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14
Mar18

Para que serve a ONU?

Ricardo Jorge Pereira

Lembro-me, frequentemente, de ter visto e ouvido, há alguns anos, um conjunto de declarações proferidas por John Bolton, então o representante norte-americano junto da Organização das Nações Unidas (ONU) a propósito, pois, da ordem mundial vigente e da organização.

Eis algumas (devidamente traduzidas, claro): «O ponto que quero deixar convosco nesta breve alocução é (…) que não existe uma Organização das Nações Unidas. Existe, sim, uma comunidade internacional que pode, ocasionalmente, ser dirigida pela única e verdadeira potência mundial existente no mundo hoje em dia – os Estados Unidos da América [EUA] sempre que tal nos seja conveniente e sempre que consigamos contar com o apoio de outros»; «O edifício sede da ONU conta 38 andares. Se, porventura, 10 andares se ‘perdessem’ hoje isso não teria qualquer importância»; «Os EUA deixam que a ONU funcione sempre que o querem. E é essa a única maneira correcta porque o único ponto que importa salientar é o do interesse dos EUA e se, pura e simplesmente, esta audiência não concorda tenho imensa pena mas é essa a verdade».

Refiro, desde já, que tais declarações foram feitas publicamente e estão ‘disponíveis’ na plataforma YouTube.

Ora, é para mim evidente a autoridade, por assim dizer, de tal pessoa para dizer o que disse sendo, como aludi, o embaixador dos EUA junto da ONU e apenas perguntei (e pergunto) a mim mesmo se o que disse estava – e está – assim tão distante da realidade ou se a única crítica que se poderia fazer era à forma como o exprimiu.

A verdade é esta: poucas resoluções decretadas por um dos órgãos da ONU, o Conselho de Segurança, são, integralmente, cumpridas e as decisões emanadas da ONU terão, aos olhos de muitos, pouco valor ‘tangível’ e concreto bastando para tal verificar, por exemplo, a quantidade de conflitos bélicos actualmente activos no mundo (com toda a brutalidade que representam) e o número de pessoas consideradas como “deslocadas” ou “refugiadas”.

Tal como não penso ser benéfico para a imagem da ONU (para não dizer mais) o facto de, de quando em vez, serem elevados à categoria de membros efectivos de comissões especializadas da organização (como a de direitos humanos, por exemplo), países em que a tortura e demais violações dos direitos das pessoas são regra.

Creio também valer a pena relembrar o conteúdo de um artigo publicado, há poucos dias, na edição online da britânica The Economist – “The rules-based system is in grave danger” – a propósito do agravamento das tarifas impostas à importação, pelos EUA, de aço e de alumínio.

Este artigo alerta para o facto de que tal agravamento aduaneiro possa ser, na verdade, um ataque ao funcionamento da Organização Mundial de Comércio (que, deve recordar-se, não integra a ‘lista’ de agências especializadas da ONU) e a todo o sistema global que tantos benefícios concedeu, ao longo de décadas, aos EUA…

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