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09
Jun17

A língua portuguesa

Ricardo Jorge Pereira

Numa conferência organizada pela Fundação Oriente, no início do mês de Abril de 2017, a propósito dos Trinta anos da Declaração Conjunta Sino-Portuguesa sobre o futuro de Macau, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros do governo português, Augusto Santos Silva, referiu que, actualmente, 240 milhões de pessoas no mundo falavam a língua portuguesa. E que, no futuro, esse número subiria para 400 milhões (sendo que a maioria delas viverá na África subsariana).

Salientou, ainda, que a língua portuguesa era já a mais falada no hemisfério Sul do planeta.

Se é certo que a dimensão demográfica é, de longe, a componente mais importante para se poder perspectivar este aumento, não devem merecer menos atenção os milhares de pessoas que aprendem a língua portuguesa no Senegal, na China, na Namíbia, por exemplo.

Tendo assimilado estes números, devo dizer que foi ainda com mais dificuldade que “digeri”, dias depois, o que li na capa de um jornal português (o Jornal de Notícias, por sinal): «Meio milhão não sabe ler nem escrever».

Não tanto por pessoas mais velhas (com mais de 65 anos de idade) não conseguirem fazê-lo (por diversas razões ligadas, sobretudo, ao contexto social, económico e cultural imposto pelo regime político que vigorou em Portugal até ao dia 25 de Abril de 1974), mas, sim, por pessoas muito mais novas, por assim dizer, não estarem aptas para compreender a língua: «Em Portugal, 130 mil iletrados têm menos de 65 anos», escreveu então o jornal.

Ou seja, é evidente que é, para mim, cidadão português, um motivo de orgulho eu saber que a língua em que me exprimo e em que comunico será falada, num futuro mais ou menos distante, por quase meio bilião de pessoas em todo o mundo. No entanto, é-me, ao mesmo tempo, muito difícil compreender por que razão existem, no meu próprio país, em 2017 – e que integra a União Europeia juntamente com alguns dos países mais dinâmicos e prósperos do mundo –, milhares e milhares de pessoas que, por uma razão ou por outra, não puderam frequentar, de forma “completa”, pelo menos, o sistema de ensino português.

E também me preocupa o facto de, perante este cenário, o governo português não possuir qualquer «estratégia de combate», como o mesmo jornal sublinhou.

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