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23
Jul18

Ainda a escravatura: a antiga e a moderna

Ricardo Jorge Pereira

Já aqui escrevi sobre o núcleo museológico que, ao que tudo indica, será construído em Lisboa sobre os Descobrimentos que os portugueses – ou melhor, parte deles – fizeram em determinado período da história de Portugal.

Ora, o nome que irá ser atribuído a tal museu tem suscitado discussões mais ou menos ‘acaloradas’ – e, também, mais ou menos democráticas… – consoante ‘onde’ os interlocutores se situem: de um lado têm estado os que consideram que Portugal ‘utilizou’ os Descobrimentos não apenas para chegar a muitas terras e a povos até então desconhecidos para muitos mas também para ‘descobrir’ formas de explorar, física e espiritualmente, muitos dos seres humanos ‘descobertos’ – a escravatura –, e do outro lado têm estado aqueles para quem os ‘esquemas’ da escravatura postos em prática por esses portugueses ‘descobridores’ foi não mais do que um mero detalhe comum a muitos outros”povos descobridores” dessa época como o espanhol, o inglês, o holandês ou o francês.

Posto isto, enquanto que reconheço que Portugal foi, no contexto dos chamados descobrimentos, responsável por ‘ampliar’ – e não por criar – o comércio escravo como o transporte de milhões de pessoas de África para a América ou a vinda de milhares de africanos para serem explorados pelos seus senhores em Portugal, defendo que esse museu poderia ser designado por “Museu dos Descobrimentos portugueses”.

Mas ‘isto’ não é mais do que história e um nome de um museu.

Tenho, assim, que relativizar…

O que, de facto, me preocupa muito mais é que em pleno século XXI se continuem a verificar situações que configuram escravatura.

E muitas delas têm lugar em países ditos civilizados: num documento elaborado em conjunto com a Organização Internacional do Trabalho, a Walk Free Foundation revelou, através do “Global Slavery Index”, de 2018, existirem mais de 40 milhões de escravos em todo o mundo e, mais recentemente (e mais detalhadamente), 403 mil nos Estados Unidos da América ou 136 mil no Reino Unido, por exemplo.

Ou seja, é claro que o passado é muito importante.

E o presente?

E o futuro?

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