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20
Ago18

Portugal a desistir de Portugal?

Ricardo Jorge Pereira

Um texto colocado, à dias, num blogue ‘alojado’ aqui no portal SAPO procurava reflectir sobre «o valor da leitura».

Aproprio-me, por isso, de uma frase proferida pela escritora francesa Marguerite Duras sobre a importância de se ler: «Creio que nada substitui a leitura de um texto, nada substitui a memória de um texto, nada, nenhum jogo».

E aproprio-me, também, de um texto de opinião assinado pelo antigo deputado socialista Manuel Alegre que foi impresso numa edição de fins de Julho passado do jornal Público com o título “O saneamento de Os Maias” com que estou inteiramente de acordo:

 

«Depois de ler o artigo de Carlos Reis sobre o “saneamento” de Os Maias, pergunto-me se Portugal não estará a desistir de si mesmo, da sua literatura, da sua língua, da sua Escola Pública?

Os mais pobres, aqueles cujos pais não têm biblioteca em casa, não vão ler Eça de Queiroz, nem Garrett, nem Camilo, nem, pelos vistos, Cesário Verde. Fica para os colégios privados, a quem parece estar a deixar-se a preparação das futuras elites. À Escola Pública restará a leitura rápida de textos fáceis e curtos, ao contrário de uma cultura de exigência sem a qual jamais poderá cumprir o seu papel de ser um factor de igualdade de oportunidade para todos. Mas, enfim, Os Maias, como as Viagens na Minha Terra e o Amor de Perdição colidem com o facilitismo, não há espaço nem tempo, não cabem num[a] SMS.

Desiste-se da Escola Pública.

Mas também do SNS, cada vez mais descaracterizado e reduzido a um serviço caritativo para pobres, enquanto florescem as mil flores dos hospitais privados para quem pode pagar. Como é que não se consegue travar a drenagem do SNS para o privado? Como é que se deixa degradar a TAP e os CTT a um ponto nunca visto? E como é que sectores estratégicos da economia continuam em mãos de empresas chinesas que são, como se sabe, instrumentos de um Estado que não é o nosso?

Vão com certeza chamar-me soberanista e um dia destes ainda vou ter de pedir desculpa por ser português, gostar do meu país, da sua língua (apesar do acordo ortográfico), dos seus Os Lusíadas e daqueles navegadores que segundo disse Amílcar Cabral, numa entrevista que lhe fiz para a Voz da Liberdade, “deram de facto novos mundos ao mundo e aproximaram povos e continentes”? Sim, eu sei que há limites para o voluntarismo e para uma “intervenção consciente num processo histórico inconsciente”. Mas também sei que foram a abdicação, o conformismo e o politicamente correcto que abriram caminho à vitória de Trump e de todos os populismos que estão a pôr em causa o que parecia definitivamente adquirido. Vejo a pavonearem-se por aí, em várias alas direitas, ex-esquerdistas que, no Verão Quente de 75, queriam substituir Camões pelos textos de dirigentes dos movimentos de libertação africanos.

Alguns de nós, que tínhamos estado presos e exilados por nos opormos à guerra e ao colonialismo, não nos calámos nem deixámos sanear Camões. Também hoje não sou capaz de me resignar perante esse atentado à cultura e à Escola Pública resultante da abdicação do Ministério da Educação que remete para as escolas a decisão de eventualmente passar Eça de Queiroz à clandestinidade.

Ao primeiro-ministro e ao Presidente da República cabe o cumprimento da Constituição no que respeita à defesa da língua e da Escola Pública. Gostava de saber o que pensam da retirada de Os Maias da “lista de obras e textos para a Educação Literária” no 11.º ano. Sei que há muitos números e contas a fazer até à aprovação do Orçamento de Estado. Mas gostem ou não, nada é tão prioritário como Eça de Queiroz e Os Maias.».

17
Ago18

A conquista feminina

Ricardo Jorge Pereira

Começo por citar Elisabete Jacinto, piloto de veículos pesados: «A mulher está numa fase de conquista».

Mas se em 2018 a mulher se encontra numa fase mais arrojada na conquista por um posicionamento social e económico (e, claro, profissional) que actualmente não tem, noutros tempos a conquista pela mulher tinha outros objectivos.

De facto, Antónia Rodrigues (que terá nascido por volta de 1580) decidiu, em certo momento da sua vida, disfarçar-se de homem e, assim, embarcar com militares portugueses para o Norte de África para combater os então designados infiéis (muçulmanos).

Depois de revelada a sua verdadeira identidade – feminina –, foi recompensada por Filipe II (III em Espanha) com uma tença por actos heroicos a favor de Portugal.

16
Ago18

Os planos quinzenais...

Ricardo Jorge Pereira

Não escondo que fiquei negativamente admirado quando ouvi, num documentário transmitido há dias num dos canais da televisão pública – paga por todos os consumidores de electricidade em Portugal (em que, feliz e infelizmente, me incluo) – a expressão «planos quinzenais» para se referir a uma ‘faceta’ da economia (e, enfim, da sociedade) da então União Soviética.

Ora, recordo-me de nos meus tempos de estudante no então designado “ensino secundário” me terem explicado o que eram os planos quinquenais.

Assim, planos quinzenais são planos feitos para duas semanas (isto é, 15 dias) e planos quinquenais são planos feitos para cinco anos (isto é, cerca de 1825 dias).

Creio, pois, que teria sido perfeitamente compreensível se a/o tradutora(r) de tal documentário (e até mesmo quem fez a locução portuguesa) tivesse colocado a ela/ele própria/o uma simples questão: será possível que uma verdadeira potência (neste caso, a União Soviética) planificasse a sua economia de quinze em quinze dias?

Penso sinceramente que a resposta só poderia ter sido não.

E, se assim tivesse, de facto, sido, não acho que a posterior consulta de alguns manuais de História ou, até, uma simples pesquisa na Internet tivesse sido em vão.

Mas tal não se passou assim.

Porquê?

14
Ago18

Mark Twain, Londres e a nota de um milhão de libras

Ricardo Jorge Pereira

Alguém disse um dia que quem chegasse ‘ao ponto’ de estar farto de Londres estava, também, farto de viver…

Não é o meu caso já que nunca estive em Londres.

Infelizmente.

No entanto, é precisamente na capital inglesa que decorre a estória escrita pelo autor norte-americano Mark Twain “The ₤ 1,000,000 Bank Note” que se tornou – reconheço – um dos meus escritos preferidos.

Assim, mesmo não sendo crítico literário, recomendo a sua leitura...

13
Ago18

Ricos acordos

Ricardo Jorge Pereira

Não foi há muito tempo que Jim Kim, o presidente do Banco Mundial, afirmou que «as alterações climáticas afectam todos sem excepção mas são os pobres quem mais sofre».

Creio ser precisamente esta – o facto de serem os seres humanos mais pobres quem mais está e continuará a sofrer com as alterações climáticas – uma das razões (ou mesmo a única razão) que melhor explica alguns factos de uma notícia que li há alguns meses (número de Maio/Junho) na por mim já aqui citada revista “Transportes em Revista” e que agora transcrevo.

 

«Foi alcançado um acordo a nível internacional para reduzir as emissões de dióxido de carbono no transporte marítimo em, pelo menos, 50% até 2050, anunciou a Organização Marítima Internacional (IMO). Essa foi a primeira vez que o setor no mar estabeleceu metas a longo prazo no combate às alterações climáticas. A IMO não mencionou quais os países-membros que rejeitaram o acordo, num universo composto por 173 Estados-membros. Todavia, os Estados Unidos da América e a Arábia Saudita foram vozes discordantes às anteriores versões e o Japão defendia esta diminuição de emissões em 50% mas a partir de 2060. Em contrapartida, a União Europeia e alguns países do Pacífico almejavam uma redução mais drástica – entre 70% e 100% das emissões de gases nocivos até 2050. Kitack Lim, secretário-geral da IMO, referiu que o presente acordo é a “base para ações futuras” e desafiou os Estados-membros a “continuarem os esforços” na luta contra o aquecimento global. Já o ministro britânico dos Transportes, Nusrat Ghani, aplaudiu o “momento decisivo”, desejando ver “navios com zero emissões o mais rápido possível” nos mares.».

10
Ago18

"Quando começo a cantar..."

Ricardo Jorge Pereira

O conteúdo de um texto publicado no ‘espaço’ de blogues do portal SAPO há poucos dias procurava responder à questão «Porque mentem os políticos sobre o seu percurso universitário?».

Reconheço que não sei responder embora possa admitir com alguma ‘propriedade’ que alguns textos que já aqui escrevi me tenham fornecido “pistas” suficientes para saber a resposta...

Penso, efectivamente, que outras pessoas (mesmo que ‘oriundas’ de distintos campos profissionais e ideológicos daqueles que me caracterizam) me têm dado uma sincera ajuda também na busca dessa mesma resposta.

Ora, não foi há muito tempo que aqui deixei uma quadra do poeta António Aleixo.

“Aproprio-me”, assim, de uma outra quadra escrita pelo autor e que é possível encontrar em “Quando começo a cantar...” que me parece ‘ilustrar’ perfeitamente esta realidade dos títulos académicos e profissionais inventados:

 

«Há pessoas muito altas

de nome ilustrado e sério,

porque o oiro tapa as faltas

da moral e do critério.».

09
Ago18

As origens da globalização

Ricardo Jorge Pereira

Não estou certo se já aqui escrevi sobre a globalização.

Talvez, se assim tiver sido, me repita.

No entanto, parece-me sempre relevante que voltemos à História para percebermos que fenómenos que hoje nos parecem ter uma origem mais ou menos recente e moderna não o têm de todo…

Escreveu, na verdade, o Professor britânico Charles Boxer – talvez «o maior historiador estrangeiro da Expansão portuguesa» – no seu “O Império Colonial Português (1415-1825)” (publicado em 1977, se não me engano) o seguinte: «Foram os exploradores portugueses e os conquistadores castelhanos da orla ocidental da cristandade que uniram, para o melhor e para o pior, os ramos separados e distantes da grande família humana. Foram eles, ainda que vagamente, os primeiros a tornar a humanidade consciente da sua unidade essencial.».

 

 

 

 

 

 

 

 

Post scriptum: escreveu também o Professor António de Oliveira de Marques no primeiro volume da sua “História de Portugal [Das Origens ao Renascimento]” que «Do ponto de vista puramente tecnológico, as grandes descobertas teriam sido possíveis nos começos já do século XIV, cem anos mais cedo do que realmente principiaram.».

08
Ago18

A prevenção e a 'cultura' de segurança

Ricardo Jorge Pereira

Alguém ‘postou’ recentemente, numa rede social que utilizo com bastante regularidade, um não muito extenso vídeo contendo a seguinte legenda: «A Brazilian crewchange».

Ou seja, uma mudança brasileira de equipas de trabalho.

Numa plataforma petrolífera, segundo percebi.

Ora, aproveitei para comentar que o conteúdo dessa espécie de legenda não era propriamente exacto já que embora se pudessem detectar falhas de segurança elas não eram, seguramente, apenas “observáveis” no Brasil.

Percebi, no entanto, o ‘fundo’ dessa legenda: pretenderia criar mais um estereótipo relacionado com a segurança e os procedimentos adoptados no Brasil.

Generalizando, claro.

E, “ainda por cima”, de forma negativa, pois.

O objectivo final, por assim dizer, situar-se-ia algures dentro desta perspectiva: “No Hemisfério Norte é a segurança que ‘reina’. Por outro lado, no Hemisfério Sul...”.

Mas, por tudo quanto tenho lido, visto, ouvido e por tudo aquilo que tenho tido a (feliz) hipótese de testemunhar ‘in loco’, penso que a cultura de facilitismo não é característica de uma ou de outra região nem de um país em concreto.

Ela é, pelo contrário, extremamente “democrática”.

Cito o que aconteceu com o navio “Prestige”, por exemplo – bem como de algumas outras situações de poluição no Mar por hidrocarbonetos –, para continuar a colocar enormes reservas na segurança no que à navegação diz respeito.

E também em terra: com os incêndios, com os sismos, com as inundações, com… .

07
Ago18

O Porto de Sines

Ricardo Jorge Pereira

Num momento em que, em Portugal, tanto se insiste na necessidade de melhorar a capacidade logística das infra-estruturas marítimas – por exemplo, a já por mim aqui citada em diversos momentos Ana Paula Vitorino, ministra do Mar do actual governo português, afirmou, não há muito tempo, que a «Rota da Seda marítima, para chegar ao Atlântico europeu, passa, obrigatoriamente, por Portugal» –, opto por publicar no blogue um texto que tinha já escrito há cerca de dois pares de anos sobre uma dessas infra-estruturas cujo futuro me parece estar absolutamente indissociável da competitividade de Portugal no Mar que as autoridades portuguesas afirmam ser imperiosa: o Porto de Sines.

 

«Malgrado as influências romana, visigótica e árabe e o facto de, durante séculos, ter sido um dos locais de origem de produtos como cereais, mel e vinho que abasteciam Lisboa, o porto de Sines nunca logrou atingir um estatuto mais do que secundário no complexo portuário da costa portuguesa até à segunda metade da década de 1960, quando começou a ser estudada a construção, em Sines, de um pólo industrial.

Com o novo cunho industrial dado ao porto da localidade berço de Vasco da Gama, foi dado um renovado fôlego a actividades como a pesca, a exportação de metais da região ou a refinação de produtos petrolíferos, de tal forma que a vila de Sines não mais conseguiu deixar de se identificar com o seu porto.

Em 2003, no entanto, acompanhando o dinamismo económico e social de países em várias latitudes do globo, o porto de Sines optou por abandonar a quase exclusividade do seu trabalho em torno do sector petrolífero, estendendo-o para a movimentação e tratamento de contentores.

Nos primeiros seis meses de 2014, por exemplo, o tráfego de contentores cresceu mais de 40% face a igual período de 2013, com as exportações a registarem níveis positivos. Segundo o sítio web do porto de Sines, os destinos destas mercadorias têm, nos últimos anos, sofrido uma relevante modificação, com os mercados fora das fronteiras da União Europeia a crescerem muito significativamente, em comparação com a contracção verificada no seio da União.

Não é, assim, possível dissociar o desempenho do porto de Sines das tendências da economia mundial, nem esquecer que os fenómenos associados à globalização estão, nos dias de hoje, grandemente ligados ao mar.

O que levantará às instâncias políticas, económicas, sociais e culturais mais esclarecidas em Portugal um conjunto de questões a que urgirá dar respostas, sob pena de, uma vez mais, o país, através também do porto de Sines e suas valências, ficar esquecido na incessante e imparável corrida pelo futuro.

O porto de Sines é um dos portos europeus que melhores condições naturais de acessibilidade marítima apresentam. Para além de ser um porto de águas profundas – e estar, por isso, apto a receber navios de grandes dimensões –, o porto de Sines encontra-se na confluência de três grandes massas continentais (América, África e Europa), o que lhe confere, neste particular, uma localização geoestratégica muito importante face às principais rotas marítimas actuais.

Recorde-se, a este propósito, por exemplo, que, no primeiro semestre deste ano [2014], o valor das trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa atingiu os 48,4 mil milhões de euros, traduzindo um aumento de 6,8% face ao período homólogo de 2013 (o Brasil – que tem, por estes dias, a primeira economia da América do Sul e uma das maiores do mundo, apesar de estar a atravessar um período recessivo – é o principal parceiro comercial lusófono da China: só entre a China e o Brasil, o fluxo comercial ascendeu, em 2013, a 61 mil milhões de euros), e que Portugal é o único país que, simultaneamente, integra o núcleo de três grandes blocos políticos, económicos e culturais (a Comunidade de Estados Ibero-Americanos, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa [CPLP] e a União Europeia).

Para além do mais, dentro de poucos anos, os países membros da CPLP serão responsáveis por cerca de um quinto da produção mundial de gás e petróleo…

Mas, ao destacarem-se as potencialidades do porto de Sines na captação, pela economia portuguesa, de parte dos frutos das relações comerciais no panorama mundial, não podem deixar de ser lembradas lacunas que, ao nível infra-estrutural sobretudo, as podem, perigosamente, limitar: o porto de Sines não dispõe, actualmente, das ligações mais adequadas aos níveis rodoviário e ferroviário, quer em relação ao resto do país (Évora, Beja ou Lisboa, por exemplo), quer em relação a Espanha e ao resto da Europa.

Portugal foi, é e será sempre um país europeu e atlântico. Sabendo-se que, para Portugal, a integração europeia, em vários campos, poderá ser envolvida por um sentimento de inevitabilidade, o porto de Sines pode tornar-se, nestes tempos de austeridade em que predominam vocábulos como défice, importações, exportações ou competitividade, uma mais-valia para a afirmação económica do nosso país na Europa, já que cerca de 85% do valor das importações e das exportações da União Europeia são atingidos através das estruturas portuárias. O que ajuda a caracterizar a União Europeia como (ainda, pelo menos) o maior espaço comercial do mundo.

O porto de Sines, através da melhoria das acessibilidades terrestres (IC 33 – Sines/Évora/Espanha; IP 8 – Sines/Beja/Espanha; a ligação ferroviária Sines/Elvas/Espanha) e das estruturas marítimas que o servem (pórticos e molhes) e da optimização da sua articulação com o aeroporto de Beja, poderá lançar as sementes do crescimento urbano da região e, deste modo, contribuir para a fixação e dinamização de um conjunto de actividades ligadas à investigação e às novas tecnologias.

Ao mesmo tempo que, disputando aos portos seus "colegas" no Mediterrâneo (Algeciras e Tânger, principalmente) a captação de clientes e armadores e aproveitando o desígnio ambientalista em voga na Europa, solidificaria as bases da eficiência, da qualidade e da confiança e tornar-se-ia na "porta de entrada", na Europa, de mercadorias bem como um entreposto desta, e de Portugal, para o mundo.».

 

 

 

Post scriptum: Conforme é possível ler na página na Internet da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, uma das instalações portuárias deste Porto – oficialmente designada por “Terminal XXI” – obteve recentemente o reconhecimento internacional: «No ano em que a carga contentorizada assumiu, pela primeira vez, o lugar cimeiro no que diz respeito aos índices de movimentação no Porto de Sines, o ranking Top-100 de Terminais de Contentores da Alphaliner posiciona Sines na 88ª posição. Com um total de 1,67M TEU movimentados em 2017, Sines subiu três posições em relação à classificação de 2016, mantendo também o 15º lugar a nível Europeu no mesmo segmento de carga. De lembrar que em 2017 o Terminal de Contentores de Sines registou uma variação homóloga de 10,3%, correspondendo a 42% do total movimentado em porto.».

06
Ago18

Parabéns à Ponte 25 de Abril

Ricardo Jorge Pereira

Assinalam-se hoje cinquenta e dois anos da inauguração da Ponte sobre o rio Tejo.

Começou por chamar-se “Ponte Salazar” e mudou, após 25 de Abril de 1974, para “Ponte 25 de Abril”.

De facto, lembro-me de alguém – em Valença – me dizer o seguinte (tendo o ‘cuidado’ de disfarçar a afirmação de pergunta): «Por que razão os nomes originais das coisas quase nunca são mantidos ao longo dos tempos?».

Ora, devo começar por dizer que tais mudanças de nome não são exclusivas de Portugal: basta que estudemos os ‘nomes’ de alguns países em África e na Ásia.

Ou seja, dá-se quase sempre uma mudança de nome de uma ‘coisa’ quando o contexto externo (às vezes apenas parte deste contexto) dessa mesma ‘coisa’ não concorda, por qualquer motivo, com o nome originalmente colocado…

No fundo, é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma, certo?

Mas nada ficou na mesma após a construção da Ponte 25 de Abril e é isso que verdadeiramente me impressiona.

Não a mudança de ‘nome’ de que foi alvo.

São, sim, as implicações sociais, económicas e culturais – e outras, certamente – que tem, durante estes cinquenta e dois anos, trazido a Portugal.

Implicações positivas, segundo o meu ponto de vista.

Viva a Ponte!

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