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29
Jun18

O café

Ricardo Jorge Pereira

«Gostar de café não significa gostar de qualquer café».

Eram estas as palavras que serviam, há alguns dias, de ‘introdução’ a um texto de um (ou uma) blogger aqui ‘alojado/a’ no portal SAPO.

Concordo em absoluto.

Escrevo agora, no entanto, a partir de uma outra dimensão do café: a da sua produção.

Por exemplo, o país que mais produz – e vende – café no mundo é o Brasil.

O segundo maior produtor é o Vietname.

Como li, há tempos, no verso de um pacote de açúcar que ‘acompanhava’ um café que pedi, «O Vietname é o 2º maior produtor de café e é também o maior produtor da variedade Robusta. O café é a maior fonte do país envolvendo mais de 2,6 milhões de pessoas. A região centro-sul de Dak Lak é a principal região de cultivo de café.».

Ou seja, o consumo moderado de café não só é benéfico para a saúde de quem o bebe (como todos os estudos que li garantiam) mas pode também ser moderadamente ‘saudável’ para a economia de uma comunidade e, até, de um país trazendo-lhe a criação de empregos e receitas.

Significando “moderadamente saudável” que a economia local, local e/ou regional não depende tanto da produção – e venda – de uma determinada matéria-prima (neste caso, o café) que a torna (muito) vulnerável a ‘oscilações’, internas e externas…

28
Jun18

A flecha, a palavra e a oportunidade

Ricardo Jorge Pereira

Invoco agora um provérbio chinês que sinto ser – à medida que tenho vindo a envelhecer – cada vez mais verdadeiro, por assim dizer:

 

Há três coisas

que nunca voltam atrás:

a flecha lançada,

a palavra pronunciada

e a oportunidade perdida.

27
Jun18

Uma vénia, uma estátua e uma organização...

Ricardo Jorge Pereira

Apesar de ser, quanto a mim, um acontecimento muito importante e, por isso, merecedor de uma espécie de ‘atenção’ especial, não é sobre a “cerimónia do beija-mão” que o presidente da República de Portugal protagonizará hoje perante o presidente dos Estados Unidos da América que quero escrever.

É, sim, sobre uma estátua e uma organização.

A estátua: erguida em Montalegre ao extraordinário navegador João Rodrigues Cabrilho.

 

«Navegador do Séc. XVI

que ao serviço dos Reis de Espanha

descobriu a costa da Califórnia

Natural de Lapela – Cabril – Montalegre

e figura notável da História do Mundo»

 

A organização: a Organização dos Estados Americanos é o mais antigo organismo regional de todo o mundo (recordo que foi fundado em 1948) agregando os trinta e cinco Estados independentes do continente americano (lembro: Antígua e Barbuda, Argentina, Bahamas, Barbados, Belize, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Dominica, El Salvador, Equador, Estados Unidos da América, Grenada, Guatemala, Guiana Francesa, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Saint Kitts and Nevis, Saint Lucia, Saint Vincent and Grenadines, Suriname, Trinidad and Tobago, Uruguai e Venezuela) e afirma-se como um dos principais – senão o principal – fórum governamental político, jurídico e social do Hemisfério Americano, por assim dizer.

Sempre que o caminho escolhido por alguns países não seja o do mais ‘simples’ e ‘directo’ unilateralismo, evidentemente...

Para além do mais, esta Organização concedeu já o estatuto de observador permanente a sessenta e nove Estados e à própria União Europeia.

26
Jun18

Cunhas

Ricardo Jorge Pereira

«Portugueses são os ‘reis’ das cunhas

 

Portugal é o país da UE [União Europeia] onde as pessoas mais enaltecem as boas ligações para progredir no trabalho e onde mais se queixam da desigualdade de rendimentos».

 

 

Fonte: (capa do) jornal Destak de 24 de Abril de 2018

25
Jun18

Notas para uma reflexão

Ricardo Jorge Pereira

«Notas para uma reflexão

 

Os professores perderam autoridade na sala de aula e os encarregados de educação perderam-na na sala de jantar. Há um desprezo generalizado pela experiência de vida, cada vez mais substituída pelo Google, esse oráculo infalível capaz de todas as respostas em fracções de segundo. Os velhos são descartáveis, são chatos e não encontram um lugar confortável na hierarquia social do mundo contemporâneo.

 

Por outro lado, a voracidade consumista alcandorou os putos à categoria de consumidores. Desde que são capazes de influenciar os hábitos de consumo passaram a ser levados a sério. Na maior parte das situações passaram a ser levados demasiado a sério. As sociedades actuais tendem a valorizar os designados direitos do consumidor em detrimento dos direitos de cidadania. São coisas diferentes e nem sempre compatíveis. Não é nada extraordinário ver putos a berrar porque sim, a falarem por cima dos pais, a reclamarem tudo e nada só porque lhes apetece. E porque podem. Educamos as criancinhas num vazio de valores que tudo relativiza. E os encarregados de educação, muitas vezes porque perderam o pé, encontram nos professores os bodes expiatórios perfeitos para diluírem as suas próprias insuficiências.

Vivemos na sociedade da casa dos segredos e dos brunos de carvalho; uma sociedade boçal, carente de valores que possam irmanar-nos. Perdemos a religião enquanto factor unificador e não fomos capazes de a substituir por nada. A Ética não faz sentido sem uma divindade capaz de castigar os maus e premiar os bons. Ficou o consumismo. O resultado é o que está à vista. Mais adiante nem daremos conta que já não somos livres. Nem nada que se pareça.».


Não posso dizer que concordo com tudo aquilo que Rui Silvares, da Cova da Piedade (em Almada), escreveu no texto que a rubrica “Cartas ao director” (do jornal Público) editou há alguns dias e que agora transcrevo.

Mas posso, de facto, dizer que aquilo que li se ‘enquadra’ perfeitamente em “notas para uma reflexão”.

22
Jun18

Monumento ao Infante D. Henrique, Porto

Ricardo Jorge Pereira

Foi alvo de actos de vandalismo o monumento localizado na Praça do Império, no Porto.

Repudio, quaisquer que tenham sido os supostos motivos, tais ‘momentos’ de selvajaria.

Tal como, de resto, já havia acontecido, há algumas semanas, à estátua homenageando a figura do Ardina junto à Avenida dos Aliados e à (magnífica) estação de S. Bento.

Mantenho-me, ainda assim, na cidade mas escolho um outro monumento.

Para escrever sobre ele e não para o destruir: o Monumento ao Infante D. Henrique.

 

 

«Monumento erguido por ocasião do 5º centenário do nascimento do Infante D. Henrique, a sua construção iniciou-se em 1894, na presença do Rei D. Carlos, tendo sido inaugurado em 1900. O projecto é da autoria do escultor Tomás Costa. A estátua apresenta o Infante vestido de guerreiro junto a um globo terrestre, apontando simbolicamente para além-mar. No sopé, dois grupos alegóricos representando o triunfo das navegações portuguesas e da fé.».

21
Jun18

A verdade e a liberdade de imprensa

Ricardo Jorge Pereira

Disse o jornalista Luís Costa Ribas, há alguns dias, aos microfones de uma rádio – a propósito do ‘lançamento’ do seu livro “A vida em directo” – que «a primeira vítima da guerra é a verdade».

Ora, suponho que tenha razão pois considero bastante credível o percurso profissional da pessoa em questão.

Não acho, no entanto, que apenas a guerra seja capaz de condicionar o direito das pessoas a poderem contar, por assim dizer, com informação fidedigna.

Invoco, de facto, os dados e as informações coligidos pela organização Repórteres Sem Fronteiras (ou, na língua original, Reporters Sans Frontières), baseada em França.

De acordo com estes, alguns lugares do mundo, apesar de ‘bafejados’ pela paz, não são propriamente ‘exemplos’ no que respeita à liberdade de imprensa: Canadá (18.º lugar ocupado em 2018), Austrália (19.º), Espanha (31.º), França (33.º), Reino Unido (40.º), Coreia do Sul (43.º), Estados Unidos da América (45.º), Itália (46.º), Japão (67.º) ou o Brasil (102.º), entre outros.

Portugal, lembro, ocupa em 2018, segundo a referida organização, o 14.º lugar e a Noruega o primeiro lugar.

Percebo agora muito mais claramente por que razão o imperador francês Napoleão Bonaparte afirmou, um dia, ter mais medo de três jornais do que de cem baionetas…

 

 

 

 

Post scriptum: Não me referi, na pequena enumeração feita acima, a Israel (que ‘ocupa’ o lugar 87 de tal lista), claro, pois apesar de teórica e tecnicamente viver num clima de paz vive na prática uma guerra permanente. Creio, ainda assim, vir a propósito recordar uma declaração feita pelo historiador israelita Ilan Pappé numa entrevista concedida a uma (ou a um, não me lembro) jornalista do Jornal Económico (e publicada no dia 18 de Maio deste ano): «Israel não é uma democracia, isso é um mito».

20
Jun18

Somos livres para escolher ser livres

Ricardo Jorge Pereira

Começo este pequeno texto citando, no título, Nelson Mandela.

Mas não é sobre ele que agora escrevo.

E também não é – ou, de facto, talvez seja… – sobre o cristianismo (e não só) ‘mesclado’ de algumas crenças dos locais onde estiveram os marinheiros, militares e missionários portugueses no século XVI e dos quais ainda hoje se conseguirá encontrar ‘testemunhos’ vivos em Damão, em Macau, em Malaca ou em Goa, por exemplo, que quero falar.

A verdade é que acabei de ler, há pouco, um texto sobre Goa, precisamente.

Mais especificamente, sobre a tolerância que o actual governo indiano não tem demonstrado para com a especificidade cultural de Goa.

Bem ao contrário, relembre-se, da atitude do governo chinês relativamente a Macau.

Tendo em conta um vídeo – Lost Tribe Of Africa – realizado por Asha Stuart (e disponibilizado pelo National Geographic) sobre uma tribo constituída por descendentes de escravos africanos levados para o país há mais de cinco séculos, não tenho a certeza de que a intolerância cultural (e étnica…) posta em prática em Goa pelo actual governo indiano seja específica desse mesmo executivo.

Ou seja, excluindo as diversas camadas económicas, sociais e culturais, por assim dizer, da população.

Na verdade, como já aqui tive a oportunidade de escrever, «E, como não concordo com a bondade das generalizações, tenho muitíssimas dificuldades em aceitar a validade científica da pergunta «Portugal é um país racista?»: Portugal é, sim, um país onde vivem pessoas que acreditam nas virtudes do racismo.

Como, de resto, muitas pessoas originárias de países da América, de África, da Europa, da Ásia e da Oceânia...».

19
Jun18

Outra vez Macau

Ricardo Jorge Pereira

No dia em que aterra (ou aterrou já…), em Lisboa, o secretário para a Economia e Finanças do executivo de Macau, Lionel Leong, recordo uma expressão que foi utilizada pelo jornal Correio da Manhã alguns dias antes de a Administração portuguesa deixar Macau – em 20 de Dezembro de 1999: que a contagem decrescente continuava e que Macau era «já quase chinês».

Devo dizer que tenho muitas dúvidas sobre se alguma vez deixou de o ser.

 

 

 

 

Post scriptum: Li, entretanto, sobre a real possibilidade de o Japão conceder autorização para facilitar a instalação de casinos na ilha. Ora, sabendo da experiência, antiga de décadas, acumulada por Macau no ‘campo’ do jogo e da origem maioritária das pessoas que aí se têm deslocado para jogar (do resto do ‘continente’ chinês, de Hong Kong e de Taiwan), pergunto se a dependência – excessiva? – económica e social de Macau do jogo não poderá sofrer um ‘abalo’. É que me recordo de ter visto e ouvido (na reportagem “Chão de Macau” transmitida pela SIC em 2012) o arquitecto macaense Carlos Marreiros dizer que a grande dependência da economia de Macau do jogo era grave. Imaginasse-se que, por exemplo, num futuro mais ou menos distante, Cantão [ou Guangzhou, cidade capital da província de Guangdong, em que a Região Administrativa Especial de Macau se situa e uma das maiores metrópoles da China] resolvia liberalizar o jogo: então, Macau morreria...

18
Jun18

Acautelar o futuro

Ricardo Jorge Pereira

«Como sociedade, todos temos que nos interrogar como é possível que pessoas que vivem na Alemanha e, até, nasceram e cresceram aqui, podem ser apoiantes de um grupo brutal, inumano e fundamentalista como o Estado Islâmico [EI]. Na Alemanha, o EI ameaça tornar-se um refúgio para jovens frustrados com a ausência de perspectivas de futuro.».

Estas foram algumas das palavras proferidas pela vice-presidente do parlamento alemão (o Bundestag), Claudia Roth, numa entrevista concedida ao jornal Die Welt e que foi publicada no início de Outubro de 2014 na sequência de confrontos, em Hamburgo, entre membros de grupos muçulmanos rivais.

Subscrevi e subscrevo por completo estas palavras sugerindo que a nossa indignação enquanto membros da sociedade – na alemã, na francesa, na espanhola ou na portuguesa, entre outras – não se fique, apenas, nas interrogações mas que nos leve a agir.

E, acrescento, de forma urgente.

Até porque nem creio que seja assim tão difícil perceber que qualquer ideário xenófobo e extremista (como o defendido – e executado – pelo EI, por exemplo) tem procurado e procurará sempre tornar-se «um refúgio para jovens frustrados com a ausência de perspectivas de futuro» preenchendo, assim, uma espécie de vazio originado pelo fracasso dos modelos de socialização propostos (impostos…) pelos sistemas de organização social, económica e cultural tradicionais.

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