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27
Jul17

"Progresso" ou cultura?

Ricardo Jorge Pereira

A Organização das Nações Unidas (a ONU) organizou, há pouco mais de três anos (no fim de Setembro de 2014) a Primeira Conferência Mundial sobre os Povos Indígenas.

Nesse âmbito, a Comissão Económica para a América Latina e Caraíbas (a CEPAL) – uma das cinco comissões regionais da ONU – revelou que a região contava, em 2010, cerca de 45 milhões de pessoas com origens étnicas índias das quais 17 milhões viviam no México e 7 milhões no Peru.

O Brasil era, de resto, o país com a maior “quantidade” de tribos (ou povos) indígenas: 305.

45 milhões de pessoas que correspondiam a 8.3% da população total.

E revelou mais: estas tinham conhecido, numa década, melhorias no que respeitava ao acesso a cuidados de saúde (reflectindo-se, por exemplo, na mortalidade de crianças com menos de cinco anos que “caiu”, entre os anos de 2000 e 2010, nos nove países com dados disponíveis: Bolívia, Brasil, Costa Rica, Equador, Guatemala, México, Panamá, Peru e Venezuela), ao ensino e à participação política.

O relatório organizado pela CEPAL reconheceu, no entanto, que muitos povos indígenas se encontravam em perigo de extinção física e/ou cultural.

Efectivamente, quem quer que, hoje, consulte a página da ‘versão’ brasileira da ONU na Internet, poderá ler o seguinte: «Dez anos após declaração internacional [a Declaração da Organização das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas], indígenas sofrem exclusão, desrespeito e assassinatos».

Ou seja, prossegue, «Segundo a relatora especial da ONU para os direitos dos povos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, a expansão das indústrias extrativistas, do agronegócio e dos ‘megaprojetos’ de desenvolvimento e infraestrutura que invadem as reservas ainda permanecem como as principais ameaças para a maioria dos povos indígenas».

Volto, assim, a falar no Brasil.

Imagine-se que as barragens hidroeléctricas que têm estado a ser construídas (e que irão, ao que tudo indica, continuar a ser construídas) na bacia hidrográfica do rio Amazonas são uma balança. Num prato estão o desenvolvimento e o progresso (o que são o desenvolvimento e o progresso?) e no outro estão as terras onde vivem esses povos indígenas – e onde, também, já viveram os seus antepassados – e que têm sido ‘invadidas’ pela água.

Qual prevalecerá?

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