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06
Set17

A aposta que falta ganhar

Ricardo Jorge Pereira

No seu livro Política de turismo, publicado em 1987, o secretário de Estado do turismo, Licínio Cunha, concluiu que «a evolução verificada bem como os efeitos económicos alcançados constituem indícios seguros de que a aposta no turismo já foi ganha».

Seria, uma década volvida, a vez do secretário de Estado do comércio e turismo, Jaime Andrez, lançar o seu prognóstico: «o turismo criou e desenvolveu um espaço próprio que lhe traz o reconhecimento de poder ser um dos motores da economia do século XXI».

Ora, se é inegável o facto de os números que têm, nos últimos anos, sido registados pelo sector do turismo em Portugal serem francamente positivos - como, de resto, o têm sido as repercussões na restante malha económica portuguesa… - transformando, assim, esse «poder ser» num “é” sem margem para dúvidas, não julgo que a «aposta no turismo» tenha já sido ganha.

Porquê?

Lembro-me, por exemplo, de duas ‘dimensões’ que referi já: a massificação do turismo, por assim dizer, e o terrorismo.

Insisto no ‘capítulo’ segurança: uma reportagem televisiva emitida pelo bloco noticioso Telejornal (RTP – canal 1) em Maio de 2016 referiu que «Os festivais portugueses têm, também, impacto no turismo: chamam cada vez mais estrangeiros. As organizações dos maiores festivais esperam que, este ano [2016], metade dos visitantes venha de fora do país, número que tem, ainda, margem para crescer».

Foi, ainda, revelado que, nesse ano de 2016, mais de 2 milhões de espectadores seriam aguardados nos festivais de Verão.

Pedi, por isso, à organização do festival Rock in Rio Lisboa que me explicasse se estavam preparados mecanismos e procedimentos de segurança no âmbito da sua realização.

Eis a resposta: «À semelhança das edições anteriores, o tema da segurança é uma das nossas questões prioritárias. São definidos grupos de trabalho, ainda na fase de planeamento, que envolvem diferentes entidades como Serviço Municipal de Proteção Civil, Polícia de Segurança Pública, INEM, Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, Polícia Municipal, Prosegur, entre outros, e que, depois da definição do risco associado ao evento, definem quais os meios e ações que devem ser implementadas para garantir a segurança de todos os envolvidos no evento. Durante os dias do Rock in Rio-Lisboa, existe um Centro de Controlo Operacional, permanente, onde estão representadas todas as entidades envolvidas na segurança e emergência no Rock in Rio Lisboa e que vão monitorizando o desenrolar das operações. Este ano [2016], estão a ser tomadas medidas extra para garantir que o público chega bem ao recinto, vive o Rock in Rio e regressa em segurança para casa, sem que isso interfira com a experiência de alegria e que é o Rock in Rio».

Por outro lado, Álvaro Covões, o fundador da empresa promotora de espectáculos Everything is New, numa entrevista conduzida pela jornalista Sandra Nobre (da publicação Dica da Semana, em Maio de 2016) respondeu «Não» à pergunta «Quando se preparam eventos grandes a segurança é uma preocupação ainda maior?».

Ou seja, a «aposta no turismo» tem que ser ganha todos os dias.

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