Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

uso externo

uso externo

27
Set17

Pavilhões e salas de aulas

Ricardo Jorge Pereira

O jornal Diário de Notícias publicou ontem, online, o seguinte:

«O desenvolvimento do ensino da língua portuguesa, nos níveis básico e secundário, no interior da China é o objetivo de um protocolo assinado entre o Instituto Politécnico de Macau e a Fundação Escola Portuguesa de Macau, foi anunciado».

Que magnífica notícia”, pensei.

No entanto, perguntei, há dias – por mero acaso, diga-se – a uma funcionária de uma consultora que assessora a Feira Internacional do Livro de Pequim, a Singing Grass, sobre a participação de ‘representantes’ portugueses nessa mesma feira internacional.

«Não existiu, até ao momento, qualquer stand português», garantiu.

Note-se que a feira existe desde 1986 e que se realizou em Agosto passado mais uma edição…

Ora, creio que seria tão importante aprender-se a língua portuguesa em salas de aulas como tomar-se conhecimento com autores que escreveram e escrevem nessa língua.

José Maria Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, José Cardoso Pires ou José Saramago, por exemplo.

Lembrei-me, por isso, das ordens que o rei D. Manuel I deu a Diogo Lopes de Sequeira de qual deveria ser o seu procedimento depois da descoberta portuguesa de Malaca:

«Perguntareis pelos chins, e de que partes vêm, e de quão longe, e de quanto em quanto vêm a Malaca, ou aos lugares em que tratam, e as mercadorias que trazem, e quantas naus deles vêm cada ano, e pelas feições de suas naus, e se tornam no ano em que vêm, e se têm feitores ou casas em Malaca, ou em outra alguma terra, e se são mercadores ricos, e se são homens fracos, se guerreiros, e se têm armas ou artilharia, e que vestidos trazem, e se são grandes homens de corpos, e toda a outra informação deles, e se são cristãos, se gentios, ou se é grande terra a sua, e se têm mais de um rei entre eles, e se vivem entre eles mouros ou outra alguma gente que não viva na sua lei ou crença, e se não são cristãos, em que crêem, ou a que adoram, e que costumes guardam, e para que parte se estende a sua terra, e com quem confinam».

Numa palavra: tudo.

Acredito que também há muito tempo que a língua portuguesa deveria ter começado a ‘dar-se a conhecer’ aos descendentes desses «chins».

E a outros, claro.

Mas, segundo dizem por aí, nunca é tarde.

2 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Favoritos

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D