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31
Out18

Poupança e abundância

Ricardo Jorge Pereira

Assinalando-se hoje o Dia Mundial da Poupança parece-me perfeitamente oportuno transcrever uma pequena parte de um texto publicado pelo economista canadiano John Kenneth Galbraith – em língua portuguesa, “A sociedade da abundância” (foi 1984 o ano da edição portuguesa).

 

«A experiência que as nações têm do bem-estar é demasiado curta. Quase todas, através da História, foram muito pobres. A excepção, quase insignificante em relação ao total da existência humana, foram as gerações recentes neste relativamente pequeno canto do mundo habitado pelos Europeus. Aí e principalmente nos Estados Unidos, tem havido uma grande abundância, praticamente sem precedentes. (…).

Não seria de esperar que as preocupações com a pobreza fossem importantes num país em que o individuo comum tem acesso a coisas agradáveis – comidas, divertimentos, transporte pessoal, canalização nas casas – que há um século nem os ricos podiam ter. A mudança foi tão grande que muitos dos desejos do indivíduo nem sequer são evidentes para ele próprio. Só se tornam evidentes quando elaborados e alimentados pela propaganda e pela técnica de vendas.».

30
Out18

O fim da história?

Ricardo Jorge Pereira

Esqueci-me, no post que ontem aqui deixei, de abordar a ‘conclusão’ da obra de referência do cientista político norte-americano Francis Fukuyama.

Ora, a eleição, em diversas latitudes, de muitos agentes políticos considerados ‘populistas’ e/ou ‘defensores da ideologia de extrema-direita’ é mais uma prova de que o postulado proposto em “O fim da história e o último homem” logo após a ‘queda’ da URSS no início da década de 1990 – de que a democracia liberal iria triunfar em todo o mundo (leitura por muitos feita apesar do referido autor ter já vindo a público explicar que as suas ideias foram deturpadas…) – era “precipitada” e “apressada”.

29
Out18

As leituras do eleito

Ricardo Jorge Pereira

Jair Bolsonaro.

É este o nome da pessoa que ocupará, nos próximos quatro anos, a presidência do Brasil.

Mantenho, efectivamente, tudo o que já aqui escrevi há alguns dias: quem quer que viesse a ser o Presidente do Brasil nada mais seria do que mero ‘boneco’ nas mãos dos credores internacionais.

Independentemente disso (ou seja, dos testas-de-ferro supostamente escolhidos pelo voto popular), creio, no entanto, ser ainda relevante citar ‘pedaços’ de uma entrevista publicada na edição impressa do jornal Negócios (no pretérito dia 19 de Outubro) feita a Alexandre Schwartsman – economista brasileiro, ex-director de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil (entre 2003 e 2006) e ex-economista-chefe do banco Santander no país porque me parecem ajudar a explicar a eleição da ‘personagem’ Bolsonaro e porque penso que se estendem, por assim dizer, a muitos outros lugares (a Portugal, por exemplo).

Ou seja, porque permitem uma dupla leitura: uma interna e outra externa.

 

«a sociedade está profundamente doente e o Bolsonaro é a expressão da sociedade.»; «A gente não vai botar a culpa em Portugal. Tivemos 200 anos para mudar e a gente não mudou. A gente vai colher o que plantou.»; «Na verdade, a sociedade brasileira está desencantada com a democracia. Porque os resultados têm sido ruins. Porque a elite política deste país, de alguma maneira, frustrou as pessoas. Elas olham para a política e não vêem lá ninguém que as represente.»; «Ele [Jair Bolsonaro] será o próximo Presidente da República. Sem rigorosamente nada na cabeça. É uma pessoa desarticulada. Se a gente acha que a Dilma [Rousseff] era desarticulada – e ela é –, a gente não viu o Bolsonaro falar. Consegue ser pior.».

 

E sobre a eleição (também no dia 8 de Outubro) para o Congresso (órgão político e institucional semelhante ao parlamento português) brasileiro: «Só trocaram as moscas. É aquela história, o soldado que está ferido e alguém espanta as moscas. Por amor de Deus, aquelas moscas já estavam saciadas, agora você trouxe moscas novas. O pessoal vem com uma sede danada.».

26
Out18

«A sociedade é assim»...

Ricardo Jorge Pereira

A não ser que algo me proporcione o riso não é habitual tê-lo enquanto estou a olhar para uma qualquer montra de uma loja.

Foi, no entanto, isso mesmo que aconteceu quando, há algum tempo, li a ‘mensagem’ que estava inscrita num azulejo (ambos idealizados, já agora, na Fábrica Sant’Anna).

(Acrescento, apenas, que esse sorriso não se deveu, em minha opinião, claro, por esta mesma ‘mensagem’ ser constituída por um conjunto de frases totalmente falsas e sem um “fundo” de verdade…).

 

«A sociedade é assim:

O pobre trabalha

O rico explora-o

O soldado defende os dois

O contribuinte paga pelos três

O vagabundo descansa pelos quatro

O bêbado bebe pelos cinco

O banqueiro “esfola” os seis

O advogado engana os sete

O médico mata os oito

O coveiro enterra os nove

O político vive dos dez».

25
Out18

A origem da fé

Ricardo Jorge Pereira

O médico psiquiatra austríaco Sigmund Freud – considerado o pai da psicanálise – escreveu várias cartas a James Jackson Putnam, neurologista norte-americano.

Cito, de facto, um excerto de uma delas (escrita no início de 1910):

 

«A religiosidade encontra-se biologicamente relacionada com o prolongado despojamento e a contínua necessidade de protecção do ser humano durante a infância; quando, mais tarde, o adulto reconhece o seu abandono real e a sua fraqueza perante as grandes forças da vida, reencontra-se numa situação semelhante à da infância e procura então desmentir essa situação sem esperança ressuscitando, pela via da regressão, as potências que o protegiam em pequeno.».

24
Out18

"Made in...China"

Ricardo Jorge Pereira

Não creio ser uma novidade para quem quer que viva em Portugal (e não só, claro) dizer-se que uma percentagem muito significativa dos produtos à venda nas lojas são fabricados na República Popular da China.

Mas nem sempre assim foi.

Ora, escassos dias depois da realização, em Bruxelas, da reunião “Ásia-Europa” e no dia posterior à inauguração de uma ponte com 55 quilómetros de extensão ligando Hong Kong, Zhuhai e Macau, parece-me ser oportuno lembrar um excerto de um trabalho escrito pelo jornalista e autor galês Ernest Edwin Williams no final do século XIX intitulado “Made in Germany”…

 

«Olha à tua volta, amigo leitor: verás que o tecido de algumas peças do teu vestuário foi com certeza tecido na Alemanha. E, mais provavelmente ainda, que algumas roupas da tua mulher são de importação alemã (…). Em cada recanto da tua casa encontrarás a marca fatídica, desde o piano do escritório até às chávenas da cozinha (…). Apanha do chão o papel de embalagem de um pacote de livros: também ele foi feito na Alemanha. Lança-o ao fogo e repara que o atiçador que tens na mão foi forjado na Alemanha. Ao levantares-te, derrubas um vaso que se encontrava junto à chaminé e, ao apanhar os cacos, lês no pedaço que constituía o fundo: Made in Germany.».

23
Out18

Para venda

Ricardo Jorge Pereira

Drake.

Portando o apelido do famoso navegador e corsário inglês Francis Drake, assim se chama a ilha britânica (localizada no Sudoeste de Inglaterra) que está para venda.

Ou, como dizem por esses lados, “for sale”.

Continuei a ler: desde que desembolse perto de sete milhões de euros, qualquer pessoa poderá adquirir um pouco da história do país já que esta ilha (com uma dimensão pouco maior do que dois hectares) foi um importante bastião (fortificada no século XVII) na defesa da costa britânica. ‘Converteu-se’, mais tarde, numa prisão de Estado.

Ora, admito a minha perplexidade ao ler esta notícia.

Que não é tributária, no entanto, do facto ser uma novidade na Europa (ou no mundo…).

Tal deve-se, na verdade, ao facto de que, em minha opinião evidentemente, tal venda extravasa a simples venda de património físico: é, sim, a venda de uma parte da História de um país. E de pessoas.

Compreendo que, numa época em que (quase?) tudo parece ter um preço e, assim, se pode vender e comprar (como escreveu o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein, «A razão de ser do capitalismo é a eterna acumulação de capital»), a alienação de património histórico e cultural mais não seja do que uma venda de um bem como qualquer outro.

Compreendo mas desprezo este tipo de atitude pelo que não abdico de pensar que o mundo precisa urgentemente de verdadeiros líderes que, por serem isto mesmo, respeitem a História como um dos ‘pilares’ identitários essenciais do ser humano.

22
Out18

A liberdade e a tolerância

Ricardo Jorge Pereira

Quando, há pouquíssimos dias, li que as autoridades da Arábia Saudita tinham admitido que o jornalista Jamal Khashoggi havia sido assassinado na sede da sua representação consular em solo turco no passado dia 2 de Outubro, não consegui deixar de me lembrar de um livro intitulado “Direito a ofender” (escrito pelo jornalista e escritor britânico Mick Hume) e de uma frase escrita pelo filósofo austríaco Karl Popper no seu livro “A Sociedade Aberta e os seus inimigos”.

Ora, as ideias fundamentais de “Direito a ofender” são a de liberdade para se poder dizer o que se quer e a de tolerância para se aceitar essa mesma liberdade.

Trata-se, no fundo, de se ‘exercer’ aquilo que já no século XVIII tinha sido dito pelo filósofo francês do Iluminismo – Voltaire: «discordo do que dizes mas defenderei até à morte o direito de o dizeres».

A frase de Karl Popper: «Temos pois de proclamar, em nome da tolerância, o direito de não sermos tolerantes com os intolerantes».

Parece-me, enfim, que às autoridades sauditas – e, já agora, a muitos dos hipócritas que agora as criticam... – falta ainda muito ‘caminho’ para poderem estar ‘aptas’ a defenderem e a respeitarem verdadeiramente a liberdade e a tolerância.

19
Out18

A luta continua...

Ricardo Jorge Pereira

«A Ilustração parece ser arte amável, mais dada à metáfora e à erudição, a reboque de outras artes, sem gritar ou conspirar na rua. O trabalho duro parece sobrar para os parentes de mau feitio congénito, como o cartune e a caricatura. E no entanto, ao longo dos tempos, muita revolução, muita luta, mesmo surda ou cínica, contra ismos e tiranos, se forjou também na ilustração de livros, cartazes e jornais, militante de causas e sonhos. A ilustração, mais solta do olho da censura que o desenho de humor, fez-se cúmplice e motor de futuros adiados. A mostra passeia-se por 140 anos deste pedaço das artes visuais portuguesas, em síntese manifestamente fragmentária. Acompanha o afiado realismo literário oitocentista à volta dos deserdados da fortuna, grita o insuportável contraste social dos anos vinte e passeia-se pelo sofrido Alentejo do lirismo neorrealista. Acompanha o Estado Novo com corrosivas radiografias ao regime em decomposição e o neorrealismo tardio que se arrasta até aos anos setenta. Por estes anos encarniça-se contra a moral burguesa, prega a libertinagem sexual e engaja-se ingenuamente nas utopias igualitárias que Abril nos deu. Testemunha nas décadas seguintes a desilusão pelas revoluções falhadas e vinga-se em zombarias ao establishment político e artístico, parodiando a já estafada iconografia oficial das esquerdas, acabando os noventa em corrosivos retratos do capitalismo de charuto e cartola. E continua este novo século com empenhados franco-atiradores de tinta e photoshop, em individualismos e coletivos de qualidade cívica que se batem por novas causas como a igualdade de género e a cidadania militante, aproveitando o éter digital e teimando em empurrar o mundo pr’á frente, que a estupidez e a injustiça humanas, tal como a ilustração, são eternas.».

 

Ou infinitas…

São estas as palavras (escritas por Jorge Silva) que iniciam a ‘viagem’ pela exposição “A luta continua! 140 anos de Ilustração Portuguesa” que está patente na Casa da Cerca, em Almada.

Recomendo, na verdade, no ano que se comemora o Património Cultural presente na Europa – e se recorda e assinala (espero) a sua imensa importância –, uma visita muito atenta a este magnífico espaço de Almada com séculos de história para contar seja sob o pretexto de ver esta ou outra qualquer exposição.

18
Out18

Talvez nem quatro, nem seis...

Ricardo Jorge Pereira

Acabei de ler um texto sobre as personalidades humanas.

Parece que existem quatro tipos.

Admito que possam, sim, ser quatro pois não sou psicólogo (nem psiquiatra).

Quero, de qualquer das formas, citar alguém que também o não foi.

De facto, William James, um filósofo (de nacionalidade norte-americana), explicou há muitos anos o seguinte: «Quando duas pessoas se encontram há, na verdade, seis pessoas presentes: cada pessoa como se vê a si mesma, cada pessoa como a outra a vê e cada pessoa como realmente é».

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