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26
Jul17

Turismo: um caminho para o conhecimento

Ricardo Jorge Pereira

Volto a escrever sobre o turismo chinês em Portugal.

Escreveram A. Fyall e A. Leask no seu artigo Destination marketing: future issues – strategic challenges (publicado em 2006) que o destino turístico era um dos ‘produtos’ mais difíceis de gerir e de vender já que o ‘mercado’ onde se movimentava era ‘palco’ de um crescente nível de concorrência.

Ora, mais difícil de gerir e de vender se tornará se não existir uma estratégia ou uma visão a longo prazo, por assim dizer, que o sustente e que, desse modo, favoreça um posicionamento bem definido e bem delineado, quer internamente, quer na ‘frente’ externa.

Desde logo, porque – como observou o secretário de Estado do turismo, Licínio Cunha, no decurso do III Congresso Nacional de Turismo que se realizou em 1986 – o «turismo é uma das actividades mais expostas às mudanças e transformações da sociedade o que obriga a ter uma atenção particular às mudanças que se forem operando».

No entanto, o estudo O Turismo em 2004, organizado pela então Direcção Geral do Turismo, alertou para «uma forte dependência de cinco países europeus».

Já segundo a publicação Estatísticas do Turismo 2009, da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística (INE), «Mantendo a estrutura de anos anteriores, em 2009 o Reino Unido, a França, a Espanha e a Alemanha foram os principais mercados emissores de fluxos monetários turísticos para Portugal».

Em 2015 – como salientou o boletim Atividade Turística – Dezembro de 2015 (também compilado pelo INE) – os ‘mercados’ britânico, espanhol, alemão e francês continuaram, ainda, a ser os mais importantes para Portugal.

E, de facto, parece que, em 2016, tal ‘cenário’ se manteve pois o documento Estratégia para o Turismo 2027 (que pretenderia ser, precisamente, a referência estratégica para o turismo em Portugal para a década compreendida entre 2017 e 2027), divulgado em Maio de 2016, refere, como «principais mercados internacionais» o de Espanha, o do Reino Unido, o de França e o da Alemanha.

Ou seja, há muito tempo que os maiores contingentes de visitantes estrangeiros de Portugal têm origem em França, na Alemanha, no Reino Unido e em Espanha.

Recordei-me, assim, de ter lido uma entrevista concedida a uma jornalista do jornal Público (e que foi reproduzida no início de Outubro de 2016) por Dilip Rajakarier, presidente do grupo empresarial tailandês que comprou a cadeia de hotéis Tivoli. Sublinhou este que «hoje o país [Portugal] está focado em quatro ou cinco mercados-chave: Reino Unido, Alemanha, França, Espanha e Brasil. É preciso olhar um pouco mais além porque estes mercados podem desaparecer e se algo acontecer no Reino Unido ou em Espanha, estão demasiado expostos».

Ora, por exemplo, a obra Reinventando o turismo em Portugal. Estratégia de desenvolvimento turístico português no I quartel do século XXI, elaborada pela Confederação do Turismo Português, tinha já revelado (ou reiterado…), em 2005, que a «grande oportunidade global a médio prazo, relativamente aos mercados emergentes, deverá ser a China».

Também o título Portugal, destino turístico da população idosa europeia – publicado em 2006 e editado pelo próprio Turismo de Portugal – enunciou, num gráfico, a «projecção dos principais países emissores [de turistas] a nível mundial em 2020» destacando, de acordo com cálculos da Organização Mundial de Turismo, a posição da China com uma parcela, no ‘mercado’ turístico, de 6.4%.

Espero, por isso, que a ligação aérea directa entre Portugal e a China que hoje se inicia contribua para extinguir a subvalorização (desprezo?) com que o turismo com origem no Império do Meio foi, sempre, tratado por várias instâncias, públicas e privadas, em Portugal.

E que contribua para o conhecimento profundo entre dois povos que, em mais de 500 anos, apenas se contactaram de forma superficial...

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