Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

uso externo

uso externo

02
Nov17

"Peregrinação"

Ricardo Jorge Pereira

O filme “Peregrinação”, de João Botelho, estreou ontem em salas de cinema de todo o país.

Baseado, pois, nos escritos de Fernão Mendes Pinto.

Aproveito, assim, para ‘colocar’ aqui no blogue um texto que escrevi e que o jornal Hoje Macau fez o favor de publicar (em 18 de Dezembro de 2014…) sobre a vida e a obra de Fernão Mendes Pinto.

 

 

«Por esse rio acima

Assinalam-se, em 2014, os 400 anos da publicação da Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto.

A Peregrinação foi escrita em Almada (numa altura em que o autor se encontrava já afastado das suas jornadas mais aventureiras e agitadas) e publicada, postumamente, em 1614. Desde logo, em língua portuguesa, mas, pouco depois, noutros idiomas: em castelhano (a primeira edição espanhola data de 1620), em francês (com a sua primeira edição a ter lugar em Paris em 1625), em neerlandês (1652), em inglês (1653) e em alemão (1671).

Note-se, por exemplo, que a muitos funcionários da Companhia Holandesa das Índias Orientais era solicitada a leitura da Peregrinação.

É que a Peregrinação – como destacava a capa da primeira edição inglesa – relatava as vivências e impressões do autor em muitos «reinos do Oriente» como o da Malásia, o do Sião (hoje, a Tailândia), o do Pegu (hoje, a Birmânia) ou o da China ao mesmo tempo que descrevia a sua «religião, leis, riquezas, costumes e formas de governo».

Mas, simultaneamente, a Peregrinação era «um romance de crítica à sociedade do tempo: denúncia de atrocidades, ingratidões, desmandos, fraudes, hipocrisia e falsa religiosidade».

Sociedade de que, relembre-se, Fernão Mendes Pinto também fazia parte pelo que não podia, ele próprio, escapar às críticas tecidas.

Foi, no entanto, muito provavelmente, Fernão Mendes Pinto (para além de «marinheiro, senhor, escravo, jesuíta, pirata, mercador, juiz, escritor» como evoca o monumento erigido no Pragal, em Almada, por ocasião do 4º centenário da sua morte, em 1983), independentemente da sua maior ou menor imaginação, o primeiro a recorrer, de forma sistemática e exaustiva, aos métodos fundamentais que, séculos mais tarde, viriam a ser reclamados pela ciência etnográfica para a obtenção de informação e simples relatos descritivos, isto é, a observação e a participação directas (na ‘primeira pessoa’) nos acontecimentos.

Contributo maior para a Europa ganhar uma maior consciência dos outros e, portanto, de si própria (e, talvez, um precioso auxílio para espoletar ou acelerar o início do fim do império português em terras do Oriente…), a Peregrinação é, ainda hoje, o título em língua portuguesa mais traduzido em todo o mundo.».

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D