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uso externo

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11
Jun18

Entropias gestoras

Ricardo Jorge Pereira

Já aqui escrevi muitas vezes sobre o turismo até porque cada vez estou mais convencido de que este é (e poderá continuar a ser) decisivo para o ‘desempenho’ da economia portuguesa…

Existem, no entanto, dois planos de análise sobre este «poderá continuar a ser»: um externo e outro interno.

Começo pelo externo.

É evidente que não depende das autoridades portuguesas a decisão de não se verificar uma crise económica e financeira no mundo ou a de um atentado terrorista em solo português.

E prossigo pelo nível interno: é certo que a enorme dependência da economia do país em relação ao fenómeno turístico já é, naturalmente, da responsabilidade das autoridades portuguesas e admito que tenho imensas dúvidas da ‘justeza’ dos elogios dados, há meses, pelo secretário-geral da Organização Mundial de Turismo, Zurab Pololikashvili, durante uma visita a Portugal.

Na verdade, parece-me muito mais grave o facto de que quem tem a responsabilidade de estabelecer as políticas referentes ao turismo e as próprias entidades patronais mais directamente a ele ligadas não consigam perceber os verdadeiros desafios que o sector vai ‘pedindo’ (e, com toda a certeza, pedirá’) do que o facto – como li há alguns dias – de os empregados de alguns subsectores do sector turístico (como os dos restaurantes, por exemplo) não possuírem as qualificações académicas e profissionais que se lhes poderiam – e deveriam?? – ser exigidas.

Por exemplo, o já por mim citado artigo “How cultural diferences cause dimensions of tourism satisfaction(assinado por Lindsay W. Turner, Yvette Reisinger e Lisa McQuilken em 2001 e publicado no Journal of travel & tourism marketing) assinalou que «um turista asiático poderá considerar a aparência física dos membros da equipa de um restaurante extremamente importante no momento de degustar uma refeição. Uma camisa suja ou ‘desalinhada’ poderá, até, ser entendida como uma falta de respeito.».

E, de forma que me parece ser muito importante, enfatizou: «os gestores ligados ao fenómeno turístico deveriam preocupar-se em medir o grau de satisfação do turista porque aquele irá determinar se este regressará.».

Mário Baptista, no seu Turismo – gestão estratégica (de 2003), observou que «as situações analisadas são elucidativas dos cuidados a ter nos destinos, sobretudo por parte dos profissionais do turismo, no relacionamento com turistas de diferentes nacionalidades e estatutos económicos, sociais e culturais, pois um mau juízo e/ou um atendimento inadequado poderão constituir o principio de um desagrado, ainda que não consciente e imediatamente assumido pelo turista. Conclui-se, portanto, que a percepção da matriz cultural do grupo social em que se enquadram os consumidores potenciais é indispensável, não só para identificar e conceber o conjunto de equipamentos, serviços e atracções que os satisfarão, como também para definir as mensagens promocionais que os sensibilizem e mobilizem.».

Da mesma maneira, Ángel Rico (em meados de 2013, o presidente do Instituto Hispano-Luso), numa declaração que consta do texto Como conquistar os turistas mais próximos e que foi publicado pela revista da Associação de Turismo de Lisboa em Abril de 2013, considerou que «para a indústria turística portuguesa é importante conhecer as exigências dos potenciais turistas. De forma subtil, há que saber oferecer aquilo que os turistas querem que se lhes ofereça, mas de maneira diferenciada – mais do que esperar que os turistas aceitem as propostas de cada empresa turística de forma individual, semelhantes a muitas outras. Para tal, devem adaptar-se as mensagens, os serviços, os equipamentos e os pacotes turísticos às exigências de um mercado seguro.».

 

 

***

 

 

Assinalei no passado sábado, dia 9 de Junho, um ano desde que comecei a escrever no blogue “uso externo”.

Creio ser uma excelente ocasião para fazer minhas as palavras proferidas pelo filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein: «Os limites da minha linguagem marcam os limites do meu mundo»...

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