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30
Nov17

Militares e jumentos

Ricardo Jorge Pereira

A um conjunto de burros dá-se, também, o nome de “tropa”.

Por que razão se decidiu dar o mesmo nome a animais (associados ao transporte de cargas e, de forma injusta e muito frequentemente, à pouca inteligência) e a seres humanos?

Pretender-se-ia insinuar algo?

29
Nov17

Mais uma cimeira

Ricardo Jorge Pereira

Começou hoje na mais importante cidade da Costa do Marfim – Abidjan – o 5.º encontro entre dirigentes da União Africana e da União Europeia.

É, certamente, mais uma oportunidade para tentar aproximar os representantes dos dois continentes em termos de princípios e de decisões políticas já que apenas alguns quilómetros os separam no capítulo geográfico.

De facto, a reunião de Abidjan incidirá sobre assuntos como o desenvolvimento económico e as migrações estando já anunciados e prometidos investimentos avultados.

Mas, por tudo o que já aqui escrevi no blogue, não me parece que estejam reunidas as condições necessárias para que esse desenvolvimento possa vir a ocorrer e que, pois, as migrações parem.

Da parte das instituições e dos agentes políticos europeus, claro.

Enquanto cidadão europeu lamento-o.

28
Nov17

A política e as pessoas

Ricardo Jorge Pereira

Os Estados-membros da União Europeia reuniram-se, ontem, numa espécie de comité e decidiram autorizar, por mais cinco anos, a utilização do herbicida mais usado na Europa: o glifosato.

Votaram a favor da proposta da Comissão Europeia (CE) os representantes de dezoito países, de nove votaram contra e de um abstiveram-se (de Portugal, nem mais) permitindo, pois, atingir a necessária maioria qualificada.

Ora, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tinha já considerado que o glifosato era, provavelmente, um transmissor de cancro para o Homem.

Outros têm vindo, entretanto, garantir que não.

Não sendo cientista, concordo com o ponto de vista da OMS.

Lamento, por isso, a proposta de alargamento (e todos os ‘estratagemas’ utilizados antes da votação) da CE e o resultado dessa mesma votação porque acho que prejudica, uma vez mais, o bem-estar e a saúde dos cidadãos de muitos países europeus.

Uma vez mais, a política contra as pessoas...

27
Nov17

Os outros e as pós-verdades

Ricardo Jorge Pereira

Um estudo baseado nas opiniões de 4971 cidadãos norte-americanos membros de um painel do centro de pesquisa Pew foi levado a efeito entre 8 e 21 de Agosto passado.

Concluiu-se, por exemplo, o seguinte:

- Mais de metade (55%) dos norte-americanos com 50 e mais anos de idade lê (e vê) informação nas chamadas redes sociais;

- São, por outro lado, 8% a fazê-lo entre aqueles com uma idade abaixo dos 50 anos;

Ou seja, dois terços dos cidadãos norte-americanos procuram informar-se nas redes sociais como o Facebook, por exemplo.

A pouca ‘eficiência’ metodológica que, do meu ponto de vista, caracteriza este e muitos dos actuais estudos de opinião não consegue eliminar, no entanto, a existência de uma tendência que arrisco caracterizar de geral (ou global): numa época em que proliferam conceitos como “pós-verdades” e “falsas notícias” (as fake news), acho que é importante que, talvez mais do que nunca, procuremos adquirir “instrumentos” que nos permitam evitar esses enviezamentos informativos, por assim dizer.

Como, de resto, lembrei já no postA maior livraria do mundo” que aqui coloquei no blogue.

 

24
Nov17

Celas pagas?

Ricardo Jorge Pereira

Li, há dias, que um conjunto de deputados de França pretendia que os presos nas cadeias do país começassem a pagar uma espécie de imposto («taxa de habitação») pela utilização do espaço das celas à semelhança, aliás, do que acontece já nos Estados Unidos da América, na Dinamarca e na Holanda.

Será que poderia – e deveria – ser adoptada uma medida deste tipo em Portugal?

23
Nov17

Vencer e viver!

Ricardo Jorge Pereira

São, anualmente, detectados 50 a 60 mil casos de cancro em Portugal.

É um drama, sei-o, para os doentes, para as suas famílias e deveria sê-lo, também, para a sociedade.

Li, recentemente, o livro O cancro que o Prof. Manuel Sobrinho Simões, um dos maiores especialistas da Oncologia ao nível mundial, escreveu há já alguns anos.

Referiu o Prof. que se registava, então, «a cura ou o controlo da doença em cerca de 55% dos doentes».

Explicou, igualmente, que «dado que cerca de 95% dos cancros podem ser considerados de «causa» ambiental, faz sentido apostar na chamada prevenção primária, sinónimo do conjunto de acções destinadas à diminuição da exposição aos factores de risco, com o objectivo de diminuir a ocorrência da doença».

Pelo que, assim, “apostava” «muito mais na prevenção primária «antiga» - isto é, é preciso convencer as pessoas a deixarem de fumar, a beber menos, a não engordarem em demasia, etc. - e na prevenção secundária, como forma de combater o fardo das doenças oncológicas».

No entanto, a apresentação do Relatório do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas 2017 que decorreu no auditório do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) no final do passado mês de Setembro revelou, como uma das suas principais conclusões, por assim dizer, a existência de mais casos de cancro do pulmão entre as mulheres.

De facto, voltando ao livro do Prof. Sobrinho Simões: «É fácil prever que, dentro de uma ou duas dúzias de anos, metade ou mais de metade da população virá a ter um ou mais cancros durante a vida. Teremos assim passado da actual taxa de uma em cada três para a de uma em cada duas pessoas com doença(s) cancerosa(s)».

Mas, optimista (e realista), concluiu: «Os avanços que continuam a ocorrer no tratamento dos doentes com cancro constituem outro motivo de esperança. Temos, felizmente, razões para pensar que no futuro vamos assistir a melhorias da sobrevida e, sobretudo, da sobrevida com qualidade de vida».

Espero que sim.

22
Nov17

Pobre Igreja

Ricardo Jorge Pereira

Assisti, há dias, a uma reportagem televisiva emitida num bloco noticioso sobre o facto de a catedral de Notre-Dame, em Paris, estar «em risco» de desintegração devido à passagem do tempo mas, também, por causa da poluição atmosférica.

Foi, então, entrevistado Michel Picaud, o presidente da fundação Amigos de Notre-Dame.

Ele explicou que «o problema é que quando olhamos para a fachada não o vemos. Vemos que a catedral é magnífica, mas há uma grande degradação na parte de trás que temos de remediar de imediato. (…) [Algumas peças] ou caíram ou foram desmontadas porque estavam em risco de cair. Podem ver que temos aqui vários elementos de arquitetura, pedaços de gárgulas, pedaços de pináculos… Se olharem para a pedra, podem ver que está corroída. Vemos que foi corroída pela poluição e desfaz-se. Está muito frágil».

Disse, depois, que tudo isso colocava em perigo a catedral e, concluí, os próprios visitantes pelo que havia que ser, urgentemente, intervencionada.

Explicou-se, igualmente, que o Estado francês era o proprietário do templo.

A Igreja Católica era, porém, a entidade responsável e, de certa forma, a «senhoria perpétua da catedral».

Por isso, «A Igreja tomou a iniciativa desse mecenato para ajudar», registou ainda.

«E vai ajudar com que quantia?», questionou a jornalista.

A resposta que obteve: «A Igreja não tem dinheiro. O problema é esse».

Não tem dinheiro?!

Ora, a Igreja Católica Apostólica Romana é uma das entidades mais ricas (economicamente falando, claro) no mundo...

21
Nov17

Todos e ninguém

Ricardo Jorge Pereira

Morreu, no passado domingo, numa prisão dos Estados Unidos da América, Charles Manson.

Manson tornou-se, no final da década de 1960, um “guia espiritual” e, depois, o indivíduo que incitou a que o seu pequeno grupo de seguidores preparasse e levasse a cabo um conjunto de assassinatos.

Acabou por ser apanhado pela Lei e, tal como os seus companheiros, julgado e condenado.

Primeiro à pena de morte e, depois, a permanecer encarcerado até ao fim da vida.

Que durou, como já referido, até domingo e até aos oitenta e poucos anos.

A sua prisão durante mais de cinquenta anos (recorde-se, no entanto, que, nos seus tempos de juventude, Manson esteve “institucionalizado”...) merece-me um comentário.

Sem dúvida que a Justiça esteve bem ao retirar à sociedade um indivíduo e um grupo constituído por psicopatas e assassinos.

O que discuto não é, evidentemente, essa atitude.

O que discuto, sim, é o facto de os critérios da justiça e da lei não serem iguais para todos os cidadãos: se uma pessoa mais vulnerável em termos da sua integração social (mental, económica, etc.), como Manson, foi – e pode ser hoje – condenado por ter sido considerado, em termos morais, o causador de sete assassinatos, outros, no passado como no presente, na União Soviética, na China ou nos Estados Unidos da América, por exemplo, mesmo tendo ordenado acções que causaram a morte a centenas, a milhares ou a milhões de pessoas nunca foram – e nunca são – condenados em sede judicial e penal mas sim no plano político (assumem responsabilidades políticas, ou seja, demitem-se e é tudo…).

Um exemplo: morreram, nos últimos anos, cerca de 200 mil pessoas nos Estados Unidos da América em consequência das armas de fogo. Ora, quem foi (foram) e quem é (são) o(s) responsável(eis) por esta autêntica guerra?

A mesma sociedade que se preocupa com os “Mansons” deste mundo não quer saber das verdadeiras consequências dos actos do Sr. Presidente X ou do Dr. Y e até os ‘premeia’ (em actos eleitorais, por exemplo)...

20
Nov17

Só hipocrisia climatérica?

Ricardo Jorge Pereira

Volto a referir a problemática associada às alterações climáticas.

Mais de quinze mil cientistas de todo o mundo alertaram, há dias – depois de há um quarto de século o terem também feito… –, a Humanidade para um facto real: o Homem está a destruir a Natureza e, portanto, a destruir-se.

Cito, porém, um exemplo que me parece ser significativo da hipocrisia associada a este ‘aumento’ da importância da chamada questão ambiental e, assim, da movimentação política e diplomática em relação a acordos climáticos como o de Quioto ou o de Paris indutora de uma espécie de superioridade moral («Nós, ao contrário de outros, estamos empenhados nas metas climáticas para evitar a ruína do planeta»).

Refere-se, no artigo “Germany is a Coal Burning, Gas-Guzzling Climate Change Hypocrite” (escrito por Paul Hockenos) que a edição online da revista Foreign Policy publicou há poucos dias, que a Alemanha (subjectivamente, um enorme modelo civilizacional e, de forma objectiva, a maior potência económica da Europa) «ficou muito para trás no que se refere à prometida redução drástica da emissão de gases com efeito de estufa. Na verdade, a emissão deste tipo de gases não sofreu quaisquer reduções em quase uma década e a Agência Alemã do Ambiente calculou que as emissões feitas pelo país totalizaram, em 2016, 906 milhões de toneladas de dióxido de carbono – a maior ‘quantia’ a nível europeu – e 902 milhões de toneladas em 2015. E para 2017 os dados disponíveis sugerem um novo aumento das emissões».

E que «a Alemanha é o país da Europa que mais extrai e queima carvão que foi, em 2016, o maior ‘responsável’ pela produção energética do país com uma quota de 49%».

De resto, «a Alemanha é o país do mundo que mais extrai um subtipo de carvão (o carvão castanho) que é um dos combustíveis fósseis mais poluentes».

17
Nov17

A dependência da tecnologia

Ricardo Jorge Pereira

Segundo li num texto há alguns dias, um estudo (também ele recentemente divulgado…) descobriu que a maioria dos utilizadores de telemóveis “inteligentes” (os smartphones) nos países considerados ricos em termos económicos mexe nesses mesmos aparelhos cerca de 2600 vezes em cada dia.

Concluo, assim, que essa maioria toca nos seus telefones portáteis 108 vezes por hora e quase duas vezes a cada segundo que passa.

Não creio estar entre esta maioria de cidadãos mas, admitindo eu a validade científica de tal descoberta, o estudo prova, desde logo, o quão dependentes os habitantes dos países mais ricos estão da tecnologia e, seguramente, viciados por ela.

Mas também prova uma outra ‘coisa’.

Por sinal, bem mais paradoxal e sinistra.

A de que, num momento histórico em que me parece que nunca existiram tantas oportunidades de contacto com o Outro – a época da chamada globalização – vivemos tão sós.

Talvez a solidão seja mesmo o preço a pagar por tanto (ilusório) conforto.

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