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21
Jun17

Portugal, Dinamarca e a 'operação' grindadráp...

Ricardo Jorge Pereira

Hoje, 21 de Junho de 2017, o Museu de Marinha, em Lisboa, acolheu a conferência “Rainhas, Pescas e Cruzadas. Portugal e Dinamarca desde os Vikings até à Era dos Descobrimentos”.

A realização desta conferência – a primeira que se debruçou sobre as relações luso-dinamarquesas anteriores ao século XVI – insere-se no âmbito de uma exposição temporária sobre o período Viking em Portugal (Vikings, os Guerreiros do Mar) que se encontra patente no referido espaço museológico e que foi inaugurada pelo presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa em Abril deste ano.

«Há mais de mil anos, povos vindos do Norte chegaram às margens de uma Europa que não estava preparada para os receber.

A capacidade de se deslocarem em rápidos e versáteis navios e a violência inesperada dos seus ataques constituíam as principais características destes “guerreiros do mar”», observa o Museu de Marinha.

Para além disso, sublinha também, a exposição conta com mais de 600 peças originais emprestadas pelo Museu Nacional da Dinamarca e «retrata a vida e o quotidiano dos Vikings, os quais foram presença constante em saques e pilhagens no litoral da Península Ibérica a partir do século IX».

No entanto, creio que um par de frases do escritor chileno Luis Sepúlveda pode ajudar-me a introduzir uma outra dimensão dessa identidade dinamarquesa.

«O passado vive sempre dentro de nós. O passado é uma parte de nós», disse numa entrevista.

Se, de facto, o país escandinavo tem sido considerado, desde há alguns anos, um dos mais pacíficos do mundo, a “filial” holandesa da organização que luta, mundialmente, pela preservação da vida marinha, Sea Shepherd, apresentou à Comissão Europeia, no início de Maio de 2017, um pedido para que esta adoptasse um conjunto de procedimentos contra a Dinamarca por facilitar e promover o massacre de centenas de baleias-piloto (e outros cetáceos) no território das ilhas Faroé: todos os anos, de Junho a Novembro, centenas de cetáceos eram encaminhados para as praias das ilhas Faroé através do movimento produzido por várias embarcações.

Uma vez aí, eram massacrados através da prática de grindadráp (prática extremamente violenta que, de resto, se pode pesquisar na plataforma YouTube…).

Uma das questões então levantadas foi esta: embora existisse, na verdade, uma directiva comunitária que proibia aos Estados membros todas as formas de captura e morte de cetáceos, as ilhas Faroé, território dependente da Dinamarca mas que era autónomo, estariam ou não isentas do cumprimento das leias europeias?

Seja como for, a participação activa das autoridades dinamarquesas no grindadráp daria, argumentava, uma resposta negativa a essa questão.

Numa petição, também “lançada” pela organização Sea Sheperd (que, por sinal, assinei já), escrevi o seguinte: «Não será, para a Europa do século XXI, uma vergonha permitir "tradições" como esta?».

Lembrando-me, por exemplo, das touradas, mantenho a pergunta...

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