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02
Out17

As independências que pairam no ar

Ricardo Jorge Pereira

Regresso ao tema das secessões e das independências que lhes estão associadas.

Cinco décadas após a declaração da independência do Biafra (em Maio de 1967), na região sudeste da Nigéria, e depois de várias ‘peripécias’ que incluíram uma guerra civil e uma situação de fome, muitos continuam a querer torná-la independente e, assim, dar mais um Estado a África.

Também nos Camarões, país da África Ocidental, alguns ‘dirigentes’ étnicos da região sudoeste, anglófona, sobretudo, tinham já anunciado que declarariam ontem, 1 de Outubro, a independência.

Noutro ponto do globo: no passado dia 25 de Setembro, o chamado Curdistão iraquiano aprovou, via referendo, a sua independência face ao Iraque. De facto, de todas as pessoas que participaram no referendo – e foram cerca de 70% –, pouco mais de 92% disseram «sim» à separação do território do Estado iraquiano.

Mas o caso mais ‘badalado’ nos media tem sido mesmo o da Catalunha: depois de vários dias a dizer que uma consulta popular na Catalunha que incidisse na independência seria inconstitucional, política e juridicamente, o governo espanhol enviou mais de seis milhares de agentes das forças de segurança para impedir que essa mesma votação ocorresse. Acabariam, no entanto, por não o conseguir.

Na verdade, não só não o conseguiram como aqueles que defendiam a independência imediata da Catalunha venceram.

Ou seja, tudo exemplos de povos que estão a preparar a sua independência.

Existem, todavia, dois pontos que gostaria de desenvolver: o primeiro é de que todas estas movimentações secessionistas me parecem capazes de alterar, de forma significativa, as configurações geopolíticas das regiões em que se inserem e, assim, modificar a chamada correlação de forças.

O segundo ponto tem, para mim, uma importância extraordinária.

Que é esta: todas as situações de independências que citei se devem a uma incompreensão do Estado central perante as especificidades linguísticas, religiosas e, enfim, culturais (ou étnicas) dessas regiões.

Por isso, em minha opinião, a solução é o diálogo e não a violência.

Seja como for, muitos estão à ‘espreita’: os berberes do Norte de África (os amazighs), os sarauís, os corsos, os flamengos, os húngaros que vivem na Roménia, os do Norte de Itália, ...

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