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17
Jul18

Refugiados e professores

Ricardo Jorge Pereira

Aqui descrevi há dias a situação por que passa o Brasil como sendo de «instabilidade política e social».

Creio que o “diagnóstico” apresentado não foi demasiadamente arriscado nem pessimista já que não são poucas as vozes a alertarem que o momento actual da vida brasileira é, na verdade, um perigo para o próprio regime democrático do país.

Ora, apesar dos mais de sete mil quilómetros que me separam – enquanto cidadão a viver em Portugal – do Brasil, creio que o país ainda é – apesar de todas as dificuldades que lembrei já – uma espécie de abrigo e de refúgio para cidadãos de países vizinhos também pouco ‘afortunados’ (para não dizer mais…): vi, não há muito tempo, imagens televisivas documentando a ‘invasão’ de pessoas oriundas da Venezuela.

Pois bem, li, há pouco tempo, o seguinte:

 

«Que tal aprender um novo idioma com um refugiado? Estão abertas as inscrições para os cursos regulares de inglês, francês e espanhol do 2º semestre no ***** *****. As aulas começam no dia 11 de agosto. Aqui, refugiados no Brasil são capacitados para darem aulas de idiomas em que são fluentes. (...) Muito mais do que o ensino de línguas, o objetivo dos cursos é permitir a imersão dos alunos na cultura dos professores e viabilizar a integração social e a geração de renda [rendimento] para os refugiados que encontram abrigo no Brasil.».

 

Refugiados a ensinar?

É uma excelente ideia!

Creio, até, que para além desse ‘mero’ acto de ensinar ser dirigido (segundo percebi) para cidadãos ‘normais’ e ‘comuns’ poderia ser um exemplo para pessoal político de todo o mundo: como li no jornal Público no passado sábado, o presidente norte-americano Donald Trump, no seu encontro com a primeira-ministra britânica Theresa May, referiu que a imigração é «» e «triste» para a Europa pelo facto de «alterar a sua cultura» (e por contribuir, disse, para o ‘crescimento’ da ameaça terrorista)…

 

 

 

 

 

 

Post scriptum: Não tendo a absoluta certeza da diferença existente entre um imigrante (ou emigrante sendo que ambas as figuras jurídicas, imigrantes e emigrantes são migrantes) e um refugiado, limitei-me a procurar saber junto de quem, certamente, saberia. De facto, o sítio na Internet da sede brasileira da Agência da Organização das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) foi-me muito útil: «Os refugiados são pessoas que escaparam de conflitos armados ou perseguições. Com frequência, sua situação é tão perigosa e intolerável que devem cruzar fronteiras internacionais para buscar segurança nos países mais próximos, e então se tornarem um ‘refugiado’ reconhecido internacionalmente, com o acesso à assistência dos Estados, do ACNUR e de outras organizações. São reconhecidos como tal, precisamente porque é muito perigoso para eles voltar ao seu país e necessitam de um asilo em algum outro lugar. Para estas pessoas, a negação de um asilo pode ter consequências vitais.» enquanto que «Os migrantes escolhem se deslocar não por causa de uma ameaça direta de perseguição ou morte, mas principalmente para melhorar sua vida em busca de trabalho ou educação, por reunião familiar ou por outras razões. À diferença dos refugiados, que não podem voltar ao seu país, os migrantes continuam recebendo a proteção do seu governo.».

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