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13
Jun17

Do campo para a cidade

Ricardo Jorge Pereira

O programa Fronteiras XXI que a RTP, há dias, transmitiu foi dedicado ao tema “do campo para as cidades”.

O jornalista responsável pela “condução” do programa deu, quase no início do mesmo (que serviriam, pois, como “fio condutor” do debate que se seguiria), um par de informações: a de que, todas as semanas, no mundo, 3 milhões de pessoas abandonavam as suas terras nos campos em direcção às cidades e a de que, em Portugal, segundo um estudo recente, 80% da população viveria, até 2040, na faixa costeira, junto às grandes cidades.

O debate que se seguiu acabaria por me suscitar uma observação.

Uma observação contendo três dimensões de análise.

A primeira é a de que considero que o debate foi uma primeira parte, se se quiser dizer assim, de um debate mais alargado que terá que, necessariamente, envolver toda a sociedade portuguesa, mais cedo ou mais tarde.

A segunda decorre, em certa medida, da primeira. É certo que o referido debate televisivo nunca poderia, evidentemente, congregar todos especialistas na matéria e pessoas em geral.

No entanto, penso que teria sido muito importante abordar matérias como a identidade porque a migração dos campos para as cidades implicará, sempre, uma mudança nas sociedades de origem e de destino dos migrantes (por exemplo, o sociólogo alemão Georg Simmel estudou no século XIX acerca das consequências sociais – e psicológicas, também – das migrações dos campos para as cidades) e como a demografia já que todos os estudos e projecções feitos indicam que a realidade (que hoje se verifica já…) de envelhecimento e desaparecimento de inúmeros “segmentos” da população que vive em Portugal irá consolidar-se e agravar-se e originar, pois, a desertificação humana de diversos territórios portugueses e os consequentes abandono dos solos e sua erosão e degradação.

Sendo dois aspectos incontornáveis, em minha opinião, claro, de qualquer discussão sobre a fuga das populações dos campos para as cidades, lamento que não tenham sido, sequer, “aflorados”.

A terceira é para constatar – e, infelizmente, concordar – com uma das declarações da Sra. Ana Paula Rafael: «o país não tem uma estratégia».

Ora, qualifico essa ausência de estratégia como “extremamente grave”.

Perante esta falha importantíssima, arriscamo-nos a que palavras como aquelas que foram proferidas pelo presidente da República nas cerimónias do passado dia 10 de Junho de 2017, o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, («10 de Junho. Dia de Portugal. De um Portugal que sabemos ser passado mas que queremos futuro, independente e livre. Independente do atraso, da ignorância, da pobreza, da injustiça, da dívida, da sujeição») venham a ser, apenas, isso mesmo.

Palavras.

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