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10
Jul18

D. Dinis e a fronteira de Portugal

Ricardo Jorge Pereira

Diz um pequeno texto que há tempos encontrei no Museu do Dinheiro, em Lisboa, o seguinte:

 

«Com apenas 17 anos, D. Dinis (1261-1325) iniciou um longo reinado que o consagrou como um dos monarcas de maior relevância na sua época. Fixou as fronteiras de Portugal, cuja configuração é a mais antiga da Europa, e impulsionou estrategicamente o comércio nacional e internacional. A ele se deveu a grande importância dada, nesta época, ao ensino, à língua portuguesa e à cultura – merece destaque o vasto legado trovadoresco da sua autoria.».

 

Ora, devo relembrar que a este interesse pela cultura e pela língua portuguesa não foi seguramente alheio o facto de D. Dinis ter sido o primeiro rei português que sabia ler…

Mas quero dizer, também, algumas coisas em relação à frase «Fixou as fronteiras de Portugal, cuja configuração é a mais antiga da Europa,».

Na verdade, como já aqui escrevi, «Se, de facto, o tratado de Zamora, assinado, em Outubro de 1143, por D. Afonso Henriques e o seu primo Afonso VII de Leão e Castela, levou ao “nascimento” daquele que pode ser, actualmente, considerado um dos mais antigos Estados-nação do mundo, o tratado de Alcanizes, por sua vez, tendo sido assinado em 1297 por D. Dinis e por D. Fernando de Leão e Castela «definiu os limites do território continental português, que não tiveram alteração posterior, à exceção da perda de Olivença em 1801», como refere um artigo de apoio do portal Infopédia.».

Ou seja, o facto de se considerar que a configuração fronteiriça portuguesa é a mais antiga da Europa só é válida (e talvez verdadeira, não sei) se considerarmos que os seiscentos e cinquenta e oito anos que mediaram 1143 e 1801 era a ‘duração’, em 1801, mais antiga na Europa relativamente à configuração fronteiriça de um dado país não sendo, pois, correcto nem verdadeiro considerar-se que Portugal tem as fronteiras mais bem definidas – no que se refere à sua antiguidade – no continente europeu (de 1143 até hoje, 10 de Julho de 2018) “esquecendo-se” o roubo e a não devolução (com ou sem aspas) de Olivença...

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