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14
Fev18

Seguros e perigosos: decido eu

Ricardo Jorge Pereira

Apoio-me, mais uma vez, no que leio para escrever algumas reflexões e propostas de reflexões: um artigo publicado na edição impressa do jornal norte-americano The New York Times – “New advisories rank countries’ safety risks” – em 8 de Fevereiro passado.

Ora, este artigo afirma que «o Departamento de Estado norte-americano avaliou cada nação da Terra numa escala de 1 a 4» em relação a, por exemplo, terrorismo, catástrofes naturais ou criminalidade (em geral): Portugal, ao ‘lado’ de países como o Canadá, o Camboja e o Vietname, entre outros, ‘ocupa’ o nível 1, o mais baixo, pelo que é considerado um país ‘seguro’ (ao contrário de países como o Irão, a Líbia, a Síria ou a Somália, considerados os mais ‘perigosos’).

Não consigo, no entanto, ser tão afirmativo no que respeita à suposta segurança de Portugal e à perigosidade do Irão.

Quanto a Portugal, saliento o ‘capítulo’ Terrorismo.

Anunciou o órgão informativo Euronews a propósito de uma reportagem disponibilizada numa plataforma online em fins de Março de 2016 – “Terrorismo atinge turismo no centro da Europa: Portugal sai a ganhar”.

A ganhar?

Sim. Na medida em que a vaga de ataques terroristas que tinha vindo a assolar alguns países na Europa e no Norte de África como que ajudaria a “desviar” o Turismo para um país europeu considerado seguro porque nunca havia sido alvo de grupos devotos e ‘actores’ do Terrorismo: Portugal.

O think tank do Turismo português concluiu mesmo sobre esse fluxo: «Ajuda Portugal aparecer num dos destinos mais seguros do mundo».

Mas o Relatório Anual de Segurança Interna 2015 (elaborado pelo Gabinete do Secretário-Geral do Sistema de Segurança Interna) observou que Portugal enfrentava um «conjunto de ameaças idênticas àquelas que impedem [impendem] sobre os países do espaço geoestratégico e político de que estamos mais próximos».

Ainda assim, na comunicação que apresentou no IV Encontro Nacional de Riscos que decorreu em Coimbra em Março de 2008, o director da Escola Superior de Saúde do Alcoitão e sociólogo António Amaro lançou uma pergunta: «Não tendo Portugal sido atingido, felizmente, por acidentes ou catástrofes do tipo Nova Iorque, Madrid e Londres, sem esquecer Bali, Rabat, Istambul ou Nova Orleães, é de perguntar até que ponto estaríamos preparados para responder com o mínimo de eficácia e prontidão a tais situações?». Invocou, então, a resposta dada pelo General José Eduardo Garcia Leandro no seu artigo “O Estado, o Cidadão e a Segurança. Novas soluções para um novo Paradigma”: «Segundo o General Garcia Leandro, “a resposta só pode ser um rotundo NÃO. É com vergonha que o reconheço».

De facto, anos mais tarde – em Abril de 2016 –, o artigo “Testing Europe: How terrorism could make or break the union”, publicado, online, e que abordou o fenómeno do Terrorismo em solo europeu, citou uma pessoa com uma outra perspectiva em relação à prevenção: Raffaello Pantucci, o director do think tank RUSI (Royal United Services Institute, o «mais antigo do mundo think tank independente dedicado a assuntos de defesa e segurança internacionais»). Perguntou este especialista: «Se você está num país como Portugal, estará a prioridade na prevenção do terrorismo?»…

Quanto à perigosidade do Irão: não posso esquecer-me de todos os relatos que tenho, ao longo de anos, vindo a ouvir e a ler (já que, infelizmente, nunca fui ao Irão) dando conta da extraordinária simpatia do povo iraniano (embora desconfie sempre da bondade das generalizações creio que é justo dizer aqui “a generalidade do povo iraniano”) e do sentimento de segurança sentido por turistas no país herdeiro do império persa.

Assim, tais exemplos acabam por revelar, em minha opinião, o cuidado que todos nós – leitores e ouvintes – devemos ter para não nos deixarmos ‘enganar’ por enviesamentos causados por preconceitos de índole ideológica e política, por exemplo.

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