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20
Abr18

Oliveira de Frades e o Monte da Lua

Ricardo Jorge Pereira

Foram muitas as palavras que já aqui deixei sobre o património cultural português.

Fazê-lo (para mim, claro) não é – nem nunca será – uma perda de tempo.

De facto, a Câmara Municipal de Oliveira de Frades (que ‘integra’ o distrito de Viseu) prepara-se para começar a inventariar o património arqueológico e histórico presente no concelho.

«Vamos fazer um inventário do património e, com isso, valorizá-lo e protegê-lo. Se ele não é conhecido, facilmente é destruído. Se é conhecido, já está debaixo da alçada e do olho das instituições», referiu-se na apresentação do projecto.

Espero é que este projecto ‘avance’ e que não seja mais um a ficar na gaveta, por assim dizer.

E porque, como disse, o património português, material e imaterial, é uma das minhas ‘causas’, não quero deixar de me referir a um local do meu país que, embora geograficamente muito distante de Oliveira de Frades, merece atenção e contemplação: Sintra.

De facto, o escritor Vergílio Ferreira disse um dia que era Sintra o único lugar de Portugal em que a História se fez jardim.

Um jardim mágico e místico.

Na verdade, os romanos chamavam à serra de Sintra Mons Lunae – o Monte da Lua.

No entanto, não é, pura e simplesmente, possível restringir o fascínio exercido por este local aos legionários oriundos da península muito depois designada de itálica.

De facto, estando o rei D. Manuel I (mais tarde ‘apelidado’ de O Venturoso) a caçar num dia de 1503, avistou a frota de Vasco da Gama que regressava da Índia. Assomado, então, por um pensamento religioso ligado à intervenção divina na acção dos Descobrimentos, decidiu mandar construir um mosteiro dedicado a Nossa Senhora da Pena em sinal de reconhecimento e de agradecimento.

Fez alguns séculos mais tarde D. Fernando Saxe-Coburgo-Gotha, no seguimento do seu casamento com D. Maria II, em 1836, uma visita a Sintra e ficou – também ele –, imediatamente maravilhado com o local: logo em 1838 começou o rei consorte de Portugal, D. Fernando II, a adquirir pequenas propriedades em redor do antigo mosteiro pertencente à ordem de S. Jerónimo que havia sido mandado erigir no reinado do já referido rei D. Manuel I, com o objectivo de criar um grande parque romântico – o Parque da Pena.

Esse processo de aquisição só terminou perto do ano de 1882 quando tal parque somava, então, cerca de 85 hectares.

Deu-se início, igualmente em 1838, à construção daquele que viria a ser o Palácio da Pena: começado a construir numa ‘união’ física com o já mencionado abandonado mosteiro, o Palácio da Pena pretendia ser uma homenagem ao passado de Portugal, a D. Manuel I e aos chamados Descobrimentos portugueses.

Tal explica por que razão devem o Parque da Pena e o Palácio da Pena ser entendidos como uma única entidade. Quer o Palácio, através dos estilos arquitectónicos adquiridos (românticos, neogóticos, neomouriscos, neomanuelinos, neo-renascentistas e neo-indianos), quer o Parque, composto por espécies oriundas de todos os ‘cantos’ do mundo, proporcionavam como que um encontro entre as culturas da Terra.

Ora, segundo o artigo “Parques de Sintra com mais 14% de visitas no primeiro semestre”, publicado na edição electrónica do jornal Público em meados de Agosto de 2016, os parques de Sintra tinham sido visitados por mais de um milhão de turistas nos primeiros seis meses daquele ano sendo que o Palácio Nacional da Pena havia sido o monumento mais procurado entre os viajantes estrangeiros e portugueses.

Escrevo algumas palavras mais para dizer o seguinte: a empresa Parques de Sintra – Monte da Lua, SA é quem gere, actualmente, o Palácio da Pena e o Parque da Pena. A empresa foi constituída em 2001 após a classificação, pela UNESCO, da paisagem cultural de Sintra. Integram-na a Direção-Geral do Tesouro e Finanças, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, o Turismo de Portugal e a Câmara Municipal de Sintra.

De facto, esta empresa foi a vencedora, em quatro anos consecutivos (2013, 2014, 2015 e 2016), da categoria de Melhor Empresa do Mundo em Conservação pelos chamados Óscares do turismo, os World Travel Awards.

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