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12
Jul17

A nova Rota da Seda

Ricardo Jorge Pereira

A expressão “Rota da Seda” foi inventada pelo cientista e geógrafo alemão do século XIX Ferdinand von Richthofen.

Mas o que foi a “Rota da Seda”?

Peço, mais uma vez, ajuda a um artigo do portal Infopédia acerca da Rota da Seda: «A via comercial terrestre que ligava a China ao Mar Mediterrâneo, conhecida como Rota da Seda, foi muito utilizada desde os primeiros séculos da nossa era até ao início da Idade Moderna. (…) As caravanas que percorriam a rota da seda partiam de Antioquia [hoje, no Sul da Turquia] e Tiro [actualmente, no Libano] , chegando, através da Mesopotâmia [hoje, a região do Próximo Oriente], ao Irão, Jurasão [desconheço a actual localização], Turquemenistão e Bactros [da Bactria, região actualmente “dividida” entre o Afeganistão, o Tadjiquistão e o Uzbequistão] , a partir de onde se dirigiam para Samarcanda [hoje, também no Uzbequistão] e para a cidade chinesa de Kashgar. (…) A Rota da Seda acabou por perder a sua importância devido à descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama em 1498».

De facto, muitos séculos passaram até que, em 2013, o presidente chinês Xi Jinping anunciou ao mundo o “lançamento” de um novo programa que reavivaria as antigas rotas comerciais entre a China, o resto da Ásia, o continente africano e a Europa. E que incluiria, igualmente, outras regiões (como a América do Sul, por exemplo…).

Um programa que, de resto, seria considerado por muitos como a maior “obra” da diplomacia económica da China e o maior empreendimento de alcance transcontinental alguma vez “lançado”.

A “Iniciativa Faixa e Caminho” («Belt and Road Initiative», na língua inglesa) inseria-se, pois, numa estratégia de expansão global da China: foram, entretanto, assinados acordos entre a China e 65 países (e, também, 3 organizações internacionais) para criar e desenvolver um conjunto de infra-estruturas que lhe possam conferir significado.

Ou seja, uma “rede” de “corredores” e de “estradas” - no fundo, zonas de investimento -, que “ligassem”, economicamente sobretudo, todo o mundo: um projecto terrestre (a denominada Silk Road Economic Belt) e, simultaneamente, marítimo (a Maritime Silk Road).

Influenciando cerca de 4.4 mil milhões de pessoas.

Foi em meados de Maio deste ano (de 2017) que vários chefes de Estado e de governo (da Rússia, de Itália, da República Checa, de Espanha, do Paquistão e de diversos países de África, por exemplo) se reuniram em Pequim para discutir esta ambiciosa iniciativa chinesa.

No entanto, em tal encontro não marcaram presença líderes de “grandes potências Ocidentais” como dos Estados Unidos da América ou da Alemanha.

A razão?

Cepticismo e alguma (ou muita?) desconfiança por parte desses líderes do que consideram as verdadeiras intenções da China ao “lançar” este programa: por exemplo, as instâncias europeias têm estado a investigar um projecto de ligação ferroviária entre Budapeste (a capital húngara) e Belgrado (a capital sérvia) porque poderá estar, alegam, a infringir directivas europeias; já o director do Mercator Institute for China Studies, Jan Gaspers, em declarações reproduzidas pela edição online do jornal de Hong Kong South China Morning Post no dia 20 de Junho de 2017 afirmou que o projecto “Faixa e Caminho” constituía, tão-somente, um “veículo” para transportar o excesso de produção chinesa…

Parece que ainda falta mais diálogo para que a grande alavanca da economia global durante a próxima década possa avançar.

 

O caso português

 

Para Jonathan Hillman (do norte-americano Center for Strategic and International Studies), outro dos académicos que o referido artigo publicado pelo South China Morning Post citou, o projecto chinês “Uma Faixa, Um Caminho” só teria sucesso se tivesse apoio por parte dos cidadãos dos países abrangidos.

De facto, um dos participantes na conferência «China Europe in the Framework of the One Belt, One Road Initiative» que se realizou nas instalações do Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa, em meados do mês de Junho de 2017, o macaense Jorge Rangel, frisou que o projecto “Uma Faixa, Um Caminho” não poderá deixar de “ouvir” as respectivas sociedades civis dos vários países se quiser ser bem sucedido.

No entanto – e que eu me tenha apercebido, claro –, têm sido (muito) poucos os contributos vindos de universidades e de centros de investigação que pudessem ajudar o conjunto da sociedade civil em Portugal (em que me incluo) a pensar um projecto que as entidades governamentais desejam que “passe” por Portugal.

Estou, neste sentido, a lembrar-me de um texto escrito pelo embaixador de Portugal na República Popular da China, Jorge Torres Pereira, «PORTUGAL e a CHINA: Importância crescente do relacionamento bilateral» (que a edição n.º 95 de Fevereiro de 2017 da revista digital Portugal Global publicou).

Ora, nele escreveu, também, que «O Governo português atribui assim a maior importância ao Fórum de Macau, traduzida aliás no alto nível político da nossa representação nas Conferências Ministeriais, e temos dado pleno apoio à dinâmica de expansão e inovação expressa no Plano de Actividades aprovado, com particular destaque para a integração da dimensão “Uma Faixa, Uma Rota” [ou “Uma Faixa, Um Caminho”], a qual Portugal tem vindo a acompanhar com particular interesse, designadamente em virtude da componente atlântica da “rota marítima da seda do séc. XXI».

Perguntei-lhe, assim, quais as acções do Governo de Portugal que têm materializado, por assim dizer, esse «particular interesse» no projecto “Uma Faixa, Um Caminho” .

Continuo, mais de um mês depois de colocada a questão, a aguardar uma resposta.

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