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20
Set17

Paz e fogo

Ricardo Jorge Pereira

«Quem começa por queimar livros, acaba por queimar homens».

Não sei se o poeta alemão do século XIX Heinrich Heine estava a pensar nalguma situação particular quando escreveu esta frase.

O que sei – ou melhor, penso saber – é que se assinalam hoje 477 anos daquele que foi o primeiro auto-de-fé em Portugal: foi, precisamente, no dia 20 de Setembro (outros dirão «26 de Setembro»… ) de 1540 que, na sequência de um processo religioso, foi queimada a primeira pessoa em Portugal.

Foi, por sinal, no largo do Rossio, em Lisboa, que essa sentença foi executada.

Com a ‘distancia’ proporcionada por quase cinco séculos, este acontecimento motiva-me a fazer o seguinte comentário em forma de pergunta: como foi possível que, ao mesmo tempo que milhares de portugueses “lidavam”, quotidianamente, com o exotismo proporcionado pelas suas viagens no Atlântico, no Índico e no Pacífico – ou seja, aquilo que o então presidente da República, Jorge Sampaio, lembrou no momento da inauguração da exposição mundial de Lisboa, a Expo’98, «Portugal fez do mar a via para se encontrar consigo, com os outros, com o Mundo» –, tivesse ‘nascido’ um mecanismo comandado pela Igreja Católica, a Inquisição, que explorou, da forma mais abjecta e primitiva que a imaginação poderia, certamente, permitir (através dos autos-de-fé, por exemplo) um dos piores sentimentos da espécie humana: a intolerância?

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