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12
Jun17

O Acordo Ortográfico de 1990

Ricardo Jorge Pereira

«O Acordo Ortográfico [de 1990] é uma imposição sem sentido, uma vez que não atinge o suposto objetivo: uniformizar a grafia do português europeu/brasileiro/africano, etc. Obedeço ao acordo como quem obedece às leis fiscais».

Foram estas as palavras utilizadas por uma professora de português em Portugal para descrever o Acordo Ortográfico de 1990 (e a proposta de resolução que, na Assembleia da República, o aprovou data do início de Junho de 1991. Apesar disso, alguns insistem em apelidá-lo de “Novo Acordo Ortográfico”…).

Invoco, também, as palavras do jornalista Nuno Pacheco no 3.º Fórum Pela Língua Portuguesa, diga NÃO ao “Acordo Ortográfico" de 1990!” que decorreu, no início de Maio de 2017, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa: o Acordo Ortográfico de 1990 ficou a dever-se, em grande medida, ao facto de haver o receio, entre a classe política portuguesa, de que o Brasil decretasse, unilateralmente, o brasileiro dando, desse modo, um golpe fatal ao português que se falava no Brasil (ao «português adocicado» de que falava, muito recentemente, um jornalista português a propósito de um concerto do cantor brasileiro Roberto Carlos em Lisboa).

Na verdade, disse, «ninguém precisava deste acordo. Foi um acordo político».

Havia, por isso, era que aceitar a variedade da língua portuguesa já que as línguas mais faladas no mundo tinham tantas variantes ortográficas quanto maior fosse a dimensão geográfica do(s) país(es) que as utilizava(m).

O historiador José Pacheco Pereira, por seu lado, frisou que o referido Acordo Ortográfico nada teve a ver, e nada tem hoje a ver, com princípios científicos: foi e «é um acto de política!».

Assim, o desenho de tal acordo foi um «desastre» da política diplomática portuguesa sendo que a inércia é a única razão que justifica o facto de o mesmo se manter, actualmente, “vivo”.

No entanto, este acordo significou – e significa – uma outra coisa: «a ascensão da nova ignorância».

Ou seja, especificou, o desprezo pelas humanidades e o desprezo pelo conhecimento.

No fundo, o desprezo pela cultura.

A mesma cultura a que o actual presidente da República Portuguesa se referiu quando, em Abril de 2017, condecorou o músico Tito Paris: «para mostrar que mais do que a política, mais do que os negócios, mais do que a economia, mais do que as finanças, é a cultura o que importa… Está no começo e no fim de tudo»).

Concordo, totalmente, com a análise que os oradores aqui trazidos fizeram.

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