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14
Jun18

De todos e com todos

Ricardo Jorge Pereira

Escrevo agora sobre o conjunto de jogadores que o seleccionador da equipa nacional de futebol, Fernando Santos, escolheu para integrar a equipa principal que participará no Campeonato Mundial da modalidade que hoje se inicia na Rússia.

Mas não escrevo sobre os argumentos e/ou as justificações técnicas dadas por Santos.

Escrevo, sim, sobre as ‘amplitudes’ geográfica, social, económica e cultural que me parecem existir em tal escolha de jogadores.

É claro que admito a possibilidade de existir uma ‘leitura’ idílica sobre estas amplitudes: entre os jogadores escolhidos encontram-se ‘representantes’ de quase todas as regiões portuguesas (à excepção, segundo me pareceu, do arquipélago dos Açores) e mesmo de outras latitudes, na Europa (em França e na Alemanha), em África (em Cabo Verde e em Angola) e na América (no Brasil) com as quais Portugal partilha uma relação forjada na emigração e na colonização. E até um cigano…

Esta escolha permitiria, de acordo com esta perspectiva, acrescentar um ‘capital’ de simpatia ao percurso da selecção portuguesa de futebol neste campeonato já que muitas das mais de duzentas e cinquenta milhões de pessoas que vivem na “Lusofonia” – e não só – sentiriam que aquela selecção, apesar de estrangeira, as representaria, de certo modo.

A actual selecção portuguesa de futebol seria, assim, uma espécie de extensão ao campo desportivo da componente étnica e identitária que, actualmente, se vive na sociedade portuguesa e, simultaneamente, uma certa imagem do lugar que Portugal pretende projectar no mundo: um lugar inclusivo e multicultural. De todos. Com todos.

Poderia até apetecer relembrar o lema dos primeiros Jogos da Lusofonia que, em 2006, tiveram lugar em Macau – «quatro continentes, uma língua, unidos pelo desporto» – e, embora modificando o número de continentes representados e o contexto em que, originalmente, serviu, ‘aplicá-lo’, hoje, à principal selecção portuguesa de futebol.

Ora, a minha visão não é assim tão ‘romântica’…

Efectivamente, se para uns quantos sortudos representantes de Portugal não existem quaisquer dificuldades burocráticas relacionadas, por exemplo, com o acesso à nacionalidade (e à cidadania) portuguesa – e a ‘tudo’ o resto, claro –, para muitos imigrantes (e respectivos descendentes) africanos ou brasileiros, por exemplo, essas dificuldades burocráticas têm sempre sido a norma.

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