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16
Out18

'Incoerência' ocidental - parte II

Ricardo Jorge Pereira

As autoridades norte-americanas estão a equacionar a instauração de sanções de índole política e económica a líderes políticos da República Popular da China devido ao que se está etnicamente a passar numa das maiores (se não mesmo a maior) províncias do país – a de Xinjiang: localizada no noroeste da China, a maioria da sua população tem uma origem étnica – e religiosa – muçulmana (uigur) e está a ser, de acordo com alguns relatórios internacionais, reprimida, religiosa e socialmente.

E é como retaliação a esta repressão que os Estados Unidos da América estão a discutir a possibilidade de introdução de represálias em forma de sanções.

Mas, ao mesmo tempo que me encontrava a consultar ‘literatura’ sobre o que se estava (e está) a passar na região de Xinjiang e das sanções previstas não conseguia ‘afastar’ o destino dos índios norte-americanos do pensamento.

E o das suas terras, já agora.

Ora, os ‘procedimentos’ executados pelos colonizadores – sobretudo brancos e cristãos – na conquista da terra a que, em breve, viriam a chamar Estados Unidos da América não passaram por “outra coisa” que não o extermínio sistemático dos estão únicos habitantes, precisamente os índios (cerca de 100 milhões, segundo li já) – numa terra em que, actualmente mais do que nunca, talvez, as políticas contra a imigração estão na agenda de muitos actores políticos (e não só), creio ser importante lembrar que os descendentes desses índios de outrora são os únicos a poderem ‘servir-se’ do rótulo de descendentes dos habitantes originais da terra americana já que todos os outros, repito, todos os outros, descendem de imigrantes, mais ou menos recentes, claro –, estando, pois, hoje relegados para o estatuto de pequena minoria étnica e confinados a pequenas parcelas de terra (”reservas”, espécie de esmolas) – onde melhor podem ser controlados – já que (quase) toda a terra lhes foi roubada.

15
Out18

'Incoerência' ocidental - parte I

Ricardo Jorge Pereira

Quando estava, há poucos dias, a ler um texto sobre a não renovação de uma autorização de permanência (ou visto) em Hong Kong a um jornalista de origem britânica do jornal também britânico Financial Times e da exigência das autoridades de Sua Majestade na obtenção de explicações sobre essa mesma não renovação, não consegui deixar de me lembrar do conteúdo de um artigo jornalístico que tinha lido em fins de Julho passado a propósito da insistente pressão que as autoridades britânicas exerceram sobre as portuguesas no sentido de estas não concederem, no tempo em que estavam prestes a ‘sair’ de Macau, títulos de nacionalidade portuguesa a muitas das pessoas aí residentes para que, precisamente, também muitos cidadãos originários de Hong Kong – então uma colónia inglesa na China – não se pudessem eles próprios sentir tentados, por assim dizer, a solicitar o título de nacionalidade britânica.

A ‘fonte’ desse artigo: “Britain’s ‘disgraceful’ pre-handover efforts to deny nationality to Hongkongers revealed in declassified cabinet files”, jornal South China Morning Post de 24 de Julho de 2018 (edição digital).

Ou seja, as autoridades políticas do Reino Unido escandalizaram-se em 2018 com o facto de não ser renovado o visto de residente a um cidadão (neste caso, um jornalista) para permanecer em Hong Kong mas tudo fizeram em meados da década de 1980 para que milhares de pessoas (cerca de 50 mil, segundo creio) naturais de Hong Kong não pudessem aceder à nacionalidade britânica.

12
Out18

Para quê, então?

Ricardo Jorge Pereira

Lembro-me de, na escola, ter um dia lido estas palavras (palavras que nunca mais em mim desapareceram e, provavelmente, só desaparecerão quando morrer):

 

«Exploração dos recursos do planeta, acumulação incansável de bens, progresso, todos os sinais de riqueza, poder e saber são brutalmente postos em causa pela realidade inelutável que sanciona toda a existência humana – a morte.».

 

Tive, muitos anos mais tarde, o privilégio de ouvir uma canção – “Já não estar” –, interpretada por Camané (com letra de Manuela de Freitas, se não me engano):

 

«Se às vezes numa rua no lugar, eu penso que um dia hei-de morrer, sei que tudo o que tenho vou deixar, aqui onde hoje estou deixo de estar, e tudo quanto sou deixo de ser» (excerto).

 

Para quê tanta(o) ..., então?

11
Out18

Tem que ser agora, já

Ricardo Jorge Pereira

Um grupo de cientistas veio alertar, não há muitos dias, a extrema necessidade e urgência de se adoptarem comportamentos e acções de ‘combate’ no que respeita ao clima do planeta Terra.

De facto, num relatório – que, lembro, demorou cerca de três anos a ser compilado e organizado –, vários cientistas oriundos de vários locais do mundo vieram avisar recentemente que, ao contrário de compromissos e metas já estabelecidos internacionalmente, a humanidade não só não está a a caminho de conseguir limitar o aumento da temperatura do planeta em 1.5 graus centígrados a médio e longo prazos (anos de 2050 e de 2100) como está a deixar que esse limite se ‘alargue’ em três graus centígrados.

Ou seja, um aumento de 4.5 graus centígrados na temperatura da Terra.

Instam, por isso, que todos os governantes do mundo façam mais do que aquilo que têm feito até agora.

Muito mais.

Referem, por exemplo, que a quantidade de emissões de gases para a atmosfera (dióxido de carbono ou metano) tem que ser dramaticamente reduzida em relação ao valor já anteriormente fixado e que oitenta e cinco por cento é a ‘quota’ mínima a ocupar por fontes renováveis no que se refere à obtenção de electricidade (o que significa, pura e simplesmente, deixar de se queimar carvão).

Mudar-se hábitos alimentares (através da redução ou mesmo eliminação do consumo de carne e seus derivados), do consumo (menos recipientes e embalagens de plástico), plantação de árvores ou optar por reduzir a utilização do automóvel (ou não o utilizar de todo) são, por exemplo, algumas das ‘medidas’ que todos – simples habitantes da Terra – podemos e devemos pôr em prática.

É claro que isto implica gastar-se muito dinheiro mas acredito sinceramente que muitíssimo mais terá que ser gasto se nada for feito...

10
Out18

Valores de ontem e de hoje

Ricardo Jorge Pereira

«O fundamentalismo de novas gerações esquece o caminho da história, uma história que não se pode avaliar pelos valores de hoje mas pelos valores de então. Nada temos, enquanto portugueses de nos vitimar [vitimizar], os nossos actos comparados com os dos ingleses, franceses, espanhois, americanos, são uma gota de água no oceano do mal.».

Li há pouco esta declaração.

E não concordo: não será que o facto de se dizer que «Nada temos, enquanto portugueses de nos vitimar, os nossos actos comparados com os dos ingleses, franceses, espanhois, americanos, são uma gota de água no oceano do mal.» invalida o facto de se dizer também que «uma história que não se pode avaliar pelos valores de hoje mas pelos valores de então»?

Creio que sim.

Pelo simples facto de que ao dizer-se que os outros fizeram mais mal, por assim dizer, do que nós implica que estamos a comparar actos passados à luz dos valores de ‘hoje’…

Opto, pois, por uma estratégia muito diferente: aceitar o bom e o mau (alguns diriam “menos bom”) que o passado teve olhando-o com o meu olhar de hoje para, assim, tentar compreender melhor o presente. E faço-o sempre com o objectivo de ajudar a preparar o futuro.

09
Out18

Hossana ou a esperança no futuro

Ricardo Jorge Pereira

Devo as palavras que agora (e mais uma vez...) ocupam algumas linhas no blogue uso externo ao poeta Miguel Torga e ao seu poema “Hossana”.

 

 

«Junquem de flores o chão do velho mundo:

Vem o futuro aí!

Desejado por todos os poetas

E profetas

Da vida,

Deixou a sua ermida

E meteu-se a caminho.

Ninguém o viu ainda, mas é belo.

É o futuro…

 

Ponham pois rosmaninho

Em cada rua,

Em cada porta,

Em cada muro,

E tenham confiança nos milagres

Desse messias que renova o tempo.

O passado passou.

O presente agoniza.

Cubram de flores a única verdade

Que se eterniza!»

08
Out18

O eleito

Ricardo Jorge Pereira

As palavras que agora escrevo não são sobre o escrito de Thomas Mann.

Elas são, sim, sobre a eleição brasileira que ontem decorreu.

No exacto momento em que estou a escrever estas palavras sei já que dois candidatos passaram à segunda volta desse acto eleitoral (ou «segundo turno», conforme se diz no Brasil).

Não creio, todavia, que seja muito importante saber quem será o próximo presidente do Brasil e a sua equipa.

A verdade é esta: quem quer que vá ‘comandar’ o colosso sul-americano não vai, “simplesmente”, ter dinheiro para poder cumprir as inúmeras promessas feitas: um texto escrito por Paulo Trevisani e Jeffrey T. Lewis (e publicado na edição digital do jornal The Wall Street Journal com o título “In Brazil, Big Plans and No Money”) veio já explicar que o futuro executivo brasileiro dependerá sempre de empréstimos para poder sustentar as suas políticas.

Ou seja, muito mais relevante do que saber quais serão as caras que ‘governarão’ o Brasil nos próximos tempos é saber que o melhor ou pior bem-estar dos cidadãos do país, sobretudo, estará nas mãos dos credores mais ou menos habituais.

Estes é que – como sempre, aliás – decidirão.

04
Out18

Monarquia e República em Portugal: qual a diferença?

Ricardo Jorge Pereira

Assinala-se amanhã mais um aniversário da implantação do sistema republicano em Portugal.

São já cento e oito anos de República (‘contra’ setecentos e sessenta e sete de Monarquia).

Ora, considero-me republicano pelo simples facto de ter sempre vivido sob a égide da República Portuguesa e ser este, pois, o único regime que “realmente” conheço.

Mas também não me identifico com muitos dos valores monárquicos que sustentam a defesa deste regime.

Ou seja, reconheço à Monarquia (por tudo quanto tenho lido e visto) e à República em Portugal méritos e defeitos.

A verdade, todavia, é que não consigo deixar de associar a esta transição, política e não só, claro, o facto de ser sempre necessário que algo mude para que (quase) tudo fique na mesma...

03
Out18

O subemprego

Ricardo Jorge Pereira

Uma das grandes falácias deste nosso tempo tem a ver com o emprego.

«Nunca como agora a taxa de desemprego foi tão baixa», dizem-nos numerosos responsáveis políticos por este Ocidente fora.

Na verdade, a invocação dos referidos baixos níveis de desemprego tem, desde logo, a vantagem (do ponto de vista de tais dirigentes políticos, claro) de promover a qualidade das políticas levadas a efeito em torno do emprego.

Mas – como em tudo na vida, sempre houve, há e haverá um mas... –, muito mais importante, quanto a mim, do que a taxa de desemprego (que é, muitíssimas vezes, manipulada) é o subemprego.

Ou seja, o emprego que é desempenhado obedecendo aos ditames da precariedade e, portanto, remunerado bem ao jeito de um favor que está ser feito à/ao infeliz a quem o aceita (na verdade, a quem não tem outra escolha senão aceitar...).

Este, como está bem de ver, é um ‘tema’ que quase nunca é politicamente abordado nem, pois, reconhecido – a melhor forma para não serem implementadas medidas nem colocadas questões potencialmente capazes de “abalar” o statu quo imposto política, empresarial e socialmente é, precisamente, o não se reconhecer que um “fenómeno” qualquer existe.

Esta é, todavia, em Portugal, uma ‘temática’ sobre a qual acho que deveria existir um debate profundo e intelectualmente sério que não deixasse de incidir, por exemplo, num sector extremamente ‘dinâmico’ no país de há alguns anos “a esta parte” como o do Turismo porque, como disse um dia o escritor norte-americano Louis “Studs” Terkel, «Trabalhar é a procura de um significado tanto como do sustento diário, de reconhecimento bem como de dinheiro, da surpresa em vez da apatia, em resumo, de um estilo de vida e não de uma morte lenta entre segunda e sexta-feira»…

 

 

 

Post scriptum: e também porque, a nível global, mais de metade dos empregos que estaremos a ‘ocupar’ em 2030 não foram ainda inventados, por assim dizer.

 

 

 

 

02
Out18

Como 'desviar' a atenção

Ricardo Jorge Pereira

A página Vivências Press|News (https://vivenciaspressnews.com/) publicou, há poucos dias, um texto a propósito da intervenção do presidente angolano João Lourenço na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque.

De facto, «Centrando-se naquilo que, para si, deveriam ser as prioridades da ONU, João Lourenço chamou a atenção para questões que “podem pôr em causa a própria sobrevivência da humanidade”, como a “fome e miséria, o aquecimento global, as migrações em massa, o tráfico humano, a intolerância religiosa e o extremismo” ou “a proliferação e descontrolo das armas nucleares”. Relativamente a este último aspecto, o Presidente angolano reconheceu os avanços alcançados na “desnuclearização da Península da Coreia”.».

Ora, creio que os líderes políticos de todos os países deveriam primeiro “olhar para si próprios” e arranjar formas de combater eficazmente a «fome e miséria, o aquecimento global, as migrações em massa, o tráfico humano, a intolerância religiosa e o extremismo» e só depois preocuparem-se com a «desnuclearização da Península da Coreia», por exemplo…

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