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30
Jul18

«SOS Azulejo»??

Ricardo Jorge Pereira

Lembro-me de já aqui ter escrito sobre um objecto que acho ter um enorme valor patrimonial (e identitário…) em Portugal.

E do quão ‘maltratado’ ele tem, por vezes, sido.

Ora, não me quero repetir mas acho ser bastante relevante descrever uma situação que espero que seja pontual e não comum a todas as instituições públicas encarregues de proteger e defender o património material português.

Estive, de facto, há mais de um mês, junto às instalações de uma antiga e prestigiosa livraria em Lisboa – como, aliás, frequentemente faço quando passo pela rua em que se situa – e reparei que estavam à venda alguns azulejos.

Estranhei, desde logo, o facto de uma livraria ter para venda azulejos (se bem que quer livros quer azulejos são ‘cultura’, certo?) mas também o facto de o azulejo ser já, em Portugal, uma figura protegida, por assim dizer, e estar em venda ‘livre’ e completamente ‘aberta’.

Mas também o facto de as “assinaturas” situadas nas extremidades dos exemplares expostos serem incrivelmente similares às de alguns azulejos identificados pela Polícia Judiciária, em ‘catálogo’ online, como tendo sido furtados.

Recordo o que, por exemplo, se pode ler na página sosazulejo.com: «O Património Azulejar português é de uma riqueza e valor incalculáveis, ocupando um lugar de relevo não só no Património e Artístico do nosso país, como no Património da Humanidade, destacando-se pela qualidade e pela quantidade dos temas, estilos, materiais, técnicas e usos. Urge, por isso, defendê-lo e preservá-lo para as gerações seguintes, a todo o custo e por todos os meios lícitos ao nosso alcance.

Como contributo para esta necessidade absoluta de salvaguarda, foi oficialmente criado a 28.02.2007, através da assinatura de um Protocolo, o Projeto SOS Azulejo.

O Projeto “SOS Azulejo” é de iniciativa e coordenação do Museu de Polícia Judiciária (MPJ), órgão da Escola de Polícia Judiciária (EPJ), e nasceu da necessidade imperiosa de combater a grave delapidação do património azulejar português que se verifica atualmente, de modo crescente e alarmante, por furto, vandalismo e incúria.».

Reconheço que pensei estar a fazer uma boa acção na defesa e na protecção do património material português que tanto estimo e admiro quando decidi contactar, via correio electrónico (“e-mail”) o ‘gabinete’ dessa polícia responsável pela ‘protecção urgente’ aos azulejos e escrevi, com um pouco mais de detalhe, isto mesmo concluindo que achava valer a pena investigar a sua proveniência.

O desfecho, no entanto, não foi aquele que esperava: não só não obtive qualquer resposta como, muito mais importante do que isso, os cinco (5) azulejos inicialmente expostos já só eram, há pouquíssimos dias, quatro (4) pois um deles (do século XVII e com o preço, diga-se, de € 150) tinha, entretanto, sido vendido (a um cliente ‘normal’, segundo me foi dito)…

Espero que este não tenha sido só um ‘azar’ do azulejo em si e de quem tem a obrigação de o defender mas lá que foi prestado um péssimo serviço ao património material português lá isso foi...

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