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03
Out17

O Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores

Ricardo Jorge Pereira

O arquipélago dos Açores, situado a cerca de 1600 quilómetros do continente português, é uma das sete regiões ultraperiféricas da União Europeia1.

Um funcionário da Direção Regional de Turismo do arquipélago açoriano explicou-me, há alguns meses, que «Todos os conceitos apresentados ao longo do PEMTA [Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores] são aqueles definidos ou adotados pela Organização Mundial do Turismo, sendo que o sentido e abrangência do conceito de segurança que se refere ao longo do documento é o plasmado no documento central sobre este tema (tourism safety and security), publicado por esta agência especializada das Nações Unidas e que passamos a apresentar: UNWTO (1996). Tourist Safety and Security: Practical Measures for Destinations (English version). Madrid, eISBN: 978-92-844-0152-9».

Esclareceu, ainda, que, «Quanto à referencia a ‘atentados’ ou ‘terrorismo’, o PEMTA não é um manual de gestão de crises ou de segurança, pelo que não se verificou a necessidade de tratar estes temas em particular».

Ora, parece-me que o facto de um Plano Estratégico e de Marketing do Turismo de uma região que, nos últimos anos, tem apostado fortemente no turismo, se basear num documento com mais de vinte anos de ‘idade’ para ‘beber’ ideias e conceitos sobre um tema – a segurança – que muda quase de um dia para o outro, por assim dizer, não é uma atitude correcta.

O que tem mudado não tem sido o “conceito” segurança.

Claro que não.

O que tem mudado é o contexto dos desafios que envolvem essa mesma segurança como o terrorismo e a amplamente designada criminalidade organizada, por exemplo.

Quero concluir dizendo o seguinte: apesar de a cidade de Ponta Delgada, localizada na ilha açoriana de São Miguel, ser, durante esta primeira quinzena do mês de Outubro de 2017, a anfitriã do congresso anual de mais de meio milhar de profissionais de turismo do Reino Unido, tenho a certeza de que a ‘promoção’ dos Açores aos seus potenciais clientes não será «visite a terra mais segura do mundo!»...

 

 

1 Uma das razões por que uma região é considerada ultraperiférica tem a ver com a sua dependência económica de uma pequena quantidade de produtos. De facto, Maria Gilda de Andrade Fernandes Dantas, no seu trabalho de doutoramento “Rede Urbana e Desenvolvimento na Região Autónoma da Madeira” (de 2012), referindo-se, também, aos arquipélagos da Madeira e dos Açores, observou que «o turismo, para muitos destinos, é um dos poucos caminhos possíveis para o desenvolvimento».

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