Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

uso externo

uso externo

29
Jan18

Holocaustos e telhados de vidro

Ricardo Jorge Pereira

Assinalaram-se no passado sábado 73 anos da libertação do campo de concentração e extermínio de Auschwitz (o tal que tinha inscrita no portão de acesso a ‘divisa’ cínica Arbeit Macht Freio trabalho liberta»].

Optou-se, por isso, há alguns anos, de o passar a recordar como o Dia Internacional da Memória do Holocausto.

Recorde-se que ao assassinato metódico de milhões de judeus (sobretudo judeus mas não só) europeus pelos adeptos do nacional-socialismo alemão optou por atribuir-se o nome de Holocausto – ou de Shoah.

De facto, este mecanismo de extermínio ‘serviu-se’, em grande medida, do caos provocado pela Segunda Guerra mundial o que, aliás, provaria, mais tarde, que tudo foi executado com extremo pormenor e calculismo: não foi, certamente, por acaso que o historiador britânico Nicholas Stargardt disse já que «desde 1942 que a Shoah era conhecida dos Alemães».

Isto é, da esmagadora maioria do povo germânico.

Efectivamente, uma das coisas que sempre me impressionou nesta barbárie tem a ver com a dicotomia executantes-executados: como é que pessoas que participavam, activa ou passivamente, nessas atrocidades conseguiam, depois, no seu íntimo, ir à igreja e dialogar com Deus, cuidar do seu jardim ou tomar parte em actos familiares e sociais.

Outra das coisas que me tem vindo a causar ‘impressão’ é a atitude de alguns judeus para com os seus vizinhos árabes na Palestina: se reconheço que o Holocausto foi sempre – e sempre será – uma espécie de salvo-conduto para reivindicações internacionais com repercussão interna, evidentemente – “Nós somos os herdeiros dos Judeus que sofreram o Holocausto e, por isso, temos todo o direito a ...” – também reconheço que nem sempre (quase nunca?) a máxima “não faças aos outros o mesmo que não gostarias que te fizessem” tem sido adoptada.

Gostaria, igualmente, de dedicar algumas linhas – poucas, infelizmente – a Holodomor, o quase desconhecido holocausto dos ucranianos que teve lugar há 85 anos.

Foi, assim, em 1932.

A Ucrânia integrava a União Soviética onde era Josef Stalin quem mais ordenava.

Ora, perante uma ordem de colectivização, muitos camponeses ucranianos recusaram integrar as respectivas cooperativas agrícolas (os chamados “kolkhozes”) e entregar as suas colheitas.

O resultado?

O confisco da produção de muitos agricultores e, logo, a fome e a doença e milhões de mortos.

Nem só os nazis foram carrascos, portanto…

Numa época em que em muitos governos europeus pululam ideologias baseadas no ódio, na intolerância e na xenofobia parece-me que é premente não se esquecer isso.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D