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20
Dez17

A nossa Coreia

Ricardo Jorge Pereira

Foi no passado mês de Outubro no Museu do Oriente, em Lisboa, que ouvi, pela primeira vez, falar da primazia do “nós” sobre o “eu” (e seus derivados como “nosso” ou “meu”, por exemplo) num país: a Coreia do Sul.

Numa palestra intitulada “A minha Coreia” que o embaixador do país em Portugal – Chul Min Park – apresentou.

«O nosso mundo», «o nosso país», «a nossa casa», «o/a nosso/a filho/a», «o nosso marido», «a nossa mulher»…

Lembrei-me, então, de me ter sido ‘sugerido’, na faculdade onde estudei, quando me preparava para escrever a tese de final de curso, a utilização da 1.ª pessoa do plural em vez da 1.ª pessoa do singular na construção frásica (verbal e não só).

Ou seja, uma ‘utilização’ académica e pontual.

Ora, tendo sido criado numa cultura ocidental, se se quiser chamar-lhe assim, em que o individualismo foi – e é – a referência primordial, é-me algo difícil compreender os fundamentos que levaram à “instalação” desse modo de ser e de estar que privilegia o igualitarismo e o sentido de comunidade (que passa, também, pela linguagem adoptada) .

Uma espécie de colectivismo cultural, pois.

Uma solução para contrariar essa incompreensão?

Tentar, primeiramente, “libertar-se” das barreiras impostas travando um diálogo com autores de outros tempos, de outros lugares e de outros domínios disciplinares.

 

 

 

 

Post scriptum: No entanto, o texto (ou melhor, o artigo) que o jornal South China Morning Post publicou, online, no dia 10 do corrente mês – “Is South Korea ready to take on racism? First, it must admit it exists” – revelou dois aspectos que me parecem essenciais para melhor se perceber esse colectivismo cultural: o primeiro foi o facto de a Coreia do Sul ser um dos países etnicamente mais homogéneos do mundo e o segundo o ‘resultado’ de um estudo levado a efeito em 2015 por um instituto sul-coreano que descobriu que 94.5% dos cidadãos estrangeiros residentes (suponho que residentes) em Seul tinha já sido “alvo” de algum tipo de descriminação (racial, por exemplo).

Creio que a cultura de um povo, como tudo na vida, pode ter o “reverso da medalha”, certo?

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