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05
Set17

A mediatização do terrorismo

Ricardo Jorge Pereira

Não creio estar a dar qualquer novidade se disser que os dirigentes do Estado Islâmico utilizam uma ‘agência noticiosa’ própria – a Amaq – para difundirem a sua propaganda e as suas mensagens (e vídeos) de ódio e de morte bem como um conjunto de outros meios digitais para o mesmo fim: o Caliphate Cyber Army, o United Cyber Caliphate e o IS Hacking Division.

Mas não é só neste ‘mundo’ mediático circunscrito que a organização e os seus actos se movem.

A capa do jornal I do passado dia 22 de Agosto de 2017 destacava uma declaração de Margaret Thatcher enquanto primeira-ministra britânica: «Temos de encontrar formas de privar os terroristas e sequestradores do oxigénio da publicidade de que dependem».

De facto, escreveu, muito depois de proferida esta frase, o jornalista e autor José Jorge Letria no seu “O terrorismo e os “media”: o tempo de antena do terror e outras reflexões.(publicado em 2001) que a «cobertura dos “media” é o objectivo estratégico do terrorismo. Quanto maior for a devastação e o seu impacto mediático, maior será o êxito da operação» e que o «terrorismo precisa da cobertura mediática para atingir os seus objectivos políticos, e os “media” precisam da dimensão trágica, da imprevisibilidade e da violência discricionária dos actos terroristas para manterem o interesse do cidadão consumidor de informação, dele dependendo audiências e tiragens».

Ora, o filósofo Gaspard Koenig, no texto Et si on arrêtait de transformer les terroristes en stars? publicado, online, pelo jornal francês Le Figaro no final de Abril de 2016, propunha parar de glorificar os terroristas condenando-os, por isso, ao anonimato.

O que fazer então no ‘tratamento’ mediático a dar a eventos terroristas?

Não sei.

Se acho, por um lado, que o facto de a “comunicação social” incidir a sua atenção sobre os ataques terroristas pode fazer com que o “público” acabe por entender melhor as razões (ideológicas, por exemplo) que levaram a que esses atentados tivessem sido cometidos, reconheço, por outro, que essa atenção pode, também, originar em potenciais agentes terroristas um desejo de terem ‘publicidade’.

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