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21
Jul17

Uma economia pouco humana

Ricardo Jorge Pereira

Num e-mail que, há dias, recebi da Fundação Francisco Manuel dos Santos a propósito do debate por ela organizado (“Encontros da Fundação”) subordinado ao tema Em que pé está a igualdade? Impactos, desafios e conflitos (a realizar no fim do mês de Setembro de 2017), dizia-se, por exemplo, que «Depois dos conflitos sociais e das revoluções que precederam o sufrágio universal, a igualdade perante a lei, os direitos humanos e a ascensão da classe média, neste século XXI o Ocidente é mais desigual do que há 30 anos».

No entanto, o que o relatório An Economy for the 99 percent que a organização não-governamental sediada no Reino Unido Oxfam apresentou no início deste ano de 2017 revelou foi que 8 homens (quase todos nacionais de países localizados no tal Ocidente desenvolvido...1) possuíam tanta riqueza como a detida por cerca de metade da humanidade, cerca de 3.7 biliões de seres humanos (praticamente todos nacionais de países menos desenvolvidos e em desenvolvimento…).

Disse, então, a directora executiva do “ramo” internacional da Oxfam, Winnie Byanyima, que «É obsceno o facto de tanta riqueza estar nas mãos de tão poucos quando 1 em cada 10 pessoas sobrevive com menos de $2 diários. A desigualdade está a aprisionar milhões de seres humanos na pobreza e isso continua a dividir as nossas sociedades e a minar a democracia. Em todo o mundo as pessoas estão a ser deixadas para trás».

Concordo, em absoluto, com estas palavras.

Mas, sirvo-me, também, do significado da palavra obsceno para caracterizar os comportamentos “económicos” de certos desportistas (e seus agentes) e gestores de empresas (alguns citados em documentos como os Panama Papers ou os Football Leaks, amplamente divulgados pelos media mas rapidamente – e estrategicamente – “esquecidos”).

 

1 Assim, o primeiro desta pequeníssima listagem foi Bill Gates, o fundador da empresa norte-americana Microsoft; no segundo “lugar” ficou Amancio Ortega, o fundador da empresa espanhola Inditex; o terceiro lugar foi ocupado por Warren Buffett, o dirigente e maior accionista da empresa norte-americana Berkshire Hathaway; em quarto ficou Carlos Slim Helu, o dono do grupo mexicano Carso; no quinto posto ficou Jeff Bezos, o fundador e dirigente da empresa norte-americana Amazon; em sexto lugar ficou Mark Zuckerberg, o co-fundador e dirigente da empresa norte-americana Facebook; no sétimo lugar ficou Larry Ellison, o co-fundador e dirigente da empresa norte-americana Oracle; e no oitavo (e último) lugar deste infame pódio ficou Michael Bloomberg, o fundador e dirigente da empresa norte-americana Blomberg LP.

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