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21
Set17

O Algarve e o turismo

Ricardo Jorge Pereira

Pretendo, hoje, voltar a falar do turismo.

Mas decidi focar a minha atenção no Algarve.

De facto, participou, em 1991, numa conferência organizada pela Associação Portuguesa de Geógrafos, então o secretário de Estado do turismo, Licínio Cunha (também já mencionado num texto que publiquei no blogue).

Lembrou, no discurso proferido – que li na obra “Conferência sobre as Potencialidades e Problemas do Litoral Português” (publicada no ano já referido) –, a região meridional de Portugal continental: «Após a década de sessenta iniciou-se um novo período, de acelerado crescimento em que a oferta e procura se concentram no litoral, em particular, no Algarve, que surge como o centro polarizador do desenvolvimento turístico, a tal ponto que o Algarve passou a ser sinónimo do turismo português, quer do ponto de vista interno, quer do ponto de vista internacional».

Assim, prosseguiu, «Foi a época conhecida pelo turismo dos três s: sun, sand, sea, que esteve na origem dos grandes fluxos turísticos do Norte da Europa para o Sul e que ainda hoje representam a principal componente da procura turística internacional».

Referiu, também (estaria a pensar, de forma exclusiva, no exemplo da região algarvia?) que «Partiu-se de um princípio: bastaria ter uma praia acolhedora, com areia fina, um clima ameno e construir alojamentos, para os turistas aparecerem»...1

No entanto, não foram poucos, a partir de certa altura, a alertar para alguns aspectos menos positivos dessa vivência turística.

Recordo, pois, dois exemplos cujas análises se encontram separadas por alguns anos: o Prof. José Hermano Saraiva (num programa televisivo, exibido em 2007, da série “A alma e a gente” que teve por título Um Algarve interior) alertou para a «dependência completa do turismo» da região enquanto que o historiador de arte e docente Francisco Lameira (também num programa televisivo, emitido em 2016, da série “Visita guiada” dedicada ao mercado da cidade de Olhão) sublinhou que «o Algarve, a partir da década de sessenta, foi invadido por uma nova filosofia ligada ao turismo e as terras (…) acabaram por se descaracterizar bastante».

Dependência e descaracterização.

 

 

1  «Já foi o sol e praia, agora é o vinho o maior potencial turístico de Portugal. A revelação foi feita, há dois anos, por um estudo realizado pelo Instituto de Turismo: 37% dos operadores estrangeiros que foram questionados afirmaram ser o vinho o melhor argumento de promoção de Portugal no estrangeiro. Dados reconfirmados, no ano passado, por outro estudo da OMT [a Organização Mundial de Turismo]».

Foram estas as palavras proferidas pela jornalista da rádio pública Antena 1, no programa Portugal em Direto, emitido no início de Abril de 2016, como introdução da entrevista ao secretário-geral da Associação de Municípios Portugueses do Vinho, José Arruda.

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