uma enorme tragédia na zona de Pedrógão Grande, não me é possível não me referir, nalgumas linhas, à questão dos incêndios em Portugal.

Todos os anos, sem excepção, quando as condições metereológicas se adequam – e se, por sinal, coincidirem com a ocorrência de uma desgraça humana –, muitos são os que levantam a voz para dizer que está por fazer um ordenamento correcto e eficiente da floresta em Portugal (até porque, lembro, Portugal é o único país do flanco sul da Europa em que a área ocupada por floresta está a recuar já que em Espanha, em Itália e na Grécia ela se encontra a “crescer”…) e que está, pois, por fazer uma discussão competente sobre o assunto.

A que falta fazer é que será “competente”…

E etc., etc., etc.,.

Mas, todos os anos, milhares de hectares de floresta se perdem para os incêndios em Portugal, morrem pessoas e bens e animais (irracionais) desaparecem.

E a sempre invocada “discussão competente” lá tem ficado, constantemente, adiada por mais um ano.

Para o ano é que vai ser.

Tudo, mas mesmo tudo, vai mudar.

Será?

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