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15
Set17

O Dia Internacional da Democracia

Ricardo Jorge Pereira

Aproveito, neste Dia Internacional da Democracia, para citar uma personalidade que, em grande parte da sua vida, defendeu valores contrários à liberdade, à igualdade e ao respeito pela diferença.

À Democracia e ao Estado de direito, portanto.

Valores que, apesar de todo o Mal que trouxeram à humanidade, muitos desejam, hoje, reavivar...

 

«O nosso parlamentarismo democrático actual não procura uma assembleia de gente sabedora, mas de recrutar uma multidão de zeros intelectuais tanto mais fáceis de manejar quanto maior é a limitação mental de cada um deles.
Só assim se pode fazer uma “política de partidos”, único meio que permite aos que puxam os fios ficarem cautelosamente na sombra sem serem chamados à responsabilidade.
Desta maneira, nenhuma decisão, por mais nociva e nefasta que seja para o país, será contabilizada na conta de um patife de todos conhecido, irá pesar sobre as costas de todo um partido.

Na prática, desaparece toda a responsabilidade, pois esta só pode recair numa pessoa determinada, não num grupo parlamentar de mexeriqueiros.

Em consequência, o regime parlamentar só pode agradar aos espíritos dissimulados que receiam actuar à luz do dia. Será sempre detestado por todo o homem sério e recto que tenha noção das responsabilidades.

Eis a razão por que essa forma de democracia se converteu no instrumento daquela raça cujos fins ocultos, agora e sempre, têm todas as razões para recear a luz. Ninguém como o judeu aprecia semelhante instituição, suja e infame como ele próprio».

 

O autor?
Adolf Hitler no seu «Mein Kampf».

14
Set17

WASP's em 'queda'

Ricardo Jorge Pereira

O norte-americano Public Religion Research Institute publicou, muito recentemente, um estudo – “America’s Changing Religious Identity” – que concluiu o seguinte: «Actualmente, apenas 43% dos norte-americanos afirmam ser brancos e Cristãos e, desses, apenas 30% dizem ser Protestantes. Em 1976, cerca de 8 em cada 10 norte-americanos (81%) assumiam ser brancos e Cristãos sendo que, desses, mais de metade (55%) era Protestante».

Não é, certamente, por acaso que o segundo idioma mais utilizado em quase todos os estados da América do Norte é o espanhol (castelhano…)1.

Ou seja, os famosos WASP’s (White Anglo-Saxon Protestant) – os cidadãos brancos, de origem anglo-saxónica e praticantes da religião protestante – estão em declínio.

Ora, talvez esse declínio ajude a explicar a animosidade ‘racial’ que hoje se vive nos Estados Unidos da América...

 

 

1 Assim, no estado North Dakota a segunda língua mais falada é a alemã, no Louisiana é a francesa, no Maine, no New Hampshire e no Vermont é, também, a francesa, no Hawai são o Ilocano, o Tagalog e o japonês e no Alaska é o Yup’ik.

13
Set17

De Espanha à Bulgária

Ricardo Jorge Pereira

No dia em que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, fez o discurso sobre o estado da União (Europeia, pois), acho que é pertinente recordar as conclusões de um estudo organizado pela mesma Comissão Europeia - “Flash Eurobarometer 450: Future of Europe – Views from outside the EU”1.

Já teci aqui no blogue críticas sobre as generalizações propostas por tais estudos de opinião.

Opto, por isso mesmo, por fazer a minha própria “leitura”.

Que é esta: algumas pessoas (muitas?) que vivem em países que se situam fora das fronteiras físicas da União Europeia têm, desta mesma União, uma percepção positiva.

As vagas migratórias, antigas e recentes, que a Europa tem acolhido prová-lo-ão.

Reconheço, enquanto cidadão de um país que é membro da União Europeia (mas que se situa fora do eixo político Espanha-Bulgária…), as vantagens sociais, económicas e culturais de pertencer a esta União.

Mas reconheço, igualmente, enquanto cidadão de um país que é membro da União Europeia, as desvantagens sociais, económicas e culturais de pertencer a esta União.

Comparando, ainda assim, com aquilo que vou lendo, vendo e ouvindo acerca de outros locais do mundo, posso dizer: relativizar, sempre.

1 «Os Eurobarómetros Flash são organizados e compilados a partir de entrevistas telefónicas feitas a pedido de qualquer serviço da Comissão Europeia. Os estudos flash permitem à Comissão a obtenção de informação de uma forma relativamente rápida e “focada” em grupos específicos».

 

O Eurobarómetro “ Future of Europe - Views from outside the EU” «foi realizado entre 20 e 25 de Fevereiro de 2017 em onze países não membros da União Europeia: Austrália, Brasil, Canadá, China, Índia, Japão, Noruega, Rússia, Suíça, Turquia e Estados Unidos da América. Esta é a primeira vez que um Eurobarómetro “olha” para a União Europeia de uma forma global. Foram entrevistadas 11.035 pessoas telefonicamente (telefones fixo e móvel) com excepção das feitas na Índia já que as entrevistas foram conduzidas pessoalmente. Aos entrevistados foi perguntado de que forma “viam” a União Europeia, quais pensavam ser os seus valores e mais-valias e a sua influência política» no mundo.

12
Set17

Mas que integração?

Ricardo Jorge Pereira

Vi e ouvi a peça que uma estação televisiva portuguesa emitiu, há algumas semanas, sobre alguns portugueses que haviam sido expulsos dos Estados Unidos da América para as suas terras de origem, nos Açores.

Pareceu-me que os ‘entrevistados’ que participaram naquele trabalho de investigação – todos eles – se “esqueceram” de dois aspectos que são, para mim, fundamentais: o de que eram estrangeiros naquelas novas terras e o de que havia regras a cumprir (tal como, claro está, existem em todo o lado).

Ou seja, não conseguiram, por razões várias, conjugar as “fronteiras” da sua identidade cultural com as da sociedade de acolhimento.

Lembro-me, também, da intervenção, na dita peça jornalística, de alguém que trabalhava como sociólogo junto desses ‘repatriados’: estes estavam, disse, «perfeitamente integrados» quando foram ‘apropriados’ pelo sistema judicial.

Perfeitamente integrados?

Como se poderá considerar que alguém estava «perfeitamente integrado» numa dada sociedade se vivia uma existência à margem da lei (admitida e pormenorizada, de resto, por todos os entrevistados…) e que, depois, foi judicialmente condenado?

11
Set17

Portugal 'na moda'

Ricardo Jorge Pereira

À medida que estava a ler o estudo “Expat Insider” que o sítio InterNations realizou em 2017 estava a lembrar-me de uma entrevista que a revista Sábado fez a Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal.

Disse, por exemplo, que «Portugal tem glamour e nós não temos noção disso».

Mas há quem pareça ter...

Se é verdade que esta entrevista foi publicada no fim de Maio de 2016 não é menos que o referido estudo foi efectivado já em 2017 – pelo quarto ano consecutivo, diga-se – e que nele participaram 12.519 expatriados (imigrantes…) representando 166 nacionalidades e a viverem em 188 países ou territórios.

Foi pedido a cada um dos participantes a atribuição de pontos (de 1 a 7) para avaliar mais de 40 aspectos no que respeitava à vida no país em que residiam abrangendo cinco áreas temáticas: “Qualidade de Vida”, “Acolhimento”, “Trabalhar no Estrangeiro”, “Vida Familiar” e “Finanças Pessoais”.

Assim, Portugal ‘classificou-se’ em 5.º lugar no ‘top’ 10 das localizações preferidas para expatriados/imigrantes em 2017 («top 10 expatriate destinations for 2017»).

Eis a lista completa: 1.º – Bahrain; 2.º – Costa Rica; 3.º – México; 4.º – Taiwan; 5.º – Portugal; 6.º – Nova Zelândia; 7.º – Malta; 8.º – Colômbia; 9.º – Singapura; 10.º – Espanha1.

Notável.

 

 

1  Ora, no tópico “Qualidade de Vida”, Portugal alcançou mesmo o primeiro lugar: 92% dos inquiridos afirmaram ter «excelentes» opções de lazer e 77% consideram-no um país pacato e seguro.

08
Set17

A nova mesquita de Lisboa

Ricardo Jorge Pereira

Tenho lido sobre a construção de uma nova mesquita na capital portuguesa.

Será a Câmara Municipal de Lisboa a assegurar todos os ‘passos’ legais para o efeito (a expropriação e as respectivas indemnizações, por exemplo) e a própria edificação do espaço.

Coloquei, no entanto, a mim próprio a seguinte questão: como é possível ‘conjugar’ a laicidade de um Estado (neste caso, o português) – e a das instituições que, localmente, o representam como a edilidade de Lisboa – com a construção de um templo religioso para usufruto de uma qualquer confissão religiosa?

Alguém sabe a resposta?

07
Set17

Viva o Brasil!

Ricardo Jorge Pereira

Assinalam-se hoje 195 anos da independência do Brasil.

De facto, foi a 7 de Setembro de 1822 que o gigante sul-americano se tornou livre das amarras coloniais.

Não utilizei a palavra gigante à toa: o Brasil, com os seus mais de 8 milhões e meio de quilómetros quadrados de extensão, é o 5.º maior país do mundo e o maior da América do Sul1.

Mas é, também, o único país nesta parte do mundo que “fala” português.

Viva o Brasil!

 

 

1 Ocupando cerca de 48% do total da área da América do Sul, quase que se poderia designar essa parte da América por “subcontinente brasileiro”...

06
Set17

A aposta que falta ganhar

Ricardo Jorge Pereira

No seu livro Política de turismo, publicado em 1987, o secretário de Estado do turismo, Licínio Cunha, concluiu que «a evolução verificada bem como os efeitos económicos alcançados constituem indícios seguros de que a aposta no turismo já foi ganha».

Seria, uma década volvida, a vez do secretário de Estado do comércio e turismo, Jaime Andrez, lançar o seu prognóstico: «o turismo criou e desenvolveu um espaço próprio que lhe traz o reconhecimento de poder ser um dos motores da economia do século XXI».

Ora, se é inegável o facto de os números que têm, nos últimos anos, sido registados pelo sector do turismo em Portugal serem francamente positivos - como, de resto, o têm sido as repercussões na restante malha económica portuguesa… - transformando, assim, esse «poder ser» num “é” sem margem para dúvidas, não julgo que a «aposta no turismo» tenha já sido ganha.

Porquê?

Lembro-me, por exemplo, de duas ‘dimensões’ que referi já: a massificação do turismo, por assim dizer, e o terrorismo.

Insisto no ‘capítulo’ segurança: uma reportagem televisiva emitida pelo bloco noticioso Telejornal (RTP – canal 1) em Maio de 2016 referiu que «Os festivais portugueses têm, também, impacto no turismo: chamam cada vez mais estrangeiros. As organizações dos maiores festivais esperam que, este ano [2016], metade dos visitantes venha de fora do país, número que tem, ainda, margem para crescer».

Foi, ainda, revelado que, nesse ano de 2016, mais de 2 milhões de espectadores seriam aguardados nos festivais de Verão.

Pedi, por isso, à organização do festival Rock in Rio Lisboa que me explicasse se estavam preparados mecanismos e procedimentos de segurança no âmbito da sua realização.

Eis a resposta: «À semelhança das edições anteriores, o tema da segurança é uma das nossas questões prioritárias. São definidos grupos de trabalho, ainda na fase de planeamento, que envolvem diferentes entidades como Serviço Municipal de Proteção Civil, Polícia de Segurança Pública, INEM, Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, Polícia Municipal, Prosegur, entre outros, e que, depois da definição do risco associado ao evento, definem quais os meios e ações que devem ser implementadas para garantir a segurança de todos os envolvidos no evento. Durante os dias do Rock in Rio-Lisboa, existe um Centro de Controlo Operacional, permanente, onde estão representadas todas as entidades envolvidas na segurança e emergência no Rock in Rio Lisboa e que vão monitorizando o desenrolar das operações. Este ano [2016], estão a ser tomadas medidas extra para garantir que o público chega bem ao recinto, vive o Rock in Rio e regressa em segurança para casa, sem que isso interfira com a experiência de alegria e que é o Rock in Rio».

Por outro lado, Álvaro Covões, o fundador da empresa promotora de espectáculos Everything is New, numa entrevista conduzida pela jornalista Sandra Nobre (da publicação Dica da Semana, em Maio de 2016) respondeu «Não» à pergunta «Quando se preparam eventos grandes a segurança é uma preocupação ainda maior?».

Ou seja, a «aposta no turismo» tem que ser ganha todos os dias.

05
Set17

A mediatização do terrorismo

Ricardo Jorge Pereira

Não creio estar a dar qualquer novidade se disser que os dirigentes do Estado Islâmico utilizam uma ‘agência noticiosa’ própria – a Amaq – para difundirem a sua propaganda e as suas mensagens (e vídeos) de ódio e de morte bem como um conjunto de outros meios digitais para o mesmo fim: o Caliphate Cyber Army, o United Cyber Caliphate e o IS Hacking Division.

Mas não é só neste ‘mundo’ mediático circunscrito que a organização e os seus actos se movem.

A capa do jornal I do passado dia 22 de Agosto de 2017 destacava uma declaração de Margaret Thatcher enquanto primeira-ministra britânica: «Temos de encontrar formas de privar os terroristas e sequestradores do oxigénio da publicidade de que dependem».

De facto, escreveu, muito depois de proferida esta frase, o jornalista e autor José Jorge Letria no seu “O terrorismo e os “media”: o tempo de antena do terror e outras reflexões.(publicado em 2001) que a «cobertura dos “media” é o objectivo estratégico do terrorismo. Quanto maior for a devastação e o seu impacto mediático, maior será o êxito da operação» e que o «terrorismo precisa da cobertura mediática para atingir os seus objectivos políticos, e os “media” precisam da dimensão trágica, da imprevisibilidade e da violência discricionária dos actos terroristas para manterem o interesse do cidadão consumidor de informação, dele dependendo audiências e tiragens».

Ora, o filósofo Gaspard Koenig, no texto Et si on arrêtait de transformer les terroristes en stars? publicado, online, pelo jornal francês Le Figaro no final de Abril de 2016, propunha parar de glorificar os terroristas condenando-os, por isso, ao anonimato.

O que fazer então no ‘tratamento’ mediático a dar a eventos terroristas?

Não sei.

Se acho, por um lado, que o facto de a “comunicação social” incidir a sua atenção sobre os ataques terroristas pode fazer com que o “público” acabe por entender melhor as razões (ideológicas, por exemplo) que levaram a que esses atentados tivessem sido cometidos, reconheço, por outro, que essa atenção pode, também, originar em potenciais agentes terroristas um desejo de terem ‘publicidade’.

Discussão precisa-se...

04
Set17

Quanto vale uma vida?

Ricardo Jorge Pereira

Tenho, nos últimos dias, sido “bombardeado” com a destruição causada pelo furacão Harvey na cidade de Houston, Texas, Estados Unidos da América.

Furacão que, entretanto, se ‘transformou’ numa depressão tropical…

Lamento todas as vidas humanas que se perderam.

47, no momento em que escrevo.

No entanto, pouca atenção mediática foi dada – de peças que me tenham ‘chegado’ a partir de órgãos informativos “do Ocidente”, claro – sobre as centenas de pessoas que perderam a vida na Índia, no Nepal e no Bangladesh por causa de inundações causadas pela chuva das monções1.

Ou sobre as centenas de pessoas que, na capital da Serra Leoa, Freetown, morreram na sequência de violentas inundações – ‘alimentadas’ por deslizamentos de terras – em meados de Agosto passado.

Parece que, para alguns círculos, a perda de 47 vidas humanas num local vale mais, muito mais, do que aquelas (centenas ou milhares) que se possam perder noutros locais do mundo.

Mas, se calhar, sempre assim foi e, se calhar, sempre assim será, certo?

 

1  O artigo “A 15 000 km de Houston, l’Asie du Sud vit aussi ses pires inondations depuis des années” que o jornal francês Le Monde publicou, online, há uns dias frisou mesmo o seguinte: «Ao mesmo tempo que o mundo tem a atenção focada nas inundações no Texas, responsáveis humanitários receiam uma catástrofe humanitária no Sul da Ásia».

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