Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

uso externo

uso externo

21
Mai18

A generalização do diálogo e do desenvolvimento

Ricardo Jorge Pereira

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento.

É, pois, creio, uma excelente ocasião para recordar os ‘resultados’ do estudo – o Eurobarómetro – levado a cabo pela Comissão Europeia em Outubro de 2017 dedicado à percepção da integração de imigrantes no seio da União Europeia: “Special Eurobarometer 469 – Integration of immigrants in the European Union.

Nele se observou que, por exemplo, actualmente, «cerca de 37 milhões de pessoas nascidas fora das fronteiras da União Europeia aqui residem o que perfaz perto de 7% da sua população total» e se concluiu que «apenas uma minoria de cidadãos europeus afirma estar bem informada relativamente à imigração e integração dos respectivos imigrantes nos seus países».

Ora, o que discuto não é, evidentemente, tais observações e conclusões enquanto fornecedoras de dados indicativos e susceptíveis de serem, até, ampliados qualitativamente, por assim dizer.

O que discuto é, sim, a metodologia que foi utilizada para realizar tal estudo e, pois, ‘extrair’ dela as informações consideradas necessárias: através da realização de 28.080 e de 1.099 entrevistas directas pessoais na União Europeia e em Portugal, respectivamente.

Se se pensar que a população que reside em países que integravam (e integram, pois) a União Europeia era (é) superior a 500 milhões e se se considerar que a própria população que vivia (e vive) em Portugal era (é), apenas, de 10 milhões de pessoas, julgo ser oportuno questionar-se a ‘legitimidade’ não, claro, da metodologia utilizada mas da ‘ampliação’ e, enfim, da generalização das conclusões feitas.

Assim – e até porque não foi dito a quem exactamente foram feitas essas referidas entrevistas directas pessoais – creio que tais conclusões serão ‘válidas’, apenas e só, para os participantes deste eurobarómetro.

De facto, na verdade, mais de 70% dos inquiridos em Portugal tinham a percepção de que a integração de cidadãos imigrantes estava a ser “bem-sucedida” na dita sociedade de acolhimento e que essa integração e/ou inclusão “bem-sucedida” deveria resultar de uma responsabilidade partilhada entre essa mesma sociedade de acolhimento e os imigrantes.

Confesso que à medida que estou a escrever estas palavras estou a lembrar-me de uma ‘passagem’ do livro “Com os holandeses” de José Rentes de Carvalho: «O português, por seu lado, atira-se de joelhos diante do estrangeiro. O que vem de fora é bom a priori. Homem que a miséria secular entranhou, e ainda por cima sentimentalão, tendo herdado dos árabes um sentido da hospitalidade que toca o absurdo, se o estrangeiro lhe bate à porta considera aquilo uma honra, mortifica-se para lhe dar o que tem, endivida-se para lhe dar o que não tem.».

Outra vez as generalizações...

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D