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13
Jul17

Índia, França e o acordo de Paris

Ricardo Jorge Pereira

Foi publicado, há poucos meses (em Maio de 2017), um artigo – “India reaffirms Paris climate commitments” – no sítio de uma organização não-governamental a propósito do comprometimento indiano com os postulados estabelecidos, em Dezembro de 2015, num acordo global sobre o clima assinado na capital francesa, Paris.

Renovados votos de envolvimento no acordo apesar de um dos seus signatários e maiores poluidores do planeta, os Estados Unidos da América, ter decidido abandonar tal vinculação ecológica, por assim dizer.

Recorde-se que, de acordo com a Organização das Nações Unidas, a Índia é um país em desenvolvimento (economicamente).

No entanto, algum tempo depois (no passado dia 10 de Julho do mesmo ano), o portal de noticias Asia Times publicou, também no formato online, o artigo “India speeding toward nuclear energy self-sufficiency”.

Nele dizia-se, por exemplo, que «o governo de Narendra Modi [primeiro-ministro indiano] comprometeu-se, de maneira séria, com a energia nuclear tendo aprovado planos para a construção de 10 novos reactores atómicos capazes de elevar a capacidade nuclear da Índia para 63.000 megawatts até 2032».

De facto, após me ter lembrado do que havia lido há uns meses, questionei-me como se poderia apoiar as premissas de um acordo internacional sobre o clima e, ao mesmo tempo, “em casa”, apoiar a energia obtida através do regime nuclear.

Não que a energia obtida através de reactores nucleares não seja “limpa” e polua o ambiente através do consumo de carvão ou de petróleo.

Não.

Ela deixa, sim, para sempre (tendo em conta a esperança de vida dos seres humanos, actual e futuramente), um rasto de lixo tóxico que não pode ser “tratado” e, por isso mesmo, esquecido.

Curiosamente, no mesmo dia em que foi dada a conhecer esta vontade indiana, actores políticos em França deram a conhecer a sua vontade de encerrar alguns reactores nucleares no país.

Poderiam ser 17 (de um total de 58) até 2025, disse o ministro francês da Transição Ecológica, Nicolas Hulot.

Ou seja, não apenas se pretenderia reduzir o ‘peso’ do nuclear na obtenção de energia por parte do país como se quereria, certamente, ‘compensar’ essa perda de energia com uma maior produção energética através de centrais eólicas e solares.

Assim, dois subscritores de um só acordo global sobre o clima mas, afinal, duas vontades.

Não percebo.

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