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30
Mai18

A agenda do futuro

Ricardo Jorge Pereira

Ao ler, há dias, o artigo que a agência Bloomberg publicou no seu sítio – “Forget New Robots. Keep Your Eye on the Old People.” – não consegui deixar de pensar, mais uma vez, no que se passa em Portugal no que ao envelhecimento das pessoas diz respeito.

Mas o que é que está a ser feito?

Ao nível político, por exemplo?

Acredito que pouco.

Muito pouco.

Para além, claro, da mudança de nome da espécie de depósitos onde têm vindo a ser e são colocados os velhos: já não se chamam lares mas sim casas de repouso.

No entanto, a sua ‘função’ não mudou: ‘ajudar’ os seus utentes a aguardar serenamente pela chegada da morte…

Recordei-me, quase imediatamente, daquilo que já aqui escrevi no blogue sobre a comunidade e a sociedade e de um pequeno diálogo que mantive com uma profissional que se ocupava (e creio que se ocupa ainda) da problemática relacionada com a chamada gerontologia combatendo, pois, essa indiferença cega que grassa na sociedade portuguesa e nas sociedades do ‘Ocidente’ (ou melhor, em quase todas as sociedades ‘ocidentais’).

 

Assim, a pergunta: «Estamos a preparar alguns eventos na área de gerontologia. Atendendo à sua área profissional, aproveito para questionar se tem conhecimento de algum povo com costumes especiais no respeito e valorização dos idosos?».

 

E um excerto da minha resposta: «Saúdo-a, também, por se preocupar com o “assunto” da gerontologia.

******: as alterações nas sociedades do mundo no que ao ‘papel’ dos mais velhos diz respeito têm sido profundas. A chamada globalização tem feito o seu caminho, por assim dizer.

De qualquer das formas, posso dizer-lhe que em muitas das sociedades tradicionais da Terra é possível encontrar, ainda, o respeito e a valorização dos idosos de que falava.

Exemplos de sociedades tradicionais (em Portugal e no resto da Europa [Ocidental] isto já não existe…) onde, por exemplo (desculpe repetir-me), os mais velhos vivem com os seus filhos e netos (uma família extensa ou alargada) na mesma “casa”: tribos esquimós no Canadá e na Rússia, tribos índias no Brasil, povos/tribos em África (os Masai no Quénia e povos na Guiné Bissau, em Angola ou em Moçambique, etc.) ou povos na Ásia (na China ‘rural’, no Vietname, na Mongólia ou na Índia, etc.).

Veja-se, também, em Angola e em Moçambique, sobretudo, o caso dos régulos das aldeias.

São, de facto, alguns exemplos de povos e/ou tribos ligados à terra e ao mar.

Ligados, claro, em termos das suas actividades de subsistência (agricultores, pescadores e, no caso dos Masai, pastores).

Exemplos que exibem, ainda, o respeito pelos mais velhos e a valorização da sua experiência de vida.

Não como o que se passa em Portugal.».

 

Um exemplo mais: decorreu em Coimbra no início do passado mês de Outubro uma conferência internacional sobre envelhecimento e tecnologia.

Ora, a divulgação mediática deste evento terá sido nula.

Mais uma oportunidade perdida…

 

 

 

 

Post scriptum: esta ausência mediática ‘encaixa’ perfeitamente, se se quiser dizer assim, em minha opinião, nas palavras utilizadas pela advogada Rita Garcia Pereira no texto “Big Show Sic” que a edição impressa do Jornal Económico publicou no fim do pretérito mês de Abril: «O chamado quarto poder, isto é, a Comunicação Social apresenta-se, muitas vezes, diria até, demasiadas vezes, como uma espécie de arauto das virtudes e da independência quando, em rigor e em larga medida, obedece a agendas que são tão ocultas quanto a dos políticos.».

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