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04
Jul18

Será que isto não anda mesmo tudo ligado?

Ricardo Jorge Pereira

Aludiram as linhas que ontem aqui deixei no blogue ao futuro de uma ‘fatia’ importante da população do mundo.

Um futuro com muitas nuvens negras no horizonte.

Aproveito, por isso mesmo, para relembrar um conjunto de conclusões ensaiadas quer por um estudo de opinião divulgado há já alguns anos (no final de 2015), quer por um outro, muito mais recente, que acabei de ler há pouquíssimos dias.

Ora, o primeiro, organizado pela empresa YouGov, baseou-se em opiniões dadas, online, por 18.235 adultos originários de dezasseis países (e de Hong Kong) relativamente à questão «Considerando o mundo na sua ‘globalidade’, acha que ele está a ficar melhor, na mesma ou a ficar pior?»: as respostas dadas por pessoas originárias da China e da Indonésia foram as únicas em que a percentagem de “votos” na ‘opção’ «a ficar melhor» foi mais elevada do que em «a ficar pior» sendo que os ‘piores’ registos (mais “votos” na hipótese «a ficar pior») foram obtidos junto de pessoas com origem em França (81%) e na Austrália (70%).

Já o segundo – “Democracy Perception Index 2018” – resultou de um projecto de investigação ‘conduzido’ pelo Instituto Dalia (Dalia Research, em língua inglesa) em colaboração com a Aliança das Democracias (Alliance of Democracies, na língua inglesa) e com o instituto Rasmussen Global e tendo por base um inquérito realizado, também online, a não mais do que cerca de 125.000 pessoas residentes em cinquenta países descobriu’ o seguinte: «O Índice de Percepção da Democracia [ou Democracy Perception Index] revela que a maioria dos habitantes da Terra sente não ter ‘voz’ na política e que o ‘seu’ governo não actua de acordo com o seu interesse (51 e 58%, respectivamente). Ou seja, esta maioria de cidadãos não acredita que o ‘seu’ governo seja composto pelo povo e que trabalhe para o povo.

E, talvez surpreendentemente, este nível de descontentamento é mais ‘elevado’ em países [considerados] democráticos do que em países [considerados] não democráticos: de facto, quase dois terços (64%) dos inquiridos originários de países [supostamente] governados pela democracia acha que o ‘seu’ elenco governamental “raramente” – ou “nunca” – age de acordo com o interesse público enquanto que ‘apenas’ 41% dos questionados oriundos de países [considerados] não democráticos o considera.».

Assim, os inquiridos japoneses foram os que mais afirmaram não ter uma ‘voz’ pública.

Seguidos dos polacos, dos franceses, dos austríacos, dos portugueses, dos noruegueses, dos alemães, dos holandeses, dos belgas e, ainda no “top 10”, dos singapurenses.

Ou seja, colocando eu algumas (muitas) reservas nas metodologias usadas em determinados estudos de opinião – e destes aqui por mim citados, evidentemente – e, pois, na generalização das suas conclusões, acredito sinceramente que a ‘onda’ populista que me parece estar a varrer o mundo tem, na verdade, em muitas das opiniões cidadãs manifestadas nestes trabalhos uma das suas origens.

Assim, falta de confiança no futuro, descontentamento, populismo, enfraquecimento da democracia...

Talvez isto esteja mesmo tudo ‘ligado’, não é?

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