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18
Jul17

Portugal: turismo e terrorismo

Ricardo Jorge Pereira

Falei, há dias, num post que escrevi aqui no blogue, do Estado Islâmico e do perigo que pairava sobre Portugal.

Lembrei-me, depois, de uma frase que, tendo sido proferida por um turista francês que se encontrava a passar férias no Algarve, li num artigo jornalístico: «Aqui, em Portugal, sinto-me mais seguro do que em Paris».

Bastará, aliás, fazer uma pequena pesquisa na Internet para se perceber que este sentimento de segurança tem feito parte de uma percepção de segurança da generalidade das pessoas que têm visitado Portugal.

O factor segurança tem, de resto, sido um dos pontos de que diversas instituições e indivíduos ligados ao sector do turismo em Portugal (e não só…) mais se têm “servido” para justificar a visita ao país de turistas estrangeiros.

Explico.

Como se fossem dizendo “Venham a Portugal. Nunca tivemos atentados terroristas como aqueles a que assistimos na Tunísia, na Turquia, no Reino Unido, em Marrocos, em França, no Egipto, na Alemanha, na ...”

É um facto.

Nunca Portugal teve que lidar com atentados de índole terrorista a não ser num período específico da história do país (as FP 25) e, por isso mesmo, com “actuações” muito restritas no espaço público.

Assim, a segurança tem sido um ponto privilegiado de promoção do país nos mercados internacionais para fins turísticos.

E parece que tem resultado: por exemplo, segundo dados revelados em meados de Fevereiro de 2017 pelo Instituto Nacional de Estatística, os estabelecimentos hoteleiros em Portugal registaram, no ano de 2016, mais de 19 milhões de hóspedes e 53.5 milhões de dormidas (sendo que o ‘mercado’ interno contribuiu com 15 milhões e os ‘mercados’ externos com 38 milhões).

Portugal é, actualmente, um dos 20 países mais visitados no mundo e cerca de 6% do seu Produto Interno Bruto deve-se à actividade turística.

No entanto, creio que aquela percepção de segurança no que ao terrorismo diz respeito não corresponde à realidade.

Por uma razão muito simples.

Uma nota de rodapé num canal televisivo anunciava, há meses, o seguinte: «Potenciais alvos terroristas em Portugal sem plano de segurança».

Baseada num título de um jornal publicado no país – no Diário de Notícias, se não estou em erro –, a notícia punha em causa a capacidade de algumas instituições nacionais, nos sectores público e privado, de lidarem com as consequências de um ataque terrorista ocorrido em contexto turístico já que nem sequer se haviam precavido com o “mínimo dos mínimos”, por assim dizer: a elaboração de um plano de segurança (e o seu “descendente” plano de emergência).

Assim, quando aproveitei para lhe perguntar se o facto de Portugal não ter registado, até ao momento, qualquer ataque terrorista no seu território não se teria ficado a dever, apenas, à sorte – e, acrescento, à importância geopolítica de Portugal… – e de que forma(s) reagiriam, no país, os sectores público e privado perante um ataque desse tipo, uma amiga conhecedora das influências profundas do terrorismo no turismo (e vice-versa) explicou-me que, por norma, «quando um destino é afectado por um ataque terrorista o efeito no turismo é negativo. Quando isto acontece, a estratégia mais comum por parte do sector público é deixar o assunto morrer para que possa ser esquecido pelos media e consequentemente pelos turistas. Assim nos meses subsequentes a um ataque deixa-se de mencionar o assunto. Quando o ataque está finalmente esquecido, o sector privado, neste caso a indústria turística, adopta campanhas de marketing bastante agressivas que passam por oferecer grandes descontos aos operadores turísticos e descida dos preços de acomodação. Penso que caso acontecesse um atentado em Portugal, esta seria a resposta por parte dos sectores público e privado».

Então: deixar esquecer o acontecimento e, em seguida, fazer campanhas maciças de marketing...

Tendo em conta o que, por exemplo, se passou no país nestas últimas semanas, acho que, se Portugal viesse a sofrer a investida de um atentado terrorista, acredito que nunca esta explicação poderia ser acusada de ser insensata.

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