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18
Set18

O Bem do Mal e o Mal do Bem

Ricardo Jorge Pereira

Fico a dever a um texto que li sobre o destino da política externa de todo o continente africano as palavras que agora escrevo.

Tal destino parece estar, sobretudo, dependente de uma escolha de aliados: os Estados Unidos da América (personificado pelo projecto AFRICOM) ou a China (personificada pela Nova Rota da Seda)?

Ora, um comentário de um leitor desse texto deixou-me algumas ‘pistas’: «Os Africanos têm apenas que escolher entre a Morte ‘dada’ pela máquina militar norte-americana e o Desenvolvimento Económico ‘suscitado’ pela Nova Rota da Seda chinesa; entre bombas e drones norte-americanos e actividades terroristas patrocinadas por eles e estradas, linhas ferroviárias, portos e pontes financiados pelos chineses; entre escravizadores e assassinos norte-americanos e investidores e comerciantes chineses.».

Devo admitir que notei nesta abordagem um posicionamento ideológico quase “cego” por um sentimento nacionalista com certeza nem sempre consentâneo com a realidade: de um lado os norte-americanos arautos da guerra e, enfim, do Mal e, do outro, os chineses ‘mensageiros’ da prosperidade e, enfim, do Bem.

De facto, não escondo que esta minha “conclusão” se reforçou com alguns dados desvendados pelo Stockholm International Peace Research Institute: na sua ‘totalidade’, o continente africano comprou, no período compreendido entre 2013 e 2017, 50% mais de armamento de fabrico chinês do que no período 2008 – 2012.

E a consultora EXXAfrica concluiu já, no relatório “The Secret Chinese Arms Trade In The Horn Of Africa” que a «China está activamente a posicionar-se como um dos maiores fornecedores de armas ao continente africano.».

Escusado será dizer que este armamento tem servido para reforçar não apenas as máquinas militares de Estados legítimos (os exércitos regulares) mas também a capacidade bélica de vários grupos guerrilheiros que fomentam a instabilidade política e militar e “ceifam” a vida de milhares de pessoas.

Perante tais dados confesso que não consigo deixar de me lembrar de duas frases: uma, proferida pelo filósofo grego Platão – “A parte que ignoramos é muito maior do que tudo quanto sabemos – e outra, dita pelo filósofo holandês Baruch Espinoza – “Todas as coisas excelentes são tão difíceis quanto raras ...

Assim, mais uma vez, afigura-se-me «absolutamente necessário recorrer a várias “fontes” de informação sobre um determinado assunto em vez de, pura e simplesmente, aceitar ‘livremente’ os rótulos postos por terceiros...».

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