Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

uso externo

uso externo

24
Jul18

Anões e gigantes

Ricardo Jorge Pereira

Sempre que ouço ou leio alguém argumentar que Portugal é um país pobre lembro-me de, nos meus tempos de estudante, por assim dizer, um colega (por sinal, bem mais velho do que eu e muitos dos meus restantes companheiros) me ter contado um ‘episódio’ que se tinha passado consigo: certo dia – num contexto que esqueci já –, uma pessoa natural da Suíça ter-lhe-ia dito “mais ou menos isto”: «Se nós, os suíços, governássemos Portugal, este [Portugal] seria o país mais rico e desenvolvido da Europa».

Evidentemente que tal testemunho me foi transmitido de maneira informal e sem qualquer validade científica (não sabia, de resto, se esse diálogo – e respectivo ‘conteúdo’, claro – teria realmente acontecido).

Terá sido, portanto, uma espécie de desabafo.

Ora, atentando eu no lugar do país “Suíça” – e no de cidades suíças – em vários, mais antigos e mais recentes, estudos a propósito da qualidade de vida permitida aos seus cidadãos, e comparando-o com o lugar de Portugal no que refere a esta mesma qualidade de vida, tenho vindo a perguntar-me (mentalmente, pois) se, mesmo que subjectivamente, não poderia encarar como verdadeiro o suposto conteúdo dessa frase.

A minha resposta: sim.

Infelizmente.

Até porque a Suíça não tem acesso directo ao mar, se se quiser dizer assim, nem a totalidade do seu território alcança a fabulosa dimensão de cerca de 1.7 milhões de quilómetros quadrados de superfície, nem (citando, novamente, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, «O que existe no fundo do mar não é só petróleo, nem minerais, ouro, cobre, cobalto, manganês. Parece que temos tudo isso e muito de tudo, principalmente minerais, mas em matéria de aproveitamento económico, o que nos interessa é a exploração de organismos vivos, genéticos, biológicos para a farmacêutica, para a biotecnologia azul. O nosso alvo são os medicamentos, a área da saúde e da cosmética. E para isso não é preciso abrir crateras. Também podemos potenciar as energias oceânicas.»), nem integra, simultaneamente, a Comunidade de Estados Ibero-Americanos, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa e a União Europeia, nem…

Existe na Suíça, de facto, um provérbio – “As palavras são anões; os exemplos são gigantes” – que penso que ‘serviu’ e ‘serve’ a muitos gestores de Portugal (agentes políticos, bem entendido) e a muitos gestores de outros países “por esse mundo fora” (como os suíços, por exemplo): uns, porque não tiveram – e não têm – conseguido ultrapassar a mera retórica e os outros porque, apesar de se não servirem de palavras ‘bonitas’, fizeram e fazem...

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D