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11
Set18

Outra vez a conquista de Ceuta

Ricardo Jorge Pereira

Já aqui escrevi sobre a conquista da cidade marroquina de Ceuta por militares portugueses em 1415 que deu, efectivamente, início à chamada expansão portuguesa.

Ora pois bem, poucos dias depois de se ter assinalado mais um aniversário desta tomada militar, transcrevo um excerto – devidamente adaptado – do livro escrito pelo historiador Oliveira Martins “Os filhos de D. João I”:

 

«Depois de celebradas as pazes de 1411 com Castela, o rei projectava levar a efeito um grande torneio, festa magnífica em que armaria os três filhos mais velhos, D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique; mas estes observaram que as festas não eram empresas, e o grau de cavalaria queria ganhá-lo (…).

Mas, que empresa? – perguntava a si próprio (…). E um dos três conselheiros da Coroa, João Afonso de Azambuja, que com o arcebispo de Braga e João das Regras constituíam o Ministério de D. João I, segredou-lhe ao ouvido: Ceuta! Reconquistar Ceuta, que fora a porta aberta à traição para os Mouros entrarem na Espanha, seria a mais gloriosa empresa (…). Todos concordaram que sim; faltava ouvir os filhos.

Os três mais velhos eram homens feitos, D. Duarte tinha 21 anos; D. Pedro, 20; D. Henrique, 18. Os dois pequenos, D. João (12 anos) e D. Fernando (9), não se contava com eles ainda (…). O conde de Barcelos, que contaria 30 anos, também ele era filho de D. João I (…) mas não era filho de D. Filipa (…).

A continuação da reconquista para além-mar era abrir a Portugal os portos do Oriente (…) onde havia as especiarias, os tecidos preciosos, o oiro e tudo o mais que as caravanas traziam através do deserto, desde o mar Roxo (…) até Ceuta.

Aos seus filhos confiou pois D. João I a ideia da conquista de Ceuta, enumerando os obstáculos que se opunham à sua realização. Em 1.º lugar, faltava dinheiro: não o tinha o Tesouro. Como havê-lo? Por meio de pedidos ou impostos? Isso seria cruel para o povo que tanto sofrera com a guerra (…). Em 2.º lugar, não havia esquadra capaz de levar o exército a Ceuta. Em 3.º lugar, faltavam homens. Faltava tudo. Em 4.º lugar, ainda que vença, a tomada desta cidade, continuava D. João I, pode «fazer maior dano que proveito» (…). Em 5.º lugar, finalmente, indo bulir com os Mouros de Marrocos, expomos o nosso Algarve aos seus contínuos assaltos (…).

Depois de o rei expor as sua dúvidas, os infantes disseram que não eram necessários pedidos: obter-se-iam os recursos por empréstimos com os mercadores do Reino (…). Com relação à falta de navios, que era real, mandavam-se vir, alugados dos portos da Galiza, de França e da Alemanha (…). E, além disso, não era exacto que faltasse gente: havia, e muita, no Reino (…).

Estava decidido que iriam a Ceuta.».

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