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15
Fev18

Costa da Caparica. Um Brasil em Portugal

Ricardo Jorge Pereira

Lembro-me de, no início dos anos 2000, ter precisado de pesquisar sobre o local onde vivia (que era, igualmente, o local onde sempre havia vivido: Almada).

Li, por exemplo, algumas palavras que tinham sido escritas por um vereador da edilidade almadense com o pelouro dos serviços municipais socioculturais, do desporto, da informação e do turismo – António Matos – na publicação camarária “Almada Informa – Agenda” datada de Julho/Agosto de 2003: «Um espaço de encontros e cruzamentos de universos culturais diferentes e que na sua diversidade constituem um importante traço identitário da comunidade que somos – aberta, multicultural, intergeracional».

E anotei o conteúdo do diálogo que consegui manter com o responsável do então Departamento de Acção Sociocultural da Câmara Municipal de Almada, Domingos Rasteiro: «Onde é que se situam mais estas pessoas [imigrantes oriundos, sobretudo, de África, do Leste Europeu e do Brasil]? Sobretudo no Monte da Caparica que é uma zona, por tendência, de realojamento social e, portanto, uma zona de bairros sociais e, portanto, pelas suas condições económicas e sociais há ali uma grande atracção para haver um grande número destas pessoas e também na Costa da Caparica por diversas razões: porque é trabalho sazonal, porque há também ali uma zona de alojamentos provisórios»1.

Tal vem a propósito de uma espécie de aula aberta (ou uma palestra, se se quiser dizer assim) do Prof. Milton Júlio de Carvalho Filho, da Universidade Federal da Bahia, no Brasil, com o muitíssimo interessante título “Costa da Caparica. Um Brasil em Portugal” nas instalações do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa dada em fins de Janeiro passado.

Revelou, por exemplo, que, no que respeitava aos destinos da emigração brasileira, o primeiro lugar era ocupado pelos Estados Unidos da América, o segundo pelo Japão, o terceiro pelo vizinho Paraguai e o quarto por Portugal.

Arroios (no concelho de Lisboa), Cacém (no concelho de Sintra), Ericeira (no concelho de Mafra) e Costa da Caparica (no concelho de Almada) constituíam-se como as áreas preferidas no país.

Abordou, igualmente, um aspecto em que – confesso – nunca tinha pensado com o ‘enquadramento’ devido: o da vivência no espaço público e também, em certa medida, no espaço privado.

Vivências diferentes em locais diferentes já que os hábitos sociais e, claro, culturais, eram e são, naturalmente, diferentes também.

 

 

 

1 Devo, já agora, dizer que a edilidade almadense (através do referido dr. Rasteiro) me pareceu ter, independentemente do conteúdo da ‘entrevista académica’ que me estava a ser concedida, algum défice de informação em relação às comunidades migrantes (imigrantes, sobretudo) e, concretamente, em relação à sua disposição geográfica pelo território do concelho: «eu não sei onde é que isso está porque isso não são coisas que estão concentradas em documentos. Não há estudos sistematizados sobre isso. Está em relatórios, está em coisas muito dispersas. (…) Não teria isso aqui assim muito à mão mas houve vários estudos que se fizeram durante os programas da pobreza, de extinção da pobreza. Portanto, são programas nacionais a que Almada aderiu e nessa base foi produzido um diagnóstico sobre estes problemas. Provavelmente poderia, com algum tempo, arranjar-lhe esses elementos».

No entanto, mesmo depois de um pedido posterior – e até hoje... –, não me foi dada qualquer resposta.

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