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05
Nov18

Para o resto da vida?

Ricardo Jorge Pereira

Abordei, no último texto que aqui ‘deixei’, uma das dimensões da problemática da imigração.

Ora, não pretendo acrescentar nada ao que então referi mas gostaria, no entanto, de continuar nesta ‘temática’ da saída de um país – neste caso de Portugal – e, claro, da entrada e permanência num outro.

De facto, o já por mim aqui citado Professor britânico Charles Ralph Boxer – muito provavelmente «o maior historiador estrangeiro da Expansão portuguesa»... – escreveu o seguinte no seu “O Império Marítimo Português (1415-1825)”: «O cabo Saar, depois de alguns anos de serviço contra os portugueses em Ceilão [hoje, Sri Lanka], escreveu acerca deles vinte anos mais tarde [no século XVII, por sinal]: “seja onde for que cheguem, pensam estabelecer-se aí para o resto da vida, e nunca mais tencionam voltar para Portugal outra vez. Mas um holandês, quando chega à Ásia, pensa: quando os meus seis anos de serviço acabarem, volto outra vez para a Europa”».

Mas, tendo em consideração algumas das informações que há alguns anos (em 2012, creio) me foram transmitidas num questionário “online” que tive a oportunidade de coordenar sobre a emigração portuguesa – “a nova emigração portuguesa”, na plataforma surveymonkey –, e apesar da minha “aversão” e desconfiança em relação às generalizações mais ou menos ‘apressadas’, tenho dúvidas em considerar que muita daquela vontade de se estabelecer num local para o resto da vida se tenha alterado assim tanto apesar da natural passagem do tempo e, evidentemente, da mudança das circunstâncias históricas:

 

em Angola

 

«Não tenho presente nem futuro no meu país (…) escolha estratégica: aqui posso ser alguém. No meu país seria sempre um zero (…) não tenciono voltar a não ser para ver família e amigos. Nunca para viver.»;

 

«Já estou cá há 4 anos e prevejo mais 100.»;

 

no Brasil

 

«conto cá ficar para o resto da vida ......»;

 

na Dinamarca

 

«depois de 8 meses decidimos que era para o resto da vida.»;

 

em França

 

«para a vida»;

 

no Reino Unido

 

«desde 2004 e sem regresso previsto a Portugal»;

 

na Suíça

 

«Quando não se consegue trabalho em Portugal por se terem habilitações a mais... vamos para o país que primeiro nos dá oportunidade. Vim para a Suiça completamente sozinha porque foi onde consegui trabalho mais depressa. (…) Não tenho data prevista de regresso a Portugal. O mais provável é não regressar.»;

 

«Duração prevista: se possível, para sempre.».

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