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31
Out17

A minha visão do mundo

Ricardo Jorge Pereira

Porque este é o centésimo texto que coloco aqui no blogue, julgo ser oportuno citar algumas frases – identificando, claro, os respectivos autores – com as quais me identifico pois têm subjacente uma maneira de olhar para o mundo com que concordo.

Ou seja, une-nos o facto de cada uma esboçar uma visão do mundo semelhante à que eu tenho.

Um mundo em que, como alguém disse, «a ilusão é a única realidade».

 

 

«A inclinação mais natural, mais viva, e que mais fortes e profundas raízes tem lançado na natureza humana é o desejo ou apetite da glória».

António Vieira (1608-1697), padre e escritor português

 

 

 

«O medo colectivo estimula o instinto de rebanho e tende a provocar a fúria para com aqueles que não são vistos como membros do rebanho».

Bertrand Russell (1872-1970), filósofo e matemático inglês

 

 

 

«Todas as religiões são fundadas sobre o temor de muitos e a esperteza de poucos».

Stendhal (1783-1842), escritor francês

 

 

 

«Como nenhum político acredita no que diz, fica sempre surpreendido ao ver que os outros acreditam nele».

Charles de Gaulle (1890-1970), general e estadista francês

 

 

 

«O Estado é o mais frio de todos os monstros. Ele mente friamente. Da sua boca sai esta mentira: “Eu, o Estado, sou o povo”».

Friedrich Nietzsche (1844-1900), filósofo alemão

 

 

«Todas as coisas excelentes são tão difíceis quanto raras».

Baruch Espinoza (1632-1677), filósofo holandês

 

 

«A vida já é curta mas nós tornamo-la ainda mais curta desperdiçando tempo».

Victor Hugo (1802-1885), escritor francês

 

 

e, por último,

 

 

«Se a história se repete e se o inesperado sempre acontece, que incapaz deve ser o Homem de aprender com a experiência».

George Bernard Shaw (1856-1950), escritor e dramaturgo irlandês

 

30
Out17

Vale a morte mais do que a vida?

Ricardo Jorge Pereira

O sítio Global Firepower revela, todos os anos, a hierarquia dos exércitos convencionais do mundo a partir da análise de cerca de quatro dezenas de critérios.

Nada dizendo, refira-se, sobre a dimensão dos arsenais nucleares que alguns desses exércitos controlam1.

Ainda assim, em 2017, - como habitualmente - o exército dos Estados Unidos da América é o mais poderoso do mundo até porque dispõe de um orçamento de 587 mil milhões de dólares (valor, no entanto, distante do montante de 19 triliões de dólares que totaliza a dívida do país ao exterior…).

Proponho, então, que se faça um exercício de investigação e de cálculo: comparemos os montantes que cada um dos Estados analisados (e que sabemos ser os mais ‘ricos’) gasta para conseguir assegurar as melhores armas – não apenas as que permitirão dissuadir outros Estados mas, também, aquelas que permitirão rentabilizar economicamente a morte do Outro (e elevar o seu fim terreno a um patamar cada vez mais ‘eficaz’) – e os montantes que despendem para gastar em políticas públicas para o desenvolvimento, interna e externamente.

Eu já comecei: segundo um relatório da organização norte-americana AidData divulgado há poucos dias – “Aid, China, and Growth: Evidence from a New Global Development Finance Dataset” –, os Estados Unidos da América ‘doaram’ a países estrangeiros, entre 2000 e 2014, praticamente 395 biliões de dólares.

Ou seja, muito menos do que o valor do seu exército.

Valerá, pois, a morte mais do que a vida?

 

 

1 Aproveito para felicitar a Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican na sigla inglesa) por ter sido galardoada com o prémio Nobel da Paz de 2017.

27
Out17

«A indústria da ajuda»

Ricardo Jorge Pereira

Assisti, há dias, a um colóquio em que se abordou o ‘tema’ das organizações não-governamentais (as ONG’s).

Referiu-se, então, que as ONG’s contribuem, também, para a capacitação dos cidadãos para um entendimento exacto do significado de problemáticas tidas como essenciais.

Lembrei-me, entretanto, de uma expressão que foi utilizada, certa vez, por um comentador do Debate Africano (programa radiofónico emitido pela RDP África): a «indústria da ajuda».

Ora, esta expressão em torno do trabalho das ONG’s deve ter, quanto a mim, duas perspectivas de análise muito diferentes.

Uma – positiva – é a de que a chamada “sociedade civil” está a tornar-se mais ‘robusta’ na defesa de uma sociedade, por assim dizer, mais consciente e reivindicativa dos seus direitos e cada vez mais ‘envolvida’ nos seus deveres.

A outra – negativa – é a de que se manifestam, por vezes, em algumas ONG’s, distorções dos reais objectivos que deveriam nortear o seu trabalho e, enfim, da sua génese em termos de metodologias de gestão...(casos de nepotismo, por exemplo).

26
Out17

Modas universais

Ricardo Jorge Pereira

Decorreu no Pavilhão Carlos Lopes a 49.ª edição da ModaLisboa.

No início deste mês de Outubro.

Nele pude ver, via televisão, o desfile de manequins vestindo adereços que são, em ‘estilo’ e em valor monetário, em tudo semelhantes aos que se podem ver noutros certames de moda por essa Europa fora (em Milão, em Paris, em Londres ou no Porto, por exemplo) e nos Estados Unidos da América.

Mas será que este tipo de certames teria o mesmo ‘valor’ se tivesse lugar em locais como a Bolívia, Moçambique ou nalgumas regiões de Portugal?

25
Out17

Lisboa e Ceuta

Ricardo Jorge Pereira

Sabia já que o infante D. Henrique deixou o seu irmão mais novo, o infante D. Fernando, aprisionado em Ceuta no pressuposto de que obteria a sua libertação quando Portugal ‘devolvesse’ Ceuta a Marrocos.

Fosse por uma decisão papal que acabou por proibir a ‘devolução’ de Ceuta – conquistada em 1415 – (uma cidade que entendiam ser já cristã…) ou por outra qualquer razão, certo é que o infante D. Fernando acabou mesmo por ser morto no cativeiro em Ceuta.

Ora, tendo este clima de insucesso, por assim dizer, em mente,visitei, no início de 2016, a exposição “Lisboa 1415 Ceuta”, em Lisboa, nos Paços do Concelho.

O folheto que me ‘ajudou’ a obter informação adicional sobre a exposição dizia o seguinte: «Séculos de relação entre Lisboa e Ceuta, que se manteve mesmo quando as duas cidades seguiram caminhos políticos distintos, asseguraram uma recíproca presença na memória das duas comunidades».

Manteve-se? Que “relação” existe hoje, por exemplo, entre Lisboa e Ceuta?

Um professor especialista no património de origem portuguesa no mundo e na história e arqueologia do norte de África ajudou-me:

«É complexo. Por um lado há toda uma história dos séculos XVIII e XIX em que as relações se mantém, apesar da pertença a países distintos. Por outro, (…) há toda uma simbólica de relações que chega aos dias de hoje, em vários domínios. O facto de Lisboa e Ceuta partilharem bandeiras, o facto de Av. de Lisboa e Av. de Ceuta serem das principais ruas das duas cidades (em Madrid a Rua de Ceuta é uma coisa insignificante), enfim, em vários domínios há uma memória, uma representação que se faz da outra cidade muito superior, mais expressiva, do que o real peso da relação e da importância histórica das duas cidades, quase uma coisa mítica».

24
Out17

Os incêndios e o lodaçal

Ricardo Jorge Pereira

Alguém, há pouquíssimos dias, colocou um post numa rede social que utilizo com alguma frequência: «O Estado FALHOU! Como disse Marcelo há que pedir desculpa aos portugueses. Desculpa é o mínimo, e deve ser pedida por TODOS OS PARTIDOS politicos e pelo próprio presidente da Republica, Marcelo Rebelo de Sousa! TODOS SÃO CULPADOS (sem excepção)!!! Isto não é um problema de agora. Este foi apenas o culminar do bordel criado pelos politicos que têm governado Portugal. Especialmente pelo PS, PSD e CDS (e respetivos amigalhaços). Quanto a Assunção Cristas, que assina resoluções de bancos quando está de férias no Algarve (sem ler os documentos), incentiva a plantação de eucaliptos, e reza para que chova para resolver os problemas da seca, deveria ter vergonha e começar por pedir desculpa no que a ela lhe toca. Espero que esta pouca vergonha não se repita».

Li e respondi: «Caro xxxxx: todos os agentes políticos falharam. Citando-o: «TODOS SÃO CULPADOS (sem excepção)!!!». Completamente de acordo. Mas… e o cidadão comum? Será que não tem qualquer ‘porção’ de responsabilidade nas suas próprias atitudes perante a floresta? E quanto mais não fosse por ter autorizado o lodaçal a que se chegou?».

23
Out17

A despersonalização da morte

Ricardo Jorge Pereira

«Hoje morre-se no hospital».

Foram estas as palavras que ouvi, há dias, num programa radiofónico sobre os cuidados paliativos.

Opto, assim, por reproduzir um texto de Philippe Ariès – “Sobre a História da Morte no Ocidente” (1989 foi o ano da edição portuguesa): «Algures, na zona da morte nova e moderna, procura-se reduzir a um mínimo decente as operações inevitáveis destinadas a fazer desaparecer o corpo. Importa antes de mais que a sociedade, os amigos, a vizinhança, os colegas, as crianças se apercebam o menos possível da passagem da morte. Se algumas formalidades se mantêm e se uma cerimónia continua a assinalar a partida, devem ter um carácter discreto e evitar todo o pretexto para qualquer emoção: por isso as condolências à família são agora suprimidas no final dos serviços de enterramento. As manifestações aparentes de luto estão condenadas e em vias de extinção. Já não se enverga vestuário escuro, já não se adopta uma aparência diferente da de todos os dias. Um desgosto demasiado visível não inspira piedade mas repugnância; é um sintoma de desarranjo mental ou de má educação; é mórbido. No seio do círculo familiar hesita-se ainda em deixar exteriorizar a dor, por receio de impressionar as crianças. (…) O conjunto de fenómenos que acabámos de analisar mais não é que a entrada em cena de um interdito: o que outrora era obrigatório passou a ser proibido.

O mérito de ter sido o primeiro a formular esta lei não escrita da nossa civilização industrial pertence ao sociólogo inglês Geoffrey Gorer. Ele mostrou bem como a morte se converteu num tabu e como, no século XX, ela substituiu o sexo como principal interdito. Noutros tempos dizia-se às crianças que “vinham de Paris”, mas elas assistiam à grande cena do adeus à cabeceira do moribundo. Hoje em dia, são iniciadas desde a mais tenra idade na fisiologia do amor mas, quando deixam de ver o avô e manifestam o seu espanto, dizem-lhes que ele repousa entre as flores de um belo jardim: “The Pornography of Death” título de um artigo precursor de Gorer, publicado em 1955. Quanto mais a sociedade afrouxava as suas vitorianas interdições sexuais, mais rejeitava as coisas da morte. E, ao mesmo tempo que o interdito, aparece a transgressão: na literatura maldita reaparece a mistura do erotismo e da morte (…) e, na vida quotidiana, a morte violenta».

A morte já não é o que era...

20
Out17

Privacidade: ainda existe?

Ricardo Jorge Pereira

Um amigo disse-me, há dias, que considerava que o facto de os médicos de família designarem os utentes que aguardavam nas respectivas salas de espera dos centros de saúde a sua vez de serem consultados pelo seu nome completo (ou pelo nome ‘primeiro’ e o apelido) uma enorme quebra na privacidade de cada cidadão já que a transmissão de tais dados através de uma espécie de sistema interno de som poderia permitir a devassa digital da sua personalidade.

Confesso que nunca tinha reparado – nem pensado – neste aspecto mas pensei que faria algum sentido, por assim dizer, a preocupação deste amigo.

Fiz e faço, no entanto, a seguinte pergunta: qual é o ‘grau’ de privacidade que cada uma/um já tem quando, por exemplo, tem que preencher um simples impresso/formulário para subscrever um qualquer serviço (ou para interagir com o Estado) contendo o seu nome, o número de identificação fiscal (o número de contribuinte) e o do cartão de cidadão1?

 

 

1 A questão que coloquei no título deste texto – “Privacidade: ainda existe?” – fará ainda mais sentido de existir se se ler, como eu li, o artigo que o jornal de Hong Kong South China Morning Post publicou, online, há alguns dias atrás: “China to build giant facial recognition database to identify any citizen within seconds”. De facto, tal sistema de identificação a ser implementado na República Popular da China permitiria garantir, «com um grau de confiança de 90%», controlar a população.

19
Out17

Para além da construção

Ricardo Jorge Pereira

Li, há dias, algumas palavras de um especialista em geopolítica e segurança a propósito da construção de uma nova mesquita em Lisboa: «O único grande erro que vejo é o que já foi cometido noutros espaços europeus: em zonas urbanas de forte presença muçulmana, constrói-se uma mesquita. Isso vai criar ainda maior fluxo a esses mesmos espaços urbanos, tornando-os auto-segregados, dando origem a zonas guetizadas, descentralizadas, com dinâmicas sociais muito próprias e auto-excluídas e onde o controlo por parte das forças e serviços de segurança é muito dificultado. O que se deve fazer é o contrário. A construir, não deveria ser na Mouraria mas noutra zona, com o objectivo de disseminar socialmente, considerando outro planeamento urbanístico, a fim de evitar a auto-segregação e a hipercomunitarização destes mesmos indivíduos. A Mouraria não pode ficar tipo Molenbeek em Bruxelas».

Creio, assim, ter voltado a constatar que, de facto, a construção de um qualquer espaço (seja ele para que uso for) pode não envolver só o saber da Arquitectura: poderá – ou, pelo menos, deveria – ‘convocar’ o saber de outros ‘campos’ como a Sociologia, a chamada Ciência Política, o Design, por exemplo.

Outra vez a interdisciplinaridade...

18
Out17

O património subaquático português

Ricardo Jorge Pereira

Nunca li o livro “Portugal em ruínas” de Gastão de Brito e Silva.

No entanto, a preservação do património português é uma ‘causa’ que sempre defendi, que defendo e que defenderei.

É por isso que assisti, há dias, a uma reportagem da série “Linha da Frente” – emitida pelo canal 1 da RTP no início deste mês de Outubro – com o título Esmeralda Perdida.

Uma reportagem que procurava perceber como é que as autoridades portuguesas – o Estado – estavam a proteger uma parte do património histórico e cultural de Portugal: aquela que se encontrava submersa.

Aprendi que «Portugal assinou a Convenção da UNESCO [sigla inglesa para designar a United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization, a organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura] para a Protecção do Património Cultural Subaquático e está obrigado a cooperar com os outros países».

Percebi, também, que nem sempre (quase nunca?) assim se passa.

Soube, enfim, que «A posição do MNE [sigla para identificar o Ministério dos Negócios Estrangeiros português] é a de Portugal não reivindicar espólios».

Porquê?

Penso que por incompreensão do quão é importante proteger o património histórico e cultural português e por uma razão que considero ser particularmente grave: uma espécie de negação de um determinado período da História de Portugal.

Ou seja, uma disfunção comportamental (“complexo de culpa”, por assim dizer) que origina o repúdio e a vergonha por um período da História em que Portugal se superiorizou – nos mares, bem entendido, pela primeira e única vez – a outras nações do globo.

Com repercussões no presente e no futuro do país.

Mas, como diz o outro, é o que temos...

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