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28
Set17

Os muçulmanos na Europa

Ricardo Jorge Pereira

A Agência da União Europeia para os Direitos Fundamentais (FRA, na sigla inglesa) deu, há poucos dias, no seu sítio, conta do seguinte:

«De acordo com um estudo de grande dimensão que a FRA liderou, a grande maioria dos muçulmanos que vive na Europa sente uma grande confiança nas instituições democráticas apesar de sentir uma generalização da discriminação».

«Os resultados obtidos contestam, de forma clara, a assumpção de que os muçulmanos não estão integrados nas nossas sociedades», concluiu o director da agência Michael O’Flaherty.

De facto, 76% dos muçulmanos inquiridos revelou ter “ligação” ao país em que vivia.

Quero, no entanto, tecer algumas considerações sobre este estudo.

1) Este «estudo de grande dimensão» inquiriu 10.527 pessoas que se identificaram como muçulmanas em quinze Estados-membros da União Europeia (Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Itália, Malta, Países Baixos, Reino Unido, Eslovénia e Suécia). Assim, tendo participado pouco mais de dez mil e quinhentas pessoas num ‘universo’ de vários milhões de cidadãos de fé muçulmana que estão, actualmente, a viver no espaço da União Europeia (na Alemanha vivem perto de 3 milhões de cidadãos turcos e em França viviam, até há pouco tempo, cerca de 5 milhões de muçulmanos), não me parece razoável descrevê-lo como um «estudo de grande dimensão» nem, claro, fazer generalizações e tirar conclusões mais abrangentes.

2) Partindo do princípio que a discriminação referida não é “positiva” pergunto: como é possível alguém sentir-se integrado numa dada sociedade se se considera alvo de “dedos apontados”?

Ora, creio que é justo pensar que o líder dos muçulmanos em Portugal, por assim dizer – sheik Munir, o imã da mesquita de Lisboa – saberia do que falava quando, aos microfones da rádio TSF, por ocasião das celebrações do dia nacional de França (14 de Julho), disse ainda notar um afastamento identitário dos muçulmanos que viviam na Europa para com essa mesma Europa.

«Ainda noto que há um défice de identidade nacional, percebe?, desde França, Bélgica, Bruxelas… Há muçulmanos que, para eles, a Europa não é a pátria deles. Dá-nos a entender que, nascendo na Europa, vivendo na Europa, trabalhando na Europa, mas há sempre um desligar (podemos dizer assim) com a Europa. Isto é que é um trabalho muito interno, tem que haver muito diálogo entre as comunidades, entre os muçulmanos que vivem na Europa para ultrapassarmos este défice».

Já em Portugal, considera, este ‘fosso’ não existe.

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